Ópera Italiana traz a nostalgia de volta a São Paulo

40 anos de carreira, 35 anos de Cia Ópera São Paulo e mais de 2.000 espetáculos.

Esse é o retrato da trajetória artística de Paulo Esper, um dos maiores apaixonados e conhecedores de ópera que já conheci. Acompanho o seu trabalho há muitos anos, não apenas em São Paulo, mas também no interior e em produções mundo afora. Tive, inclusive, o privilégio de trabalhar com ele como cantor em diversos projetos na capital e iniciar a minha carreira de produtor sob a chancela e supervisão dele.

Paulo é incansável e uma fortaleza quando falamos sobre ópera no estado de São Paulo. Ano após ano, ele batalha para manter as suas produções vivas, sempre em busca de apoios governamentais e privados, mas sem nunca deixar de nos surpreender a cada temporada com iniciativas ousadas e inovadoras.

Na semana passada, São Paulo foi tomada pela magia da ópera italiana — frase que, aliás, dá nome a um dos seus espetáculos. No dia 24 de agosto, o tradicional e querido Theatro Municipal recebeu uma Gala de Ópera Italiana com casa cheia, apresentando três solistas de destaque acompanhados pelo talentoso pianista Daniel Gonçalves.

O barítono Simone Piazzola, já conhecido na cidade por sua atuação há alguns anos em La Bohème, reafirmou o seu lugar entre os grandes cantores da sua geração, arrebatando o público com interpretações arrepiantes de passagens de Don Carlo e Andrea Chénier. A mezzosoprano Laura Verrecchia, uma das vozes mais conceituadas da Itália, brilhou em um repertório que transitou de Rossini a Verdi com absoluta maestria. Já a jovem soprano Greta Cipriani emocionou a plateia com um Vissi d’arte impecável, conquistando aplausos entusiasmados. O evento, uma parceria com a Sustenidos, foi um triunfo absoluto.

No Teatro Sérgio Cardoso, no coração do Bixiga, a emoção continuou com a Trilogia Verdiana — um espetáculo que reuniu os finais de três das óperas mais icônicas de Giuseppe Verdi: Il Trovatore, Rigoletto e La Traviata. Um elenco de talentosos cantores brasileiros, acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Santo André, sob a regência de Abel Rocha, e com cenografia de Giorgia Massetani e direção cênica de Davide Garattini Raimondi, ofereceu ao público momentos de arrebatamento, nostalgia e alegria. Foi uma oportunidade de descobrir novas vozes e rever talentos que mereciam estar mais presentes nas temporadas líricas de São Paulo.

Ambas as iniciativas foram promovidas pelo Consulado Geral da Itália em São Paulo e pelo Instituto Italiano di Cultura San Paolo, sendo a Trilogia Verdiana com o apoio fundamental da APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte, responsável pela gestão do Teatro Sérgio Cardoso. As instituições trabalham juntas no projeto A Caminho do Interior, levando a ópera a diversas cidades do estado.

São projetos como esses que mantêm viva a tradição da ópera em nosso país, celebrando o legado de artistas como Paulo Esper, que há décadas dedica a sua vida a encantar plateias e fortalecer a cultura lírica.

Viva a ópera!
Viva a Cultura!

Nathália Serrano, Joyce Martins, Richard Bauer, Ariel Bernardi, Vinicius Atique, Paulo Esper, Abel Rocha, Davide Garattini Raimondi, Thayana Roverso, Daniel Umbelino, Anita Andreotti, Rodolfo Giugliani, Raquel Paulin, Alan Faria e Gianlucca Braghin (foto: Adriano Escanhuela)

Foto principal: Rafael Salvador (na foto, Simone Piazzola).

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2 comentários

  1. Bons comentários. Acharia interessante uma avaliação um pouco mais pormenorizada dos artistas.

  2. Olá, Laércio, tudo bem? Este texto do Thiago Torres não se trata de uma crítica, mas sim de um artigo, por isso não faz uma análise pormenorizada das apresentações citadas.

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