Companhia de Ópera do RS estreia “Il Trionfo del Tempo e del Disinganno”

O oratório Il Trionfo del Tempo e del Disinganno (O Triunfo do Tempo e do Desengano) foi escrito quando Georg Friedrich Händel tinha apenas 22 anos. Composto na primavera de 1707, ele o mostra em seu momento mais confiante, combinando conjuntos virtuosos, árias cativantes e uma escrita orquestral vibrante.

Obtendo enorme sucesso na Itália, especialmente entre a nobreza e o clero – quase sinônimos naquela época – ele impressionou os seus primeiros patronos, o Cardeal Carlo Colonna, o Cardeal Benedetto Pamphili e o Cardeal Pietro Ottoboni com o seu virtuosismo no teclado e as suas composições inspiradas e brilhantes. O libreto do Trionfo é, a propósito, de autoria do Cardeal Pamphili: uma alegoria moral-religiosa, gênero que estava em moda na época.

A obra, que trata da conversão da Beleza e do Prazer para alegorias com valores e aspirações mais elevadas, terá a sua primeira apresentação na América Latina nos dias 18 (19h), 19 (17h) e 24 de outubro (19h), no Teatro Oficina Olga Reverbel. Para esta montagem, a Companhia de Ópera do RS (CORS) convidou a Bach Society Brasil e seus instrumentos de época e a Plural Cia de Dança para dar vida e teatralidade a uma obra extravagante, com quatro cantores no auge das suas habilidades técnicas e interpretativas: a soprano Carla Domingues (Belleza), as mezzosoprani Carol Braga (Piacere) e Cristine Guse (Disinganno) e o tenor Roger Scarton (Tempo).

O diretor musical do oratório, Fernando Cordella, é especializado em repertório barroco e um dos principais cravistas de sua geração na América Latina. Professor de cravo e coordenador do núcleo de música barroca da Escola Municipal de Música de São Paulo, tem atuado fortemente como solista e regente convidado das principais orquestras do Brasil e exterior. Na música de câmara, trabalha com Peter van Heyghen (Bégica), Rodolfo Richter (Inglaterra), Luis Otávio Santos, Emmanuele Baldini, Juan Manuel Quintana (Argentina), Roman Garrioud (França), Michaela Comberti (Inglaterra), entre outros.

A dramaturgia e a direção cênica serão assinadas por William Pereira, que situará o espetáculo no universo da moda e da alta costura. William é apontado como um dos maiores e mais atuantes diretores de teatro e ópera no Brasil. Formado em Direção Teatral pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Pereira é também um dos principais expoentes do teatro de vanguarda dos anos 1980. Ajudou a fundar o grupo A Barca de Dionísio e, nos anos 1990, foi estagiário em direção de cena lírica em Londres, na Royal Opera House e na English National Opera, trabalhando em espetáculos dirigidos por Antoine Vitez, David Pountney, Eliaj Moschinsky e Harry Kupfer.

O coreógrafo Milton Coati é professor, ensaiador, coreógrafo, gestor, foi bailarino de companhias renomadas como Mauricio de Oliveira & Siameses, J. Garcia & Cia., Cia. de Danças de Diadema, São Paulo Companhia de Dança e Balé da Cidade de São Paulo. Com uma sólida trajetória na dança, atuou como artista independente, criou o solo Alguém para chamar de meu bem, e interpretou obras clássicas e contemporâneas de coreógrafos de destaque, como George Balanchine, Henrique Rodovalho, Rodrigo Pederneiras, Itzik Galili e Jiří Kylián.

Entre suas criações coreográficas estão Mira (obra concebida em realidade virtual), o ato clássico de Schumann ou Os Amores do Poeta e Paixões Brasileiras, esta última apresentada na Expo Dubai 2021. Lecionou e ministrou workshops no Brasil e em diversos países da Europa, América do Sul e Oriente Médio. Atua como jurado em festivais nacionais e internacionais. Desde 2014, integra a equipe da São Paulo Companhia de Dança como professor e ensaiador, tendo assumido a gerência da equipe de ensaio em 2019. Atualmente, é codiretor artístico da São Paulo Companhia de Dança.

“Em tempos de padrões de beleza rígidos e estipulados por redes sociais e um culto ao prazer desenfreado, a obra nos chama à reflexão através de uma música sublime, nessa obra tão importante de ser revisitada no mundo em que estamos vivendo”, destaca o presidente da CORS, Flávio Leite.


Il Trionfo del Tempo e del Disinganno

Direção musical: Fernando Cordella
Dramaturgia e direção cênica: William Pereira
Direção de dança: Maurício Miranda e Pedro Coelho
Direção vocal: Vitor Philomeno
Coreógrafo: Milton Coati
Cenário: William Pereira
Figurinos: Daniel Lion
Iluminação: José Luis Fagundes
Produção: Gabriel Santana
Assistência de direção: Fernando Montini
Pianistas correpetidores: Patrick Menuzzi e Eduardo Knob
Assessoria de imprensa: Roberta Amaral
Design gráfico e fotografias: Vitória Proença

Belleza: Carla Domingues, soprano
Piacere: Carol Braga, mezzosoprano
Disinganno: Cristine Guse, mezzosoprano
Tempo:
Roger Scarton, tenor

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Plural Cia de Dança

Direção-geral: Mauricio Miranda
Direção artística: Mauricio Miranda e Pedro Coelho
Coreografia: Milton Coatti
Assistentes de coreografia/ensaiadores: Mauricio Miranda e Pedro Coelho
Bailarinos: Alexandro Reis, Amanda Sgarioni, Andressa Pereira, Didi Pedone, Edison Garcia, Pedro Coelho, Richard Salles e Rossana Scorza

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BACH Society Brasil

Direção artística, cravo e órgão: Fernando Cordella
Violinos barrocos: Giovani dos Santos, Márcio Ceconello e Renata Bernardino
Viola barroca: Renata Bernardino
Violoncelo barroco:
Diego S. Biasibetti
Violone:
Alexandre Ritter
Oboé barroco:
Érico Marques
Teorba: Silvana Scarinci


Quando: sempre em outubro, nos dias 18, sábado, às 19h; 19, domingo, às 17h; e 24, sexta, às 19h
Onde: Teatro Oficina Olga Reverbel (Rua Riachuelo, 1089, Centro Histórico, Porto Alegre)
Ingressos: R$ 130 Inteira / R$ 65 Meia entrada / R$ 42 Promocional Limitado / ingressos à venda nos seguintes links > dia 18 / dia 19 / dia 24


Foto: Vitória Proença.