Municipal de SP abre a sua Temporada Lírica com “O Amor das Três Laranjas”

Ópera de Prokofiev, apresentada originalmente em 2022 com concepção de Luiz Carlos Vasconcelos, ganha remontagem com direção de Ronaldo Zero.

Destaque da temporada 2022 do Theatro Municipal de São Paulo, a ópera O Amor das Três Laranjas (L’Amour des Trois Oranges), de Sergei Prokofiev, volta ao palco da casa no dia 27 de fevereiro, sexta-feira, às 20h. A remontagem marca a abertura da Temporada Lírica 2026 do TMSP, com récitas ainda às 17h (sábados e domingos) e às 20h (terças, quartas e sextas-feiras).

O espetáculo, concebido e dirigido originalmente pelo ator e encenador Luiz Carlos Vasconcelos, contará com direção cênica de Ronaldo Zero e com direção musical de Roberto Minczuk.

Essa divertida ópera de Prokofiev possui uma trama cômica e de origem bastante complexa, trazendo um conto do século XVII originalmente escrito por Giambattista Basile (com adaptação de Carlo Gozzi para a linguagem teatral, um século depois). O libreto de L’Amour des Trois Oranges foi escrito originalmente em russo pelo próprio compositor, sendo depois traduzido ao francês por Aleksei Stahl e por Vera Janacópulos (soprano brasileira de primeira importância em sua época por divulgar na Europa nomes como o de Villa-Lobos).

De acordo com Andrea Caruso Saturnino, diretora geral do Complexo Theatro Municipal, “é muito importante que uma casa de ópera como o Theatro Municipal de São Paulo seja capaz de remontar os sucessos de temporadas anteriores. Além de aproveitarmos grande parte do que já integra o nosso acervo, as remontagens conferem sobrevida às concepções artísticas e permitem que as obras tenham uma segunda oportunidade de encontro com o público”.

Os fãs do Realismo fantástico devem se divertir com a narrativa, que conta a saga de um Rei para curar a melancolia do seu filho. Com esse objetivo, ele convoca uma série de atividades para entretê-lo, apresentadas por personagens oriundos da Commedia dell’Arte, magos, bruxas e uma musicalidade radiante entre a tradição russa e a tradição romântica.

Segundo o diretor cênico, Ronaldo Zero, a montagem se trata menos de refazer e mais de reativar. “Um dos eixos centrais da obra é a chamada “guerra de linguagens”: a disputa entre Trágicos, Cômicos, Alienados e Românticos pelo controle da narrativa. O grande desafio em 2026 é manter a montagem viva, fresca e pulsante em um mundo onde tudo se torna obsoleto muito rapidamente. Ao mesmo tempo, há o prazer de retornar a uma montagem que conheço profundamente, que ajudei a construir e que continua oferecendo novas camadas de leitura. ‘O Amor das Três Laranjas’ segue atual justamente porque se recusa a ser estável”, explica.

Para o maestro Roberto Minczuk, que assina a direção musical do espetáculo, a orquestra tem um papel protagonista nesta ópera. “A escrita de Prokofiev, considerado um gênio da criatividade e da instrumentação, é sempre a de uma composição que narra a história em seus mínimos detalhes. ‘O Amor das Três Laranjas’ é tão sinfônica, que a parte mais memorável, a que mais se conhece, não é nenhuma grande ária ou grande coro, como costuma acontecer, e sim a famosa marcha sinfônica, o tema mais conhecido de toda ópera, que é puramente sinfônico e instrumental”, conclui.


O Amor das Três Laranjas
Ópera em prólogo e quatro atos com música e libreto (em russo) de Sergei Prokofiev (libreto traduzido para o francês por Aleksei Stahl e pela soprano brasileira Vera Janacópulos)

Orquestra Sinfônica Municipal
Coro Lírico Municipal

Direção musical: Roberto Minczuk
Concepção: Luiz Carlos Vasconcelos
Direção cênica: Ronaldo Zero
Direção de arte, figurinos e cenografia: Simone Mina e Carolina Bertier
Iluminação: Wagner Pinto e Carina Tavares
Caracterização: Westerley Dornellas

Elenco
O Rei de Paus: Valeriano Lanchas
O Príncipe: Giovanni Tristacci
A Princesa Clarice: Lídia Schäffer
Leandro: Johnny França
Truffaldino: Mikael Coutinho
Pantaleão: Santiago Villalba
O Mago Célio: Fellipe Oliveira
Fada Morgana: Gabriella Pace
Ninete: Raquel Paulin
Nicolete: Keila de Moraes
Linete: Nathalia Serrano
A Cozinheira: Gustavo Lassen
Farfarelo: Daniel Lee
Esmeraldina: Sarah Migliori
O Mestre de Cerimônias: Vitorio Scarpi
O Arauto: Orlando Marcos

Elenco de apoio: Abyara Santoro, Ana Carolina Yamamoto, Dora Cestari, Francisco Lcl Rolim, Giovana Echeverria, João Monteiro, Ju Soveral, Lacava di Castro, Lena Santos, Mirtes Ladeira, Nill de Pádua, Pexera, Raíssa Guimarães, Ricardo Aires


Récitas: 27 de fevereiro (sexta-feira), 03 (terça), 04 (quarta) e 06 (sexta) de março, às 20h / 28 de fevereiro (sábado), 1º (domingo) e 07 (sábado) de março, às 17h
Onde: Theatro Municipal de São Paulo
Ingressos: de R$ 47 a R$ 290 (inteira)
Duração: aproximadamente 2h15 (com intervalo)
Classificação: espetáculo não recomendado para menores de 12 anos (pode conter histórias de agressão física, insinuação de consumo de drogas e insinuação leve de sexo)


Fotos: Rafael Salvador.