OSPA faz viagem por músicas de três continentes com concerto e recital

Nos dias 07 e 08 de novembro, composições de grandes mestres da música de concerto europeia, asiática e latina são levadas ao Complexo Cultural Casa da OSPA. Na sexta-feira, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) — fundação vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac-RS) — interpreta grandes obras de Gustav e Alma Mahler, sob a regência do maestro Tobias Volkmann e com a participação da soprano Ludmilla Bauerfeldt. Também será executada uma peça de Hidemaro Konoye em homenagem aos 130 anos de Amizade Brasil-Japão. O concerto acontece na Sala Sinfônica, às 20h, e os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla, com valores entre R$ 10 e R$ 50. O concerto também terá transmissão ao vivo pelo canal da OSPA no Youtube.

No sábado, o grupo Luminescência apresenta um recital com músicas de Mozart e Piazzolla como parte da Série Música de Câmara. O evento tem entrada franca, e acontece a partir das 17h na Sala de Recitais da Casa da OSPA. As informações de cada apresentação são detalhadas a seguir.

Concerto “Gustav und Alma” — Sexta-feira, 07 de novembro, às 20h

Na sexta-feira, 07 de novembro, a OSPA apresenta o concerto Gustav und Alma. A apresentação inicia com uma homenagem aos 130 anos de Amizade Brasil-Japão por meio da interpretação da obra Etenraku, de Hidemaro Konoye (1898–1973). Baseada em uma melodia tradicional do Japão, a peça, que pode ter seu nome traduzido para Música da Alegria Celestial, foi adaptada para a forma sinfônica por Konoye como uma forma de aproximação entre a herança musical de seu país e as práticas ocidentais de concerto, como explica o diretor artístico da OSPA, Manfredo Schmiedt: “O resultado é uma obra que conecta a espiritualidade e o refinamento da cultura japonesa tradicional com a grandiosidade da orquestra ocidental, criando uma ponte entre dois mundos musicais”.

Tobias Volkmann (foto: Daryan Dornelles)

A seguir, a soprano Ludmilla Bauerfeldt interpreta as Quatro Canções para Soprano, da compositora austríaca Alma Mahler (1879–1964), junto à OSPA, sob regência de Tobias Volkmann. Com estreia em 1915, a obra teve as suas duas primeiras canções, Licht in der Nacht (Luz noturna) e Waldseligkeit (Arrebatamento da floresta), escritas em 1901, e as duas últimas, Ansturm (Tempestade) e Erntelied (Canção da colheita), em 1911. Inspiradas em poemas, as canções têm características do Romantismo e do Pós-Romantismo, como explica Ludmilla:

“Os poemas escolhidos são de autores contemporâneos à compositora e abordam temas como amor, sexualidade e misticismo, revelando sua natureza sensível e requintada”. A solista é detentora de vários prêmios nacionais e internacionais de canto, incluindo o Grand Prix Maria Callas, em Atenas. Formada na Academia do Teatro alla Scala, em Milão, protagonizou as produções Don Pasquale, de Donizetti, e La Scala di Seta, de Rossini, na Itália. No Brasil, participou da estreia nacional de Orphée, de Philip Glass, da cantata encenada Armida Abbandonata, de Händel, da montagem de Don Giovanni, de Mozart, da première mundial dos Translieder, de Flo Menezes, e da Sinfonia nº 8, de Gustav Mahler, além de montagens de óperas como L’Italiana in Algeri, de Rossini, La Traviata, de Verdi, e Rusalka, de Dvořák.

Depois do intervalo, a OSPA interpreta a Sinfonia nº 4, do também austríaco Gustav Mahler (1860–1911), novamente junto a Ludmilla. Estruturada em torno da canção Das himmlische Leben (A Vida no Céu), composta pelo autor anos antes e que aparece em sua última parte, Sehr behaglich, a obra traz temas que se repetem ao longo de seus movimentos. A base para a composição são os poemas da coletânea Des Knaben Wunderhorn (A Trompa Mágica do Menino), de Achim von Arnim (1781-1831) e Clemens Brentano (1778-1842), publicada entre 1805 e 1808, que já havia tido outros de seus poemas musicados por Mahler. “A ‘Quarta Sinfonia’ é sobre a infância, enquanto a maior parte da música de Gustav Mahler parece ser sobre questões existenciais profundas, de vida e morte. Diferentemente de outras obras do compositor, emergimos desta sinfonia em um brilho de serenidade e paz”, comenta o maestro Tobias Volkmann.

Tobias é diretor artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo, foi maestro titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e principal regente convidado da Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense. Em 2022, fundou a Orquestra Rio Villarmônica e, desde 2023, é também diretor artístico da Orquestra Sinfônica da UNCUYO, de Mendoza. Venceu prêmios na Finlândia e na Rússia, e esteve como convidado à frente de mais de 30 orquestras na Europa e na América Latina.

Como introdução às obras do concerto, o palestrante Francisco Marshall apresenta a partir das 19h, na Sala de Recitais do Complexo Cultural Casa da OSPA, a palestra Notas de Concerto. Historiador e professor da UFRGS, Francisco comenta aspectos da composição das obras e das biografias de seus compositores. Um deles é o casamento de Gustav e Alma Mahler, que permaneceram juntos entre 1902 e 1911, em uma relação conturbada, marcada pela tentativa de Gustav de impedir a então esposa de compor. A entrada na palestra está inclusa no ingresso do concerto. O encontro conta também com transmissão online pelo canal da OSPA no Youtube.

Recital Música de Câmara: Luminescência — Sábado, 08 de novembro, às 17h

Grupo Luminescencia (foto: Leonel Jacques)

No sábado, dia 08 de novembro, às 17h, o grupo Luminescência se apresenta com entrada franca na Sala de Recitais do Complexo Cultural Casa da OSPA como parte da Série Música de Câmara. Formado pela violinista Brigitta Calloni, pelo violinista e violista Robert Cruz, pelo violista João Senna, pela violoncelista Martina Ströher, pelo contrabaixista Luciano dal Molin e pela pianista Olinda Allessandrini, o conjunto traz à OSPA um programa com obras de Mozart e Piazzolla.

O recital começa com o Concerto para Piano e Cordas em Lá Maior, k.414, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), transcrito por Christoph Wolff. O famoso compositor do Classicismo vienense escreveu a obra em 1782, pouco depois de se estabelecer em Viena como artista independente. O Concerto em Lá Maior foi o primeiro a ser concluído dentre os seus 16 concertos para piano desse período. A seguir, o grupo interpreta Las Cuatro Estaciones Porteñas, do argentino Astor Piazzolla (1921-2021). Composta entre as décadas de 1960 e 1970, a obra traz quatro movimentos baseados nas estações do ano e com inspiração no tango, que se une à música de concerto e a elementos do jazz, em um estilo inovador que lhe atraiu críticas, mas também o estabeleceu como referência na música latina.

“Apesar das evidentes diferenças estilísticas, Mozart e Piazzolla têm em comum a ousadia de transformar a tradição. Ambos dialogaram com o passado para falar ao futuro. Ambos enfrentaram resistência: Mozart por desafiar convenções sociais e cortesãs; Piazzolla por desconstruir o tango ortodoxo. Ambos deixaram legados que transcendem épocas e fronteiras”, resume a pianista Olinda Allessandrini.


Concerto Gustav und Alma

Concerto em homenagem aos 130 anos de Amizade Brasil-Japão

Orquestra Sinfônica de Porto Alegre

Tobias Volkmann, regência
Ludmilla Bauerfeldt, soprano

Quando: 07 de novembro, sexta-feira, às 20h
Palestra Notas de Concerto: às 19h, com Francisco Marshall
Onde: Complexo Cultural Casa da OSPA (CAFF – Av. Borges de Medeiros, 1.501, Porto Alegre, RS)
Ingressos: de R$ 10 a R$ 50
Descontos: ingresso solidário (com doação de 1kg de alimento), clientes Banrisul, Amigo OSPA, associados AAMACRS, sócio do Clube do Assinante RBS, idoso, doador de  sangue, pessoa com deficiência e acompanhante, estudante, jovem até 15 anos e ID Jovem
Bilheteria: sympla.com.br/casadaospa ou no Complexo Cultural Casa da OSPA no dia do concerto, das 15h às 20h
Estacionamento: gratuito, no local
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 6 anos
Transmissão ao vivo: às 19h (Notas de Concerto) e às 20h (concerto) nocanal da OSPA no YouTube

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Recital Série Música de Câmara – Luminescência

Brigitta Calloni, violino I
Robert Cruz, violino II e viola
João Senna, viola
Martina Ströher, violoncelo
Luciano dal Molin, contrabaixo
Olinda Allessandrini, piano

Quando: 08 de novembro, sábado, às 17h
Onde: Sala de Recitais da Casa da OSPA (CAFF – Av. Borges de Medeiros, 1.501, Porto Alegre, RS)
Ingressos: entrada franca, por ordem de chegada
Estacionamento: gratuito, no local
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 6 anos


Foto principal: Thadeu Nogueira (na foto, a soprano Ludmilla Bauerfeldt).