A Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem retorna à Sala Cecília Meireles no dia 18 de outubro, às 17h, para mais uma apresentação da Temporada Diversidade, desta vez com o Concerto Memória. Sob a batuta de Daniel Guedes, o repertório contempla obras de Paulo Jobim, Wolfgang Amadeus Mozart, Joseph Haydn e Harold Perry.
No famoso livro Metamorfoses, Ovídio nos narra a história de Siringe. Desesperada, fugindo da perseguição de Pã, a ninfa roga aos deuses que a protejam e é então transformada em um caniço. Espantado, o fauno toma o osso seco nas mãos, leva-o aos lábios e o sopra, criando assim a flauta que carregaria o seu nome. Em suas muitas camadas de significação, o mito oferece uma concepção bastante poética de música: uma forma de trazer ao presente aquilo que já não está, igualando-a à própria ideia de memória. É no limiar misterioso entre a arte dos sons e arte de recordar, duas atividades que se dão no plano do tempo, que este concerto se desenrola. Nele, o violinista e regente Daniel Guedes se junta à Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem para apresentar obras escritas em um amplo intervalo temporal.
Para abrir o concerto, a orquestra escolheu uma obra de Paulo Jobim, falecido em 2022. Primogênito de Tom, o arquiteto, compositor, cantor e instrumentista tinha respeito e fascínio pela natureza, conforme é possível verificar na chorosa Onça e Passarinhos, inspirada em lendas indígenas. A beleza da melodia é amparada por um tratamento orquestral sensível, com destaque sobretudo para as cordas.
Na sequência, o programa traz obras de Joseph Haydn. “Papa Haydn”, como também era chamado, foi um dos nomes mais importantes da música ocidental, responsável por dar forma a muitas das estruturas que definiram o estilo clássico, como a sinfonia e o quarteto de cordas. A primeira obra a ser apresentada é a Sinfonia nº 94, que ganhou o apelido “Surpresa”, graças à presença de um acorde estrondoso em um momento inesperado da obra (não mencionado aqui para evitar spoilers). Escrita na maturidade estilística do compositor, a sinfonia guarda os principais traços pelos quais Haydn é conhecido: sobriedade formal, inventividade temática e um espírito lúdico que combina elegância e senso de humor em doses precisas. Em seguida, será apresentado o Divertimento em Si Bemol, em arranjo de H. Perry. A obra tem todo o frescor e despojamento do gênero e inclui o famoso Chorale St. Antoni (segundo movimento).
O programa se encerra com o Concerto para Violino nº 5, “Turco”, de Wolfgang Amadeus Mozart, no qual Daniel Guedes assume a posição de solista. O compositor era ainda um adolescente quando escreveu os seus cinco ensaios para o instrumento e o último deles representa o ponto culminante da sua evolução no gênero. Se nos quatro primeiros havia ainda certos traços barrocos e rococós, no quinto predomina uma linguagem musical mais experimental, com flutuações de andamento e variedade métrica. No primeiro movimento, Allegro Aperto, o solista faz uma entrada surpreendente, em um andamento diferente daquele iniciado pela orquestra, mudando a atmosfera em absoluto. O Adagio, por sua vez, foi escrito numa forma ABA contrastante e conta com melodias expansivas e uma seção mais melancólica. É no Rondeau que o caráter “turco” do concerto fica evidente. Mozart lança mão aqui de uma marcha apaixonada, com ritmos marcados, articulações percussivas e efeitos sonoros que remontam a um exotismo que os europeus associavam ao Império Otomano.
PROGRAMA
Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem
Concerto Memória
Daniel Guedes, regência
Paulo Jobim
Onça e Passarinhos
Joseph Haydn
Sinfonia nº 94
Joseph Haydn / Harold Perry
Divertimento em Si Bemol
Wolfgang Amadeus Mozart
Concerto para Violino nº 5
SERVIÇO
Quando: 18 de outubro, sábado, às 17h
Onde: Sala Cecília Meireles (R. da Lapa, 47, Lapa, Rio de Janeiro)
Ingressos: R$ 10,00 (R$ 5,00 meia)
Foto: Renato Mangolin.






