Dois grandes nomes da música, Giacomo Puccini e Richard Strauss foram provavelmente os compositores de ópera mais influentes entre o final do século XIX e o início do século XX. E, apesar de terem construído obras tão distintas, são representantes do auge das artes em seus países, a Itália e a Alemanha, naquele período. O Theatro Municipal de São Paulo promove uma inusitada dobradinha com óperas desses dois mestres do gênero. A primeira, Le Villi (As Willis), de Puccini, é uma ópera-balé com libreto de Ferdinando Fontana, baseada no conto Les Willis, de Jean-Baptiste Alphonse Karr (que também é a fonte do balé Giselle). Já a segunda, Friedenstag (Dia de Paz), de Strauss, com libreto de Joseph Gregor, é inédita na América Latina. As apresentações serão no sábado, dia 19, às 17h; domingo, 20, às 17h; terça-feira, 22, às 20h; quarta-feira, 23, às 20h; sexta-feira, 25, às 20h; sábado, 26, às 17h; e domingo, 27, às 17h. Os ingressos variam de R$ 33 a R$ 210 (valores de inteira). Com classificação livre para todos os públicos, a duração será de aproximadamente 170 minutos, incluindo intervalo.
As duas obras têm direção musical de Priscila Bomfim (à frente da Orquestra Sinfônica Municipal) e direção cênica de André Heller-Lopes. A cenografia leva a assinatura de Bia Junqueira, o design de luz é de Fábio Retti, os figurinos são de Laura Françozo, e a assistência de direção cênica é de Ana Vanessa. O Coro Lírico Municipal tem preparação de Hernán Sánchez Arteaga.
Em uma combinação única destas duas obras, o Theatro Municipal cria um programa operístico surpreendente, sob a assinatura de um dos principais diretores de ópera do Brasil. “Quando fui convidado, pensei: como unir esse primeiro Puccini, que fala de uma lenda fantástica, com uma narrativa de guerra do Strauss? Decidi que poderia trabalhar como se um fosse o prelúdio da guerra, e o outro a guerra. Nessa montagem, ‘Le Villi’ se passa no início dos anos trinta e ‘Friedenstag’ no auge dos anos da guerra. Inclusive, esse ano comemoramos os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, mas ainda vivemos em um mundo de conflitos bélicos. Bom, isso tudo será conectado por inúmeros recursos cênicos e através de um personagem, Roberto, que é um soldado”, pontua André Heller-Lopes.
Ainda sobre os aspectos da montagem, Heller-Lopes explica que a sua criação se ancora nos recursos originais do texto. “Eu trabalho com o que outros diretores de ópera fazem: a capacidade de fazer um clássico com um ponto de virada, ou um molho diferente, como forma de criar uma subleitura no texto. Mas o texto original é sagrado”, pontua.
Em Le Villi (As Willis), nos dias 19, 22, 25 e 27 de julho, os papéis principais serão interpretados por Rodrigo Esteves (Guglielmo), Gabriella Pace (Anna) e Eric Herrero (Roberto). Já nos dias 20, 23 e 26 de julho, o elenco traz Johnny França (Guglielmo), Daniela Tabernig (Anna) e Marcello Vannucci (Roberto).
Já em Friedenstag (Dia de Paz), o espetáculo conta, nos dias 19, 22, 25 e 27 de julho, com Leonardo Neiva (Comandante), Eiko Senda (Maria) e Eric Herrero (um piemontese). Nos dias 20, 23 e 26 de julho, os papéis são assumidos por Rodrigo Esteves (Comandante), Daniela Tabernig (Maria) e Marcello Vannucci (um piemontese).
Sobre a união musical de dois gênios da ópera, a diretora musical da produção e regente assistente da Orquestra Sinfônica municipal, Priscila Bomfim, explica o que o público pode esperar deste programa: “A diferença entre a forma de expressão dos dois compositores é muito clara: Puccini, que ressalta a narrativa de uma fábula encantada com suas melodias marcantes presentes no canto e reforçadas pelos naipes da orquestra; e Strauss, com sua orquestração densa e complexa, que reforça o drama militar e bélico da guerra por meio da pluralidade rítmica e de uma orquestração romântica e com influência wagneriana”, explica.
“Além disso, a união entre balé e ópera em ‘Le Villi’ apresenta uma música que é, ao mesmo tempo, dançante, mas pertencente ao universo operístico. E, claro, o desafio de unir dois compositores que são esteios das óperas italiana e alemã na mesma produção, ressaltando e resguardando suas características e estilos distintos”, pontua a regente.
Le Villi (As Willis)

Le Villi é inspirada em lendas eslavas sobre espíritos vingativos de jovens traídas pelos seus amados. Estreada em 1884, carrega influências do estilo composicional de Amilcare Ponchielli, mestre de Puccini, trazendo uma atmosfera quase mística, distinta das obras seguintes do compositor. A trama é a mesma do famoso balé Giselle, de Adolphe Adam: uma jovem de coração partido transforma-se em uma criatura sobrenatural que se vinga do seu amante infiel, forçando-o a dançar até a morte. Embora não tenha sido bem-recebida no concurso para o qual foi composta, a ópera foi aclamada por críticos que viram em Puccini uma promessa para a ópera italiana.
“O que são essas ‘Villi’? São figuras como bacantes. Essa é a visão da ópera: uma ideia contemporânea, inclusive no estilo do balé, mas dentro da dramaturgia de ópera. A partir disso, uma grande inspiração que me veio foi a imagem da personagem de ‘Metrópolis’, de Fritz Lang, que é meio mulher e meio metal”, explica o diretor André Heller-Lopes.
Friedenstag (Dia de Paz)
Já Friedenstag, foi composta por Strauss em 1938, com libreto de Joseph Gregor. Ambientada em uma fortaleza no sul da Alemanha, ao final da Guerra dos Trinta Anos, a ópera explora temas de esperança e reconciliação. O comandante da fortaleza, em um momento de desesperança, redescobre o valor da paz quando as tropas inimigas cercam o seu território. A obra é um reflexo dos tempos conturbados da ascensão do nacionalismo e do militarismo na Europa, oferecendo uma poderosa mensagem pacifista.
“Eu trouxe a ideia de como seria interessante apresentar o ‘Friedenstag’. Por ser uma ópera inédita na América Latina, uma criação importante de Strauss, e que é pouco conhecida. Ela tem uma fama que não corresponde à realidade, porque é uma obra sobre a paz, no entanto, como estreou em 1938, na Alemanha, foi utilizada pela agenda do governo. Basta dizer que ela é uma criação de Stefan Zweig, um autor importantíssimo que precisou fugir do regime na América do Sul. O que estamos fazendo é um resgate”, finaliza o diretor.
PROGRAMA E SERVIÇO
Le Villi (As Willis), de Giacomo Puccini
Friedenstag (Dia de Paz), de Richard Strauss
Orquestra Sinfônica Municipal
Coro Lírico Municipal
Direção musical: Priscila Bomfim
Direção cênica: André Heller-Lopes
Preparação do Coro: Hernán Sánchez Arteaga
Cenografia: Bia Junqueira
Iluminação: Fábio Retti
Figurinos: Laura Françozo
Le Villi* – 70′
Ópera-balé em dois atos, de Giacomo Puccini, com libreto de Ferdinando Fontana
* Edição crítica de Martin Desay (2020). Editor: Casa Ricordi srl, Milão, representada por Melos Ediciones Musicales S.A., Buenos Aires
Elenco
Dias 19, 22, 25 e 27
Guglielmo: Rodrigo Esteves, barítono
Anna: Gabriella Pace, soprano
Roberto: Eric Herrero, tenor
Dias 20, 23 e 26
Guglielmo: Johnny França, barítono
Anna: Daniela Tabernig, soprano
Roberto: Marcello Vannucci, tenor
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INTERVALO
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Friedenstag** – 80’
Ópera em um ato de Richard Strauss, com libreto de Joseph Gregor
** By arrangement with B&H Music Publishing Inc. d/b/a Boosey & Hawkes, publisher and copyright owner
Elenco
Dias 19, 22, 25 e 27
Comandante: Leonardo Neiva, barítono
Maria: Eiko Senda, soprano
Um piemontese: Eric Herrero, tenor
Dias 20, 23 e 26
Comandante: Rodrigo Esteves, barítono
Maria: Daniela Tabernig, soprano
Um piemontese: Marcello Vannucci, tenor
Todas as datas
Comandante: Sérgio Righini
Sentinela: Saulo Javan
Atirador: Geilson Santos
Soldado: Márcio Marangon
Mosqueteiro: Daniel Lee
Corneteiro: Rafael Thomas
Oficial: Santiago Villalba
Oficial da linha de frente: Jessé Vieira
Prefeito: Miguel Geraldi
Prelado: Leonardo Pace
Mulher do povo: Adriana Magalhães
Récitas: 19 e 20 de julho (sábado e domingo), às 17h / 22, 23 e 25 de julho (terça, quarta e sexta-feira), às 20h / 26 e 27 de julho (sábado e domingo), às 17h
Onde: Theatro Municipal de São Paulo – Sala de Espetáculos
Classificação: livre para todos os públicos
Duração aproximada: 170 minutos (com intervalo)
Ingressos: de R$ 33 a R$ 210 (inteira)
Fotos: Larissa Paz (na foto principal, cena de Friedenstag).






