Grupo propõe uma nova maneira de ouvir, ver e sentir a ópera, e estreia já no dia 21 de janeiro, em São Paulo.
A Companhia Brasileira de Ópera de Câmara nasce do desejo de colocar o intérprete no centro da concepção do espetáculo. Ela foi criada para celebrar a potência dramática da voz, aproximar o público de obras que transformaram a história, e propor pontes entre tradição e contemporaneidade. Por ser concebida para um número reduzido de músicos, a ópera de câmara pode ser montada em palcos menores, ampliando a acessibilidade do público ao gênero, sem perder a sua profundidade artística.
“Nosso objetivo é constituir uma companhia de repertório de excelência, que respeite integralmente a obra do compositor e trilhe uma trajetória que homenageia o passado, dialoga com o presente e projeta um futuro mais ousado, inclusivo e autenticamente humano”, declara Vitor Philomeno, idealizador do projeto inédito no país.
A Companhia Brasileira de Ópera de Câmara inicia a sua temporada com dois programas inéditos a partir do dia 21 de janeiro, no Teatro B32. O projeto reforça a relevância da colaboração artística, reunindo cantores, músicos, diretores, orquestras e instituições parceiras, como o Teatro B32 e a SP Chamber Orchestra, que acompanham a companhia desde a sua concepção. A iniciativa chega para fortalecer e valorizar a cena da ópera de câmara no Brasil.
La Serva Padrona / La Contadina
Curto, ágil e irresistível, o intermezzo La Serva Padrona (1733), de Giovanni Battista Pergolesi, tornou-se uma das obras mais influentes do repertório cômico da história da ópera. La Contadina (1765), de Johann Adolph Hasse, dialoga com esse mesmo universo, mas com a elegância e o refinamento característicos de um dos maiores mestres do Barroco tardio.
As duas obras mostram, em ambientes diferentes, os mesmos jogos humanos de desejo, poder e afeto. La Serva Padrona revela, dentro de casa, como a astúcia de uma criada transforma relações e o equilíbrio doméstico. La Contadina leva esse mesmo impulso para o campo, onde as estratégias amorosas ganham um tom mais aberto e ingênuo. Juntas, formam um duplo retrato da sociedade italiana do século XVIII, destacando a esperteza feminina, a comédia das relações e a observação refinada do comportamento humano, o que torna a ópera de câmara um espaço de intimidade e reconhecimento.
A Voz Humana / Lamento d’Arianna
O programa traz um encontro raríssimo entre dois universos expressivos separados por três séculos, mas unidos pela mesma busca: a voz como território absoluto de verdade humana, um programa que aproxima o nascimento da ópera, com Claudio Monteverdi, da modernidade pungente de Francis Poulenc.
O concerto abre com momentos essenciais do primeiro grande mestre do teatro musical, Claudio Monteverdi — compositor que, no início do século XVII, consolidou a ópera como forma dramática. Trechos como Lamento della Ninfa, Lamento d’Arianna e episódios do Combattimento di Tancredi e Clorinda revelam um mundo onde palavra, gesto e afeto se fundem num teatro íntimo, direto e profundamente humano. São obras que fizeram da voz o centro irradiador da emoção e que permanecem entre os pilares da dramaturgia musical ocidental.
Em diálogo com esse passado fundador, o programa apresenta A Voz Humana, de Francis Poulenc — um dos mais impactantes monodramas do século XX. Com texto de Jean Cocteau, a obra coloca em cena uma mulher em sua última conversa telefônica com o amante que a abandona. Com uma única voz, acompanhada apenas pelo piano – original do compositor, Poulenc revela abismos emocionais, vulnerabilidade, desejo, lucidez e desespero. É ópera reduzida à sua essência: uma alma diante do público.
Os Artistas
Carla Cottini (La Serva Padrona / La Contadina)
Soprano ítalo-brasileira em ascensão no cenário operístico internacional. Conhecida por sua versatilidade, já interpretou papéis de destaque em obras de Mozart, Puccini, Bellini, Verdi, Donizetti, Humperdinck, Massenet, Händel, Lehár, Bernstein e Villa-Lobos. Sua trajetória inclui apresentações em importantes palcos brasileiros e europeus, onde tem chamado atenção pela técnica sólida e pela expressividade cênica.
Saulo Javan (La Serva Padrona / La Contadina)
Baixo-barítono reconhecido como um dos principais nomes da ópera no Brasil. Já interpretou uma grande variedade de papéis em produções de compositores como Giuseppe Verdi, Wolfgang Amadeus Mozart, Gioachino Rossini, Heitor Villa-Lobos, Igor Stravinsky, Richard Strauss, Gaetano Donizetti, Giacomo Puccini e outros.
Giovanna Elias (La Serva Padrona / La Contadina)
Pianista, é bacharel em regência pela Universidade de São Paulo (USP). Com o objetivo de difundir a prática da música de concerto, fundou a SP Chamber Orchestra, que proporciona a inclusão social e a democratização do acesso à música clássica.
Mauro Wrona (La Serva Padrona / La Contadina)
Mauro Wrona é tenor, diretor cênico e regente, com mais de 50 anos de carreira. Foi artista residente no Théâtre Royal de la Monnaie, em Bruxelas, e atuou extensamente pela Europa antes de retornar ao Brasil, onde se destacou na direção de óperas e na atuação em instituições como a Cia. Brasileira de Ópera e o Theatro São Pedro-SP. Foi codiretor artístico do Festival de Ópera do Theatro da Paz. Em 2024, celebrou cinco décadas de carreira com o espetáculo 50 anos em órbita.
Gabriella Pace (A Voz Humana / Lamento d’Arianna)
Soprano brasileira, considerada uma das maiores vozes do canto lírico no país. Ao longo da sua carreira, interpretou papéis de destaque em óperas clássicas, como as protagonistas de A Menina das Nuvens (Heitor Villa-Lobos) e de Jenůfa (de Leoš Janáček); Fiordiligi em Così Fan Tutte, e Pamina em A Flauta Mágica (ambas de Mozart); Liù em Turandot (de Puccini); Titânia em Sonho de uma Noite de Verão, de Britten, dentre outros. Além da sua atuação no Brasil, Gabriella participou de festivais na Europa, consolidando-se como uma artista de reconhecimento nacional e internacional.
Vitor Philomeno (A Voz Humana / Lamento d’Arianna)
Profissional multifacetado da música erudita no Brasil — pianista, coach/vocal coach, e agente artístico. Ajuda a formar e a apoiar cantores líricos, além de participar ativamente de produções e concertos. Por causa disso, seu nome aparece em recitais, colaborações musicais e como organizador, com atuação relevante no meio da ópera.
Ira Levin (A Voz Humana / Lamento d’Arianna)
Ira Levin é um pianista, maestro e arranjador americano, formado pelo Curtis Institute sob a orientação de Jorge Bolet. Vencedor do American National Chopin Competition, construiu carreira internacional como solista e regente, atuando em teatros como a Deutsche Oper am Rhein e a Bremen Opera. No Brasil, foi diretor musical do Theatro Municipal de São Paulo e do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Também é reconhecido por suas transcrições e arranjos amplamente executados no repertório pianístico e orquestral. Nesta apresentação, tocará o piano do Poulenc, original do compositor.
Pablo Maritano (A Voz Humana / Lamento d’Arianna)
Pablo Maritano nasceu em Buenos Aires, em 1976, e formou-se em Belas Artes na Escola Superior Ernesto de la Cárcova e em Direção de Ópera no Instituto Superior de Arte do Teatro Colón. Ele é considerado um dos mais importantes diretores de cena de ópera da sua geração, reconhecido por montagens de repertório historicamente diversificado — do Barroco ao contemporâneo. Já dirigiu dezenas de produções premiadas na Argentina e também em outros países da América Latina e da Europa. Entre seus prêmios estão o Premio Konex 2019 e o Prêmio Internacional de Crítica Chileno.
PROGRAMA E SERVIÇO

Giovanni Battista Pergolesi
La Serva Padrona
Johann Adolph Hasse
La Contadina
Óperas cantadas em italiano, com legendas em português
Direção musical: Giovanna Elias
Direção cênica: Mauro Wrona
Solistas:
Carla Conttini, soprano
Saulo Javan, baixo-barítono
Récitas: 21, 22 e 23 de janeiro (de quarta a sexta), às 20h / 25 de janeiro (domingo), às 18h
Onde: Teatro B32 (Av. Brig. Faria Lima, 3.732, Itaim Bibi, São Paulo / 490 lugares)
Ingressos: entre R$ 30 e R$ 150
Vendas online: https://teatrob32.byinti.com
Bilheteria: de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, e 1h antes de cada evento
Duração: 120 minutos
Recomendação: livre
Acessibilidade: sim
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Claudio Monteverdi
Lamento d’Arianna
Francis Poulenc
A Voz Humana
Óperas cantadas, respectivamente, em italiano e em francês, com legendas em português
Direção musical: Ira Levin
Direção cênica: Pablo Maritano
Contínuo: Vitor Philomeno
Solista:
Gabriella Pace, soprano
Récitas: 31 de janeiro (sábado), às 20h / 1º de fevereiro (domingo), às 18h
Onde: Teatro B32 (Av. Brig. Faria Lima, 3.732, Itaim Bibi, São Paulo / 490 lugares)
Ingressos: entre R$ 30 e R$ 150
Vendas online: https://teatrob32.byinti.com
Bilheteria: de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, e 1h antes de cada evento
Duração: 80 minutos
Recomendação: 16 anos
Acessibilidade: sim
Imagens: divulgação.







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