Laura Verrecchia: “Rossini é o meu pai; Bellini e Verdi, os meus amantes”

A mezzosoprano italiana está em São Paulo para participar da Gala de Ópera Italiana hoje, às 17h, no TMSP.

Hoje, às 17h, no Theatro Municipal de São Paulo, com ingressos distribuídos gratuitamente a partir das 15h, a jovem mezzosoprano Laura Verrecchia, um talento em ascensão na itália, irá se apresentar no Brasil pela primeira vez. Para ela, é uma dupla estreia, visto que é, também, a primeira vez que divide o palco com o já consagrado barítono Simone Piazzola. Eles participarão, ao lado da soprano Greta Cipriani e de Daniel Gonçalves, que os acompanhará ao piano, da Gala de Ópera Italiana — parte da Série Grandes Vozes da Cia Ópera São Paulo, que está completando 35 anos.

A ópera está no sangue de Laura Verrecchia. “Sou parente de Mario Lanza, o tenor”, revela. Na comuna de Filignano, em Molise, no sul da Itália, terra de origem da família de Lanza, é realizado, anualmente, desde 1990, um festival em homenagem ao tenor. “Quando eu era criança, me levavam ao festival”, conta a mezzo, “e eu via os filmes de Mario Lanza que projetavam e os concertos e óperas que montavam”. Isso fez despertar nela “um fogo”. Aos oito anos, começou a estudar piano, depois dança, teatro de prosa e, aos doze anos, o canto em um coro de vozes brancas. Aos 16 anos iniciou os estudos de canto lírico em Molise.

Dentre os muitos professores que teve, Verrecchia apontou como os principais Antonella Sdoia, corista do Teatro di San Carlo, de Nápoles, o baixo-barítono Luciano di Pasquale e as sopranos Katia Ricciarelli, Daniela Dessì e Donatella Debolini. Foi sob a orientação de Debolini, com quem estuda até hoje, que Verrecchia se formou, em 2015, no Conservatório ‘Luigi Cherubini’, em Florença.

Verrecchia em L’Italiana in Algeri, na Ópera de Roma, em junho de 2025. (Foto: Marco Impallomeni)

Seu primeiro papel importante foi Rosina, em Il Barbiere di Siviglia, de Rossini, em 2015, em Livorno. “Foi o papel que mais cantei durante esses dez anos de carreira”, revela Verrecchia: “fiz oitenta récitas”. Ela também interpretou várias vezes Isabella em L’Italiana in Algeri — papel com o qual estreou, em junho, na Ópera de Roma — e Angelina em La Cenerentola. “Eu fiz muito Rossini, mas a minha voz começou a caminhar para um repertório mais spinto. Então, há dois anos, debutei como Eboli em Don Carlo”.

Laura Verrecchia também atuou em óperas de Donizetti (Seymour em Anna Bolena, e Orsini em Lucrezia Borgia) e Bellini, autor do seu papel favorito: Romeo em I Capuleti e i Montecchi. “Que papel! Belíssimo!”

“Rossini é o meu pai; Bellini e Verdi são os meus amantes”, afirma Verrecchia, dividindo em duas categorias os seus compositores preferidos. Evidentemente, a brincadeira da mezzosoprano está relacionada ao estilo de cada compositor, à forma de interpretá-los, ao quão bem Rossini faz para refinar o canto no início de uma carreira e à maior intensidade dramática de Bellini e de Verdi.

“São dois modos diferentes de cantar. Rossini é mais concentrado e muito difícil, porque se você não dosar bem a voz, não consegue seguir adiante, não consegue cantar. Deve ser tudo muito controlado. Por isso, como Mozart, Rossini faz bem para os jovens, para quem está começando, porque faz com que direcionem a voz, coloquem a voz no lugar certo, sem forçar muito. Os outros compositores nos dão uma liberdade, que é aquela de abrir a voz, de deixar brotar também a emoção, mas isso é perigoso se [o cantor] for jovem, porque ele deve saber primeiro direcionar a voz. São duas vozes diferentes, duas empostações diferentes de voz”.

Dentre os papéis que deseja interpretar, está o de Santuzza, em Cavalleria Rusticana, de Mascagni. “Foi o primeiro papel que estudei quando jovem. Um erro, porque eu era muito jovem. Agora estou entrando na idade certa para cantar papéis mais importantes do ponto de vista vocal, mais desafiadores, mais difíceis tanto do ponto de vista emotivo quanto orquestral. Esses papéis forçam um pouco a voz, então, se você ainda não domina a voz com Rossini, Donizetti, Bellini e Mozart, não pode fazê-los”.

Daqui a pouco teremos a oportunidade de ouvir a voz quente, intensa de Laura Verrecchia na Gala de Ópera Italiana, no Theatro Municipal.


Foto principal: Michele Monasta.


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2 comentários

  1. Muito interessante as entrevistas de Simone e de Laura. Nos trazem dimensões sonoras dos intérpretes. O esplendor do bem canto italiano, tão caro aos amantes de ópera como eu. O espetáculo promete

  2. Entrevistas maravilhosas para nós preparar para a Gala de hoje a noite.
    Gala belíssima Parabéns aos interpretes e aos organizadores!

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