Conhecer uma história de amor desperta sempre a curiosidade alheia. Afinal, o sonho de encontrar a cara metade costuma fazer parte, constantemente, do imaginário das pessoas. E quando esse sentimento brota em meio à música? É o que acontece em Cartas de Amor de Francisco Mignone para sua Jô, concerto estrelado pela soprano do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Georgia Szpilman, que chega acompanhada da pianista Dília Tosta, e com participação especial do clarinetista Moisés Santos, para uma única apresentação, na Sala Mário Tavares, no dia 18 de setembro, às 17h. O resultado é um encontro com muitas histórias que revelam a beleza do amor entre o maestro compositor e a pianista.
“A ideia do concerto surgiu pelo convívio com a Jô. Sabia da existência das cartas, mas nunca havia visto. Sabia do desejo da Jô em transformar em um livro. O motivo, não pode ser revelado. Então, transformou as cartas, bilhetes e fotos da vida profissional no livro. Quando vi o livro ‘Cartas de amor de Francisco Mignone para Josephina Mignone’, passou a ser meu livro de cabeceira. Muito romântico. Daí foi um passo para pensar no concerto” – revela Georgia Szpilman, que tinha uma relação bem próxima com a pianista.
As cartas de amor trocadas entre Francisco e Josephina Mignone são documentos preciosos que revelam a personalidade do compositor. Nelas, Mignone expressa o seu amor, suas inseguranças, suas alegrias e até mesmo suas frustrações artísticas. A linguagem utilizada nas cartas é carregada de emoção, demonstrando que, por trás do gênio musical, havia um homem profundamente humano e dedicado à sua esposa. Fragmentos e relatos indicam que Josephina era sua confidente e musa, uma presença constante mesmo durante as suas viagens e períodos de intensa produção artística – provando que o artista que se achava pouco inspirado, antiquado e até pessimista, virou a chave assim que conheceu Jô, presenteando a amada com três pequenas valsas de esquina.

Francisco Mignone (1897–1986) foi um dos mais importantes compositores brasileiros do século XX, conhecido por suas obras sinfônicas, peças para piano e composições que incorporam elementos do folclore nacional. Além da sua produção musical, um aspecto menos conhecido da sua vida é a sua relação amorosa com Josephina Mignone, sua esposa, revelada através de cartas pessoais que mostram um lado sensível e apaixonado do artista.
Maria Josephina Mignone nasceu em Belém, Pará, no ano de 1923. Formou-se no Instituto Carlos Gomes, em Belém, e no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro, na classe de harmonia de Lorenzo Fernandez. Aperfeiçoou-se em piano com Arnaldo Estrêla, Magda Tagliaferro e Liddy Chiafarelli Mignone. Além de solista, apresentava-se em duos de pianos com seu marido, de cuja obra se tornou uma das principais intérpretes e divulgadoras.
As cartas de amor de Francisco Mignone para Josephina são um testemunho de que, por trás de grandes artistas, muitas vezes há histórias de afeto e parceria que sustentam a sua trajetória. No caso de Mignone, essas correspondências revelam um homem que, apesar da sua genialidade musical, valorizava profundamente os laços familiares e o amor conjugal.
Embora a música de Mignone já o tenha consagrado na história da cultura brasileira, suas cartas para Josephina acrescentam uma camada de humanidade ao seu legado, lembrando-nos de que até os maiores artistas são, antes de tudo, seres humanos capazes de amar intensamente.
A história de amor entre Francisco e Josephina Mignone, preservada em suas cartas, é um capítulo delicado e pouco explorado da vida do compositor. Esses documentos íntimos nos permitem conhecer não apenas o artista, mas o homem por trás da música — um homem que, como muitos, encontrou na paixão e no matrimônio uma fonte de inspiração e equilíbrio. Que essas cartas continuem a ser valorizadas como parte do rico patrimônio afetivo da música brasileira.
FICHA TÉCNICA
Cartas de Amor de Francisco Mignone para sua Jô
Voz e pesquisa: Georgia Szpilman
Piano: Dília Tosta
Participação especial: Moisés Santos (clarinete)
Direção: Ruben Gabira
Luz e cenário: Katia Barreto
Sonorização: Bernardo Quadros
SERVIÇO
Quando: 18 de setembro, quinta-feira, às 17h
Onde: Sala Mário Tavares (anexo Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Rua Almirante Barroso, 14/16, Centro)
Classificação: livre
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada) / à venda na bilheteria do TMRJ e por meio do site www.theatromunicipal.rj.gov.br
Foto principal: Ana Clara Miranda (na foto, Dília Tosta e Georgia Szpilman).






