OSB apresenta concerto de cordas e percussão na Sala Cecília Meireles

Nos dias 21 e 22 de março, a Orquestra Sinfônica Brasileira dá início à Série Músicos da OSB na Sala Cecília Meireles. Cordas e percussão se juntam para apresentar um repertório com obras de Étienne Perruchon, Camargo Guarnieri e Béla Bartók.

Não adianta recorrer ao Google. Nem ao dicionário, se você for mais analógico: a palavra dogoriana não consta por lá. É que o termo foi cunhado pelo francês Étienne Perruchon para se referir a uma língua que… não existe. A ideia veio em 1996, quando o compositor recebeu uma encomenda musical para uma peça ambientada em um país imaginário. Sem os textos prometidos, tratou de inventar ele mesmo uma língua própria para as canções, posteriormente incorporando à sua estética aquela criação nascida de uma demanda pontual.

Em uma análise etimológica intuitiva (para permanecer no domínio da invenção), é possível dizer que há algo de antigo e de jocoso no termo; e essas duas palavras não parecem de todo inapropriadas para descrever as Cinco Danças que abrem esse programa. Nesses arranjos para violoncelo e tímpanos de 2005, polirritmias vertiginosas reminiscentes da Bulgária, modos folclóricos que evocam a Hungria e harmonias que escapam aos modos maior e menor convivem de forma curiosa, embalados numa suíte inventiva que destaca o que os instrumentos têm de mais íntimo e primitivo.

Se a Suíte de Perruchon nos apresenta a combinação de percussão e cordas em uma dimensão camerística, é com o Concerto para Cordas e Percussão de Camargo Guarnieri que a apresentação adentra o território sinfônico propriamente. Aqui o brasileiro se reporta menos aos modelos românticos do gênero concerto e mais ao concerto grosso barroco, o que não significa, em nenhum grau, dizer que não se trata de uma obra virtuosística. Pelo contrário: o que se ouve é um verdadeiro tour de force no qual cordas e percussão realizam um diálogo por vezes energético, às vezes lírico e sempre cheio de surpresas.

Obra incontornável para esta formação, a Música para Cordas, Celesta e Percussão reúne muito daquilo que consagraria Bartók como um dos mais inventivos compositores do século XX: o rigor formal consorciado à inventividade tímbrica, a tensão entre lirismo e ritmo, a absorção orgânica do folclore centroeuropeu… tudo está lá, catalisado ainda mais pela consciência aguçada da maturidade.


Orquestra Sinfônica Brasileira

Série Músicos da OSB | Cordas e Percussão

Étienne Perruchon
Cinq Danses Dogoriennes

Camargo Guarnieri
Concerto para Cordas e Percussão

INTERVALO

Béla Bartók
Música para Cordas, Celesta e Percussão


Quando: 21 de março, sábado, às 17h / 22 de março, domingo, às 11h
Onde: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47, Lapa, Rio de Janeiro)
Ingressos: R$ 40,00 (R$ 20,00 meia)


Foto: Renato Mangolin.

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