O Theatro Municipal do Rio de Janeiro recebe, no dia 18 de março, o evento Conversas com Griots: trajetórias e antirracismo, que integra a campanha 21 Dias de Ativismo e Luta contra o Racismo. A iniciativa reúne pesquisadores, artistas e representantes da sociedade civil para refletir sobre o combate ao racismo estrutural e a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
A data está inserida no contexto do Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março e instituído pela Organização das Nações Unidas em memória do “Massacre de Sharpeville”, ocorrido em 1960, na África do Sul, quando uma manifestação pacífica contra o regime do apartheid foi violentamente reprimida, resultando em 69 mortos e 186 feridos.
Criada em 2017, a campanha dos 21 Dias de Ativismo e Luta contra o Racismo promove, ao longo do mês de março, uma série de atividades voltadas à conscientização e ao fortalecimento da agenda antirracista. A proposta é mobilizar movimentos sociais, instituições e a sociedade civil em torno de debates e ações que ampliem as possibilidades de resistência e enfrentamento ao racismo estrutural.
No Rio de Janeiro, a programação conta com a participação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Educação Transformadora: Antirracismo, Interseccionalidade e Justiça Social na América Latina, iniciativa apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e coordenada pelas professoras Nilma Lino Gomes e Glenda Cristina Melo. O projeto busca estudar e fortalecer práticas antirracistas em diferentes áreas do conhecimento, promovendo uma educação voltada à equidade e à justiça social.
Entre as ações desenvolvidas, está o Think Tank Griots do Século XXI, espaço de diálogo que reúne pessoas com trajetória histórica na luta por igualdade racial para compartilhar experiências por meio de palestras, debates e rodas de conversa. A iniciativa funciona como um fórum de troca entre gerações, estimulando a construção de novos caminhos e políticas públicas.
O encontro Conversas com Griots: trajetórias e antirracismo, com coordenação de Paulo Melgaço, acontece no Salão Assyrio do Theatro Municipal, a partir das 17h30, e contará com duas mesas de debate e apresentações artísticas. A proposta é destacar trajetórias e reflexões sobre o papel da arte e da cultura no enfrentamento ao racismo, ampliando o diálogo com o público e reforçando a importância de ações antirracistas em espaços culturais históricos da cidade.
Convidados para a roda de conversa
Luciana Barreto

Luciana Barreto é jornalista, âncora e editora-chefe do Repórter Brasil Tarde, na TV Brasil. Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, iniciou a carreira aos 23 anos e passou por veículos como Canal Futura, GNT, BandNews TV, TV Bandeirantes e CNN Brasil.
Premiada por seu trabalho jornalístico, recebeu o Prêmio Nacional de Jornalismo Abdias Nascimento em 2012, pelo programa Caminhos da Reportagem. Em 2018, ganhou o prêmio Sim à Igualdade Racial na categoria “Em Pauta”. É mestre em relações étnico-raciais, palestrante e ativista de direitos humanos.
Autora do livro Discursos de Ódio contra Negros nas Redes Sociais (2023), foi finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico em 2024. No mesmo ano, foi eleita a jornalista mais influente da região Sudeste no prêmio + Admirados Jornalistas Negros da Imprensa Brasileira. Em 2021, foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo.
Nando Cunha
Nando Cunha é ator maranhense, nascido em São Luís, com atuação destacada na televisão, no cinema e no teatro. Tornou-se conhecido do grande público por trabalhos em novelas da TV Globo, como Salve Jorge, Segundo Sol e Todas as Flores. Também participou de produções de destaque no cinema brasileiro e mantém presença ativa nos palcos, além de atuar em projetos voltados à valorização da cultura e da representatividade negra.
Aisha Jambo
Atriz formada em dança pela UFRJ e fundadora da Jambo Produções. Iniciou a carreira em 1999, na peça Café Satie: Memórias de um Amnésico, de Stella Miranda, e no filme Orfeu, de Cacá Diegues. Atuou em mais de quinze filmes e em novelas, como Cabocla, Alma Gêmea e Os Dez Mandamentos, sendo indicada ao Troféu Raça Negra pelo papel de Ritinha em Cabocla. Recentemente, participou da série A Divisão (2025), do especial Hoje é Dia (2024), e é atriz e coprodutora da peça A Desmontagem da Escravidão (2024). Atualmente, está em pré-produção do espetáculo Mercedes, com financiamento da SECEC.
Keila Castro
Bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, com pós-graduação em Artes Cênicas pela Estácio de Sá e licenciatura em Dança pela UNICESUMAR (em curso). Iniciou a sua formação na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (atual EEDMO) e integrou companhias como o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Companhia de Ballet de Niterói, Rubens Barbot Cia. de Dança e Cia. Aérea de Dança. Atuou como bailarina e atriz em espetáculos teatrais, musicais e produções televisivas, como Kananga do Japão, A Lei e o Crime e Poder Paralelo. Também desenvolve extensa trajetória como professora de dança, tendo lecionado em diversas escolas, academias e projetos culturais. Atualmente ministra aulas em diferentes espaços de formação artística.
Loide Mendonça

Loide Mendonça, aos 82 anos, construiu uma trajetória dedicada à música. Formada em canto pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, iniciou a sua carreira na Rádio MEC em 1969, onde permaneceu até 1984. No ano seguinte, foi transferida para a Escola de Música da universidade e, em 1986, estreou como cantora solista no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na ópera Porgy and Bess, de George Gershwin. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios, entre eles o primeiro lugar no Concurso de Canto do Conservatório Brasileiro de Música e menção honrosa como melhor intérprete de Carlos Gomes e Heitor Villa-Lobos na CAL – Caravana dos Artistas Líricos, em 1980. Também conquistou o primeiro lugar no Concurso de Canto Villa-Lobos, no estado do Espírito Santo. Em 1985, tornou-se Membro Catedrático Internacional de Música, ocupando a cadeira Carmen Gomes.
Camila Moreira
Camila Moreira, 20 anos, iniciou a sua trajetória na dança ainda criança em uma ONG na Baixada Fluminense. Na adolescência ingressou na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, onde atualmente cursa o último ano do curso técnico e integra a companhia jovem BEMO. Formada também por um projeto social de dança e teatro, atua como professora nos níveis iniciais, compartilhando com novos alunos os conhecimentos adquiridos em sua formação artística.
Murilo Emerenciano
Murilo Emerenciano atua há mais de 30 anos na música clássica e popular. Pianista do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, também acompanha os coros da Escola de Música da Rocinha e é pianista do Conservatório Dança e Arte.
Com foco em ópera, balé e grupos vocais, acumula experiência como solista e camerista em diversas salas de concerto pelo país. Foi premiado em concursos nacionais de piano e atuou como solista com a Orquestra Acadêmica da Unesp, sob a regência de Lutero Rodrigues, e com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, aos 11 anos de idade, sob a regência de João Maurício Galindo. Ao longo da carreira, também desenvolveu trabalhos ligados ao teatro musical, à dança contemporânea e à trilha sonora para cinema.
Geilson Santos

Cantor do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, formou-se pelo Conservatoire à Rayonnement Régional de Rouen, na França, onde obteve o Licence d’Interprète en Chant (2013). Tem se destacado em importantes produções operísticas no Brasil, participando do Festival Amazonas de Ópera, em Manaus, nas montagens de La Vie Parisienne, de Jacques Offenbach, e Les Troyens, de Hector Berlioz.
Também integrou a primeira audição brasileira de O Caso Makropulos, de Leoš Janáček, com a Orquestra Petrobras Sinfônica, e a estreia latino-americana de Renaud, de Antonio Sacchini, na Sala Cecília Meireles. Nos últimos anos, participou de produções como O Contratador de Diamantes, de Francisco Mignone (Festival Amazonas de Ópera, 2023), Il Tabarro e Madama Butterfly, de Giacomo Puccini, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, além de Rusalka, de Antonín Dvořák.
Em 2025, integrou Friedenstag, de Richard Strauss, no Theatro Municipal de São Paulo, e Falstaff, de Giuseppe Verdi, no Theatro São Pedro. Também se apresentou em recital de Negro Spirituals e na obra Lobgesang, de Felix Mendelssohn, na Sala Cecília Meireles.
Coro Infantojuvenil e Juvenil da Escola de Música da Rocinha
O Coral da Escola de Música da Rocinha atua desde 1995 na formação musical de crianças, adolescentes e jovens da comunidade, oferecendo atividades de canto coral como parte do processo educativo e de inclusão social. Com repertório que transita entre música popular, erudita e de tradição oral, o grupo já se apresentou em diversas cidades brasileiras e participou de gravações com artistas como Joanna e João Bosco.
Ao longo de sua trajetória, o coral também participou de programas de televisão, shows e festivais, incluindo apresentações com Roberto Carlos, Hamilton de Holanda e Roger Waters. Entre os destaques estão o lançamento do álbum Paz – Coro da Escola de Música da Rocinha, pela Sony Music, e participações em festivais e encontros corais em diferentes estados do país, consolidando-se como uma importante iniciativa de formação artística e cidadania.
Cia Livre de Dança da Rocinha

A Cia Livre de Dança da Rocinha é um projeto sociocultural que há 25 anos promove a formação artística de crianças e jovens da comunidade por meio do ensino da dança. Com aulas gratuitas em estilos como balé, jazz, danças urbanas, sapateado e dança afro-brasileira, a iniciativa atua em três frentes: escola de formação, equipe de competição e criação de espetáculos autorais.
Idealizada por Ana Lucia Silva, graduada em Licenciatura em Dança e pós-graduada em Ensino de Dança Clássica pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a companhia também desenvolve o projeto social Bailarinas do Amanhã, voltado à inclusão e ao acesso à cultura na Rocinha. A companhia já participou de festivais como o Festival de Dança de Joinville e o Danzamérica, destacando-se com trabalhos premiados como Cafezal – Bailado Ancestral.
SERVIÇO
Conversas com Griots: trajetórias e antirracismo
Quando: 18 de março, quarta-feira, às 17h30
Onde: Boulevard e Salão Assyrio do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (entrada pela lateral da Av. Treze de Maio)
Entrada: franca, sujeita a limitação
Classificação: livre
Arte principal: Gabi Zava.
Fotos: divulgação.






