Municipal de São Paulo apresenta a ópera “Les Indes Galantes”, de Rameau

Em uma fusão ousada entre tradição e contemporaneidade, o Theatro Municipal de São Paulo apresenta a ópera Les Indes Galantes, de Jean-Philippe Rameau, com libreto de Louis Fuzelier, na reta final da sua temporada lírica de 2025. A montagem integra a Temporada França-Brasil 2025, celebrando o Ano Cultural que aproxima as culturas dos dois países. O espetáculo será apresentado nos dias: 26 e 27 de novembro, às 20h; 29 e 30 de novembro, às 17h; e 02, 03 e 04 de dezembro, às 20h. Os ingressos variam entre R$ 39 e R$ 252.

A concepção cênica e coreográfica será da Bintou Dembélé, dançarina e coreógrafa reconhecida como uma das figuras pioneiras da dança Hip hop na França, que cria um diálogo entre as camadas históricas da obra e as expressões das ruas. A direção musical é do maestro suíço-argentino Leonardo García-Alarcón, à frente dos músicos da Cappella Mediterrânea, um dos conjuntos barrocos mais respeitados da atualidade. O Coral Paulistano, sob a preparação de Maíra Ferreira, compõe o elenco vocal. A apresentação conta com a participação de artistas da Structure Rualité, coralistas do Choeur de Chambre de Namur e de bailarinos e músicos brasileiros convidados.

A cenografia e design de luz ficará a cargo de Benjamin Nesme, e os figurinos são assinados pela francesa Charlotte Coffinet e pela brasileira Laura Françozo. O elenco conta com Laurène Paternò (como Amour, Phani, Fatime e Zima), Ana Quintans (como Hébé, Émilie e Zaïre), Mathias Vidal (como Valère, Don Carlos, Tacmas e Damon) e Andreas Wolf (como Bellone, Osman, Huascar, Ali, Don Alvaro e Adario).

Obra-prima do iluminismo francês, Les Indes Galantes teve estreia pela Académie Royale de Musique, atual Ópera de Paris, em 1735, e é considerada uma ópera-balé, gênero que combina drama lírico, música e dança. O libreto de Louis Fuzelier costura distintas histórias de amor ambientadas em “locais exóticos” para a França daquele período, que divide a obra em quatro partes: O Turco Generoso, Os Incas do Peru, As Flores da Pérsia e Os Selvagens da América do Norte.

Apesar de sua importância histórica, a obra dificilmente é encenada, o que torna esta apresentação uma ocasião rara de apreciação. A montagem que será apresentada no TMSP reunirá artistas brasileiros e franceses em uma releitura que insere elementos da cultura urbana contemporânea, em especial, a dança de rua e o hip hop, no contexto musical barroco.

Para a superintendente geral do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, Andrea Caruso Saturnino, a ópera será um dos pontos culminantes tanto da temporada lírica do Municipal, quanto para as trocas culturais entre os dois países. “Após um ano repleto de entusiasmo, elaboração de novos paradigmas críticos e intercâmbios entre Brasil e França, marcado também pelo concerto ‘Bizet e Seus Contemporâneos’ com participação de músicos da Academia da Ópera de Paris e da Orquestra Sinfônica Municipal, e pela muitíssimo bem sucedida turnê do Balé da Cidade na França, temos a alegria de apresentar ao público mais uma obra pouco executada no Brasil – ‘Les Indes Galantes’, de Rameau, com a genial direção cênica de Bintou Dembelé, mesclando Barroco e urbano, com o nítido intuito de acrescentar novas camadas de leitura à ópera”, explica.

Nesse sentido, é central o olhar crítico para a obra original feita com Bintou. “’Les Indes Galantes’ poderia ser resumida por esta citação do French Directory: ‘são jovens dançando sobre um vulcão em erupção’. Esse vulcão é muito real e ameaça entrar em erupção a qualquer momento. O que talvez parecesse como desentendidos ou um entretenimento inocente evoluiu, ao longo da história, para uma situação geopolítica séria, complexa e explosiva. De certa forma, ‘Les Indes Galantes’ já continha as sementes do nosso mundo atual”, define a diretora cênica da ópera.

Depois de dançar por mais de trinta anos no mundo do Hip Hop, Dembélé é diretora artística da sua própria companhia de dança, Rualité, desde 2002. Seu trabalho explora a questão da memória do corpo através dos prismas da história colonial e pós-colonial francesa, que será a abordagem central para Les Indes Galantes. “Todos somos o ‘selvagem’ de alguém; uma vez que tomamos consciência disso, a desconstrução desse mecanismo pode começar”, completa.

Do ponto de vista musical, por se tratar de uma obra barroca, Les Indes Galantes percebe que, em toda emoção humana, há uma assimetria de ritmo. “Emoções extremas como amor, ódio, raiva e o medo da morte ou do abandono desafiam qualquer tentativa de quantificação, transcendendo os limites do tempo mensurável”, pontua Leonardo García-Alarcón, diretor musical do espetáculo.

García-Alarcón é um maestro suíço-argentino especializado em música barroca. Estudou cravo e órgão e foi assistente de Gabriel Garrido por vários anos, antes de fundar o conjunto Cappella Mediterranea, com o qual se apresentou em diversos festivais, em especial no Festival d’Ambronay. “A ópera, em sua essência, representa um esforço utópico de harmonizar o ritmo da música e da dança com o ritmo indizível e profundamente humano de nossas emoções”, finaliza.


Les Indes Galantes
Ópera de Jean-Philippe Rameau

Cappella Mediterranea *
Structure Rualité *
Choeur de Chambre de Namur
Coral Paulistano

* Com a participação de bailarinos e músicos brasileiros convidados

Direção musical e regência: Leonardo García-Alarcón
Direção cênica e coreografia: Bintou Dembélé
Cenografia e design de luz: Benjamin Nesme
Figurinos: Charlotte Coffinet e Laura Françozo

Elenco:
Laurène Paternò: Amour, Phani, Fatime e Zima
Ana Quintans: Hébé, Émilie, Zaïre
Mathias Vidal: Valère, Don Carlos, Tacmas, Damon
Andreas Wolf: Bellone, Osman, Huascar, Ali, Don Alvar, Adario

Programação integrante da Temporada do Ano Cultural França-Brasil 2025.


Récitas: 26 e 27 de novembro, e 02, 03 e 04 de dezembro, às 20h / 29 e 30 de novembro, às 17h
Onde: Theatro Municipal de São Paulo
Ingressos: de R$ 39 a R$ 252 (inteira)
Duração estimada: 150 minutos (com intervalo)
Classificação indicativa: livre para todos os públicos

Organização: Embaixada da França no Brasil, Institut Français, Instituto Guimarães Rosa
Correalização: Cappella Mediterrânea.


Fotos: Rafael Salvador.

Fotos atualizadas em 25/11/2025.


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