Janeiro no TMSP

A abertura da Temporada 2026 do Theatro Municipal de São Paulo acontece agora em janeiro com o concerto Floresta Brasileira, nos dias 23 (sexta-feira, às 20h), 24 (sábado, às 17h) e 25 (domingo, às 11h), na Sala de Espetáculos. Sob a regência de Priscila Bomfim, a Orquestra Sinfônica Municipal se apresenta ao lado do Coro Lírico Municipal e do Coral Paulistano, com participação do pianista Hércules Gomes. O concerto marca também as celebrações do aniversário da cidade de São Paulo.

O repertório celebra a exuberância da natureza brasileira, passando por Da Terra, de Cibelle Donza, obra inspirada na sonoridade da Floresta Amazônica, o Concerto para Piano nº 2 em Formas Brasileiras, de Hekel Tavares, o Maracatu de Chico Rei, de Francisco Mignone, e o emblemático Choros nº 10, Rasga o Coração, de Heitor Villa-Lobos, que encerra o concerto. Os ingressos custam R$ 100, a classificação é livre, e a duração, de 100 minutos, com intervalo.

Ainda no domingo, dia 25, às 17h, a Orquestra Experimental de Repertório apresenta Mitos Sonoros, na Sala de Espetáculos, com regência de Wagner Polistchuk. O concerto reúne obras que dialogam com mitos, rituais e paisagens simbólicas da América Latina, incluindo Fanfarra Sul-Americana, de Gilson Santos, Abertura Brasil 2018, de Dimitri Cervo, Nhanderú, de Clarice Assad, Uirapuru, de Villa-Lobos e a Sinfonia dos Orixás: Suíte, de José Antônio de Almeida Prado. A apresentação tem ingressos gratuitos, classificação livre e duração de 60 minutos, sem intervalo.

Nos dias 30 (sexta-feira, às 20h) e 31 (sábado, às 17h), a Orquestra Sinfônica Municipal apresenta, na Sala de Espetáculos, o concerto Perspectivas Inesperadas, sob a regência de Roberto Minczuk e com a participação do percussionista Thiago Lamattina. O repertório terá a Abertura Trágica, de Johannes Brahms, o Concerto para Percussão e Orquestra, de Chen Yi, e a Sinfonia Doméstica, de Richard Strauss, obra que retrata um dia na vida familiar do compositor e é dedicada à sua esposa. Os ingressos custam R$ 100, a classificação é livre, e a duração prevista é de 95 minutos, com intervalo.


A partir do questionamento: “o que deixamos para trás quando o mundo, como o conhecemos, colapsa?”, a Temporada 2026 do Theatro Municipal de São Paulo se propõe a pensar um legado. Enquanto a temporada de 2025 consolidava mudanças e tornava a programação da casa naturalmente diversa, multifacetada, inventiva e plural, a nova temporada se propõe a aprofundar essa jornada, convidando o público a uma reflexão profunda sobre a condição humana e sobre o que deixaremos para as futuras gerações.

De toda a programação, os principais destaques, claro, são as óperas. Dando início à temporada de óperas, nos dias 27 e 28 de fevereiro, e 1º, 03, 04, 06 e 07 de março, o TMSP apresenta a remontagem de um grande sucesso da temporada 2022, O Amor das Três Laranjas, de Sergei Prokofiev, com libreto baseado na peça teatral L’Amore delle Tre Melarance, de Carlo Gozzi. A montagem concebida por Luiz Carlos Vasconcelos terá agora direção cênica de Ronaldo Zero

O enredo da ópera flerta com o surrealismo fantástico numa tentativa de modernizar a Commedia dell’Arte, e narra a saga de um rei para curar a melancolia do seu filho. Para isso, convoca uma série de entretenimentos não sem o antagonismo de personagens típicos dos contos de fadas. A musicalidade, espirituosa e inventiva, transita entre os limites da música russa e a tradição romântica.

A segunda ópera da temporada será Intolleranza, com música e libreto de Luigi Nono, a partir de uma ideia de Angelo Maria Ripellino. Será apresentada nos dias 29, 30 e 31 de maio e ainda em 02, 03, 05 e 06 de junho. Caracterizada pelo seu autor como uma azione scenica (ação cênica), a obra conta a história de um trabalhador migrante que é preso e levado a um campo de concentração. A concepção e direção cênica ficará a cargo de dois grandes nomes da arte contemporânea brasileira: Nuno Ramos e Eduardo Climachauska.

Intolleranza é uma criação de vanguarda, especialmente pelo uso de técnicas experimentais como imagens projetadas, texto, filme e sons eletrônicos. Uma ópera pouco conhecida do público brasileiro, muito ousada e importante para a renovação da criação artística no século XX. Em 2026, o palco do Theatro Municipal de São Paulo a receberá pela primeira vez na América Latina.

Em seguida, será apresentada Tristão e Isolda, de Richard Wagner, nos dias 22, 26, 29 e 31 de julho e também em 02 de agosto. Descrita pelo próprio Wagner como o trabalho mais audacioso da sua vida, Tristão e Isolda expande o tonalismo e a harmonia convencional introduzindo recursos orquestrais que caracterizam a obra do compositor. A montagem marca o retorno da diretora Daniela Thomas ao palco do Theatro Municipal de São Paulo, e terá como protagonistas o tenor Simon O’Neill e a soprano Annemarie Kremer.

Baseada na versão de Gottfried von Strassburg de um dos mais icônicos mitos da literatura medieval e na filosofia de Arthur Schopenhauer, a ópera traz a relação que nasce a partir de uma poção de amor ingerida acidentalmente. Este feitiço só se desfaz quando o Rei Marke, tio de Tristão e marido de Isolda, descobre o relacionamento proibido.

Ainda no repertório de grandes clássicos incontornáveis, nos dias 18, 19, 20, 22, 23, 25 e 26 de setembro, o TMSP apresenta Don Carlo, ópera de Giuseppe Verdi, com libreto de Joseph Méry e Camille du Locle, em versão italiana. Após vinte anos sem ser apresentada no Brasil, Don Carlo retorna ao palco do Municipal em grande elenco: o tenor brasileiro Atalla Ayan, assume o papel-título; o baixo Luiz-Ottavio Faria, consagrado por interpretar o Grande Inquisidor, estreia no papel de Filipe II; e a celebrada soprano Ailyn Pérez faz a sua primeira ópera completa no Brasil. A encenação e a iluminação serão de Caetano Vilela, encenador destacado de ópera que já realizou dezenas de produções em importantes teatros no Brasil e no exterior. Dentre as óperas que dirigiu, destacam–se A Queda da Casa de Usher, de Phillip Glass (2005), Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk, de Shostakovich (2007), Ariadne em Naxos, de Richard Strauss (2008).

Nesta obra, estreada mundialmente em 1867, Verdi destaca a tensa trama amorosa, um triângulo um tanto incestuoso, numa narrativa estruturada em torno de três grandes eixos temáticos: o conflito entre Estado e Igreja, o embate entre pai e filho, e o contraste entre duas visões de mundo, simbolizado pela oposição entre o idealismo liberal do Marquês de Posa, defensor da autonomia dos povos, e a figura autoritária de Filipe II, representante do absolutismo monárquico.

Já a dobradinha escolhida para a Temporada 2026, nos dias 30 e 31 de outubro e 1º, 03, 04, 06 e 07 de novembro, conta com dois compositores da música moderna cujas trajetórias se cruzam: a curitibana Jocy de Oliveira e o russo Igor Stravinsky. Os dois artistas trabalharam juntos e foram contemporâneos, sendo o compositor russo fonte de grande influência para um dos maiores nomes da música brasileira. A direção cênica de Realejo, a nova composição de Jocy, ficará a cargo da diretora piauiense Ana Vanessa, enquanto Georgette Fadel assume Édipo Rei, do mestre russo, ambas fazendo as suas estreias como diretoras cênicas no palco do Municipal.

Celebrando os 90 anos da artista, o TMSP encomendou a Jocy uma nova ópera. Com sua extensa produção como compositora, escritora, pianista e artista multimídia, ela foi pioneira da música eletroacústica no Brasil, compôs onze óperas, incluindo Fata Morgana, a primeira ópera composta por uma mulher a ser encenada no Theatro Municipal de São Paulo. Ao lado da nova obra de Jocy, será apresentada a ópera-oratório Édipo Rei, de Igor Stravinsky, estreada em 1927 em Paris. Esta ópera faz parte do chamado período neoclássico do compositor russo, e nasce da sua parceria com um dos maiores nomes do teatro francês do século XX, Jean Cocteau, importante nome do Surrealismo e do teatro do absurdo.

Por fim, o Theatro Municipal de São Paulo encerra a temporada com Andrea Chénier, a grande ópera em quatro atos do compositor Umberto Giordano, com libreto italiano de Luigi Illica, nos dias 27, 28 e 29 de novembro e 1º, 02, 04 e 05 de dezembro. A ópera é baseada na vida do poeta francês André Chénier, que foi executado durante a Revolução Francesa.

O libreto gira em torno do amor entre Andrea e Maddalena, e do caos político e social com características essenciais do Verismo então em voga. A ópera foi escrita em quatro quadros em 1896, e estreou em sucesso triunfal no Teatro Alla Scala, de Milão. Essa montagem será responsabilidade da dupla Caio Araujo, carnavalesco da Mocidade Alegre, e Carla Camurati, consagrada diretora de ópera, cineasta, roteirista, produtora cultural e atriz brasileira.


Foto: Rafael Salvador.