OSB apresenta concerto da “Série Mundo Brasil” na Cidade das Artes

A música brasileira é a grande homenageada no concerto da Série Mundo Brasil que a Orquestra Sinfônica Brasileira leva ao palco da Cidade das Artes nos dias 13 e 14 de setembro. Sob a regência do maestro Miguel Campos Neto, a OSB apresentará Leito de Folhas Verdes, de José Siqueira; Raízes, de Clarice Assad – com participação do Grupo Martelo –, e Choros nº 6, de Heitor Villa-Lobos.

Miguel Campos Neto (foto: Dudu Maroja)

Leito de Folhas Verdes, obra que inaugura o programa, é assinada pelo paraibano José Siqueira, compositor de renome internacional, regente e professor, fundador da OSB. Grande conhecedor da cultura nacional, deixou um legado rico, que inclui desde peças para instrumentos solo até a música de câmara, sinfonias, oratórios e óperas. O poema sinfônico que abre o concerto é uma obra da maturidade, escrita em 1976, inspirado no poema de igual nome de Gonçalves Dias. Ao longo dela, Siqueira manipula os instrumentos com engenhosidade e argúcia, criando texturas que evocam diretamente o texto do poeta romântico. É o clarinete quem primeiro faz a aparição na peça, com um solo melancólico, retomando as linhas iniciais do poema, na qual o sujeito lírico lamenta a demora da figura amada. Na sequência, a orquestra faz sua entrada misteriosa, com texturas, cores e temas que traduzem o sortilégio da noite.

Grupo Martelo (foto: Ana Clara Miranda)

A segunda obra do programa é de autoria de Clarice Assad, cantora, pianista, arranjadora e uma das compositoras mais prestigiadas da atualidade. Raízes foi dedicada ao Grupo Martelo, e surgiu de uma encomenda da Orquestra Filarmônica de Goiás, da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e da Orquestra Sinfônica Brasileira. Verdadeiro concerto para quarteto de percussão e orquestra, a composição celebra a rica história e o legado cultural da comunidade brasileira, valendo-se de ritmos animados e temas bem conhecidos do repertório popular para articular o percurso da cultura nacional, desde as suas origens africanas, passando pelas tradições indígenas e influências europeias. Da floresta amazônica às cidades modernas, Raízes encena musicalmente as diversas culturas regionais do país, colocando lado a lado contribuições permanentes da cultura brasileira e preservando este importante patrimônio para as gerações futuras.

O programa se encerra com uma das partituras orquestrais mais fascinantes de Heitor Villa-Lobos: o Choros nº 6. A data da composição permanece incerta: alguns defendem 1926, ano anotado no manuscrito; outros situam a obra em 1942. Independentemente da cronologia, as páginas revelam um Villa-Lobos maduro, capaz de combinar virtuosismo composicional e sofisticação estilística. Dentro da série de Choros, este é o primeiro escrito para orquestra, sem solistas ou coro: é o próprio corpo sinfônico, reforçado por uma percussão exuberante de raízes brasileiras — cuíca, reco-reco, tambores e pandeiros — que sustenta toda a arquitetura sonora.


Orquestra Sinfônica Brasileira

Série Mundo Brasil

Miguel Campos Neto, regência

José Siqueira
Leito de Folhas Verdes

Clarice Assad
Raízes

INTERVALO

Heitor Villa-Lobos
Choros nº 6


Quando: 13 de setembro, sábado, às 19h / 14 de setembro, domingo, às 17h
Onde: Cidade das Artes | Grande Sala (Av. das Américas, 5.300, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)
Ingressos: Plateia > R$ 60 (R$ 30 meia) / Frisa > R$ 50 (R$ 25 meia) / Camarote > R$ 40 (R$ 20 meia) / Galeria > R$ 30 (R$ 15 meia) / Ingressos à venda na bilheteria da Cidade das Arte e no site Sympla


Foto principal: Marina Andrade.