Um dos nomes mais importantes da cena contemporânea da música de concerto no Brasil, com 40 anos de trajetória nacional e internacional, o maestro Ricardo Rocha, fundador e diretor musical da Cia. Bachiana Brasileira, ministrará o curso Regência como Arte, na Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Serão sete encontros nos meses de março (14, 21 e 28) e abril (04, 11, 18 e 25), sempre aos sábados, das 10h às 14h30. Podem participar alunos ativos em regência e ouvintes. Informações e inscrições: (21) 3556-8404 ou por meio do site https://www.emvilla-lobos.com/regencia.
O trabalho de um regente vai muito além da sua capacidade e preparo para a análise de partituras de porte sinfônico — sejam elas de orquestra, coro ou banda —, ou mesmo do necessário domínio da técnica gestual para a condução e a interpretação de um texto musical. Esse é o papel do diretor musical. Como o seu instrumento, no entanto, não responde ao toque direto dos dedos sobre teclas, à pressão sobre as cordas, ao sopro das madeiras e metais, ou aos golpes na percussão, o que entra em jogo é a busca pela resposta sonora conjunta de músicos diversos e singulares do ponto de vista etário, social, sexual, religioso, técnico e filosófico.
Esse é o diferencial na formação de Ricardo Rocha: a demanda por uma habilidade específica de liderança. Ela exige não só maturidade no conhecimento da natureza humana, como também a empatia necessária para que seja aberto o “santuário do espírito” de cada músico. Ao fazê-lo, o instrumentista entrega ao maestro, em confiança, não apenas o som do instrumento que toca, mas a sonoridade própria da sua alma — aquele som individual cultivado desde os primórdios da sua formação.
“Essa é a razão pela qual cada maestro extrai um som diferente diante de um mesmo conjunto e com uma mesma partitura: o grupo reflete, sinergicamente, o amálgama resultante dos sons de cada indivíduo. Este é o mistério da Regência. Ela não se resume à maneira como o regente pontua o discurso musical (como um ator lendo um texto), mas ao fato de que o timbre do conjunto muda conforme o maestro, ganhando uma personalidade sonora que é a própria voz do regente. É um processo rigorosamente empático e espiritual, que não se pode aprender em livros ou produzir mecanicamente. Aqui se discerne a diferença sutil entre o maestro, que orienta e conduz, e o regente, que aponta a direção e a induz. São qualidades distintas que precisam caminhar juntas” – ressalta Ricardo Rocha.
Assim, este curso de introdução à Regência Coro-Orquestral é inédito. Ele não se reduz às questões de uma técnica gestual eficiente ou à análise de padrões musicais; antes, ele também se compromete a abordar as questões subliminares e sutis entre a condução e a indução.
Esta é a “caixa de surpresas” a ser revelada por essa Escola de Regência aos que tiverem interesse em conhecê-la. O curso é aberto a jovens iniciantes, profissionais e professores de regência, sem restrição de idade.
Matérias e atividades contempladas
- Fundamentos de Regência e técnica gestual
- Análise estrutural das obras
- Regência com piano
- Aspectos teóricos em geral, em especial sobre liderança
- Ensaios realizados com alunos ativos e assistência de ouvintes
Aulas teóricas e regência com piano
Aspectos teóricos
– Dados sobre o compositor, a obra e o estilo de época
Análise estrutural
– Abordagem da partitura do todo para a parte
– Identificação de padrões: temas, motivos principais, seções
– Identificação e nomeação de cada evento
– Mapeamento: criação gráfica, em papel, das seções e subseções da obra para a configuração da sua arquitetura
Regência: – Técnica gestual
– Análise de soluções de Regência para os principais trechos
– Regência com piano
– Batuta: ferramenta de clareza e direção; técnica de uso
Obras para as oficinas: um painel didático
Regência orquestral binária
1 – Beethoven, Sinfonia nº 1 em Dó Maior, Op. 21 – Primeiro movimento
Regência coro-orquestral temária
2 – Bach, Coral da Cantata BWV 147, “Jesus, alegria dos Homens”
Regência orquestral quaternária (binária composta)
3- Villa-Lobos, Prelúdio da Bachianas Brasileiras nº 4
4 – Sibelius, Poema Sinfônico para Orquestra, Op. 26
Regência coro-orquestral quaternária (binária composta)
5- Mendelssohn, Oratório ‘Elias’, coro 29
Regência orquestral em 6/8 (binária composta)
6- Schubert, Sinfonia nº 5 em Si bemol Maior, D 485 – Segundo movimento
Obs.: Praticamente todas as obras citadas poderão ser baixadas gratuitamente do site IMSLP, até por serem partes ou movimentos de um volume maior. Já aos interessados em colocar o “Finlândia” em seu repertório, única obra completa do programa, sugere-se que adquiram a partitura impressa da Editora Breitkopf & Härtel, que é a que será utilizada (a livraria MUSIMED, de Brasília, provavelmente deve tê-la em seu catálogo). Esta partitura, no entanto, poderá ser de outra editora.
Inscrição
Taxa de inscrição: R$ 100,00
Categorias: Ouvintes > + 2 de R$ 100 (total R$ 300) / Ativos, até 12 > + 2 de R$ 250 (total R$ 600) / Vagas como contrapartida para a EMVL > 2
Certificados
Todos os participantes do curso A Regência como Arte, uma oficina de iniciação à regência coro-orquestral em sete aulas, com um mínimo de 75% de presença, terão direito ao certificado de participação no curso.
O certificado tem validade como curso de extensão universitária, distingue a categoria do participante (ativo/ouvinte), descreve as obras trabalhadas, e registra a carga horária, as datas e o local do evento, sendo assinados pelo maestro, devidamente qualificado no impresso.
SERVIÇO
Regência como Arte – Curso em sete aulas com o maestro Ricardo Rocha
Inscrições abertas
Local: Escola de Música Villa-Lobos
Endereço: Rua Ramalho Ortigão, nº 9, Centro, Rio de Janeiro
Informações e Inscrições: (21) 3556-8404, ou por meio do site https://www.emvilla-lobos.com/regencia
Realização: Escola de Música Villa-Lobos / FUNARJ / Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro
Apoio: Leia Brasil – Organização Não Governamental de Promoção da Leitura
Foto: Daniel Ebendinger (na foto, o maestro Ricardo Rocha).






