A Orquestra Sinfônica Brasileira dá destaque aos metais e à percussão nos próximos concertos da Série Músicos da OSB, nos dias 12 e 13 de julho, no palco da Sala Cecília Meireles. Obras de Giovanni Gabrieli, Johann Sebastian Bach, Henri Tomasi e George Gershwin compõem o programa. Marcos Sadao assume a regência das apresentações.
A Sonata pian’ e forte do compositor Giovanni Gabrieli foi uma das primeiras obras do repertório europeu a especificar para o intérprete indicações precisas de dinâmica. Publicada em 1597, como movimento de uma ambiciosa coletânea musical do autor, a peça se tornou a mais conhecida do veneziano, cujo enorme talento e engenhosidade também se atestam no âmbito da música vocal. A Sonata, que será ouvida neste concerto em arranjo de Daniel Havens, conta com uma harmonização expressiva, que dá sustentação a uma melodia de natureza melancólica. Mais do que mera ferramenta de contraste, as dinâmicas exercem aqui um papel expressivo, articulando a composição de forma criativa.
O programa segue com o Concerto de Brandemburgo nº 3, de Johann Sebastian Bach, em arranjo vibrante de Christopher Mowat. Ao lado das outras cinco obras do ciclo ao qual pertence, a composição é tida como um dos exemplos grandiosos do concerto barroco, não apenas pela alternância entre solista(s) e conjunto, mas também pelo manejo engenhoso da forma. São três movimentos: o primeiro, sem indicação de andamento, tem início de forma enérgica e conta com uma figuração rítmica que passeia pelos agrupamentos de instrumentos; o adágio, por sua vez, configura uma das páginas mais misteriosas de Bach: são apenas dois acordes, contidos em um único compasso, servindo de ponte misteriosa para o finale dinâmico e cintilante.
O tour de force do programa é, sem dúvida, as Fanfares Liturgiques, do compositor francês Henri Tomasi. Escritas originalmente como parte de sua ópera Don Juan de Mañara, essas peças foram posteriormente reunidas em um conjunto coeso que configura um arco poderoso: uma verdadeira sinfonia para metais e percussão. O primeiro movimento, “Anunciação”, se impõe com um gesto inicial intenso, abrindo espaço para uma seção central de atmosfera sombria e misteriosa. Em seguida, entra em cena o grandioso “Evangelho”, que conta com um recitativo de trombone de caráter majestoso. “Apocalipse”, terceiro movimento, traz a sensação do galope implacável dos cavaleiros do fim dos tempos, enquanto o finale, “Procissão de Sexta-feira Santa”, conclui o ciclo em nota de êxtase espiritual e intensidade sublime.
O contexto da criação da última obra deste programa não poderia ser mais oportuno ou mais inspirador. Em 1928, o compositor estadunidense George Gershwin embarcou com os irmãos e a cunhada para a sua quinta viagem rumo à Europa. Foi durante essa temporada, mais precisamente na França, que ele trabalhou em grande parte da obra Um Americano em Paris, que será ouvida neste concerto em arranjo de Daniel Guyot. A encomenda da peça foi feita enquanto ele ainda estava nos Estados Unidos, mas o fôlego criativo só se deu plenamente em solo francês, sob o êxtase da Cidade Luz. Na composição, o trânsito caótico, o charme das avenidas, o burburinho dos cafés e até o som das buzinas ganham vida em uma partitura vibrante, que funde elementos do jazz com a tradição sinfônica europeia.
PROGRAMA
Série Músicos da OSB – Metais e Percussão
Marcos Sadao, regência
Giovanni Gabrieli
Sonata Pian’ e Forte
Johann Sebastian Bach
Concerto de Brandemburgo nº 3
Henri Tomasi
Fanfare Liturgique
George Gershwin
An American in Paris
SERVIÇO
Quando: 12 de julho, sábado, às 19h / 13 de julho, domingo, às 11h
Onde: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47, Lapa, Rio de Janeiro)
Ingressos: R$ 40,00 (12/07) / R$ 20,00 (13/07)
Foto: Marina Andrade.






