A série Se não é agudo, é grave — Encontro de gerações na ópera chega ao seu sexto ciclo de masterclasses e recital. No domingo, 16 de novembro, às 11h, no Teatro Sérgio Cardoso, com ingressos gratuitos pelo site do Sympla, serão apresentado trechos da ópera Salvator Rosa, de Carlos Gomes. Os jovens cantores serão preparados pelo baixo-barítono Eduardo Janho-Abumrad.
Carlos Gomes e eu
Por Eduardo Janho-Abumrad

Sempre fui um entusiasta da obra de Carlos Gomes. O primeiro lugar no Concurso “Carlos Gomes”, na cidade de Campinas, em 1973, serviu-me de grande estímulo. Em decorrência desse prêmio, fui convidado para integrar o elenco da ópera A noite no Castelo, sob regência do maestro Benito Juarez.
Meu primeiro protagonista gomesiano foi o Conte Rodrigo, no Lo Schiavo, no Palácio das Artes de Belo Horizonte e no Teatro Nacional de Brasília, em 1986, sesquicentenário do nascimento de Carlos Gomes, sob regência do maestro David Machado. Nesse mesmo ano estreei o Don Antonio di Mariz, no Il Guarany, em Campinas e no Theatro da Paz, em Belém, no Pará, regido por Benito Juarez. Vivi novamente esse personagem em 2010 no Teatro Castro Alves, em Salvador, sob regência do maestro Pino Onnis e no Theatro São Pedro, de São Paulo, regido pelo maestro Roberto Duarte, sob cuja regência, no mesmo ano, estreei o Frate no Colombo.
O personagem Duca d’Arcos, que considero a melhor criação de Carlos Gomes para a voz de baixo, chegou a mim em 2005, no Theatro São Pedro, em São Paulo, e Teatro Municipal de Americana, sob regência do maestro Fábio Oliveira.
A grande ária Di sposo, di padre, dessa ópera, eu a pude interpretar inúmeras vezes, seja com acompanhamento de piano, seja de orquestra, no Brasil, Argentina, Bélgica e Itália, sob regência de maestros como Benito Juarez, Emiliano Patarra, Carlos Eduardo Moreno e da maestra Lígia Amadio.
Em concertos e vesperais líricas (Theatro Municipal de São Paulo), tive a oportunidade de cantar, além dos personagens Don Antônio e do Duca d’Arcos, aquele do Cacique e também de GIlberto, da Maria Tudor.
Viva Carlos Gomes!
Ficha técnica
Preparação vocal e artística: Eduardo Janho-Abumrad
Piano: João Moreira Reis
Curadoria: Paulo Esper (espetáculo 2.045)
Elenco:
Salvator Rosa: Marcello Mesquita, tenor
Isabella: Alessandra Wingter, soprano
Duca D’Arcos: Gustavo Lassen, baixo
Masaniello: Marcus Ouros, barítono
Gennariello: Alessandra Carvalho, soprano
Se não é agudo, é grave — Encontro de gerações na ópera
O projeto foi pensado para proporcionar a jovens cantores uma interação com artistas líricos brasileiros experientes e consagrados. Cada ciclo desse “encontro de gerações” conta com uma semana de masterclasses, onde os jovens são preparados para um recital cênico. No primeiro ciclo, Céline Imbert trabalhou trechos de Carmen, de Bizet, com um grupo de jovens cantores. No segundo, Inácio de Nonno preparou outro grupo para o primeiro ato de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini. Depois, no terceiro, os jovens interpretaram Dido e Eneas, na íntegra, sob a orientação de Adelia Issa. No quarto ciclo, foi a vez de El Niño Judío, com Mauro Wrona, e no quinto, Fosca, com Leila Guimarães. Agora, no sexto e penúltimo ciclo dessa primeira edição, Eduardo Janho-Abumrad aborda mais uma ópera de Carlos Gomes: Salvator Rosa.
Até dezembro, serão sete ciclos. Os recitais acontecem sempre aos domingos, às 11h, no Teatro Sérgio Cardoso. Veja a programação abaixo.
O projeto, realizado pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA) e pela Cia Ópera São Paulo, tem a curadoria de Paulo Esper, diretor da Cia Ópera São Paulo.
Temporada 2025
Os recitais ocorrem sempre aos domingos, às 11h, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.
04 de maio – Céline Imbert: Carmen (Georges Bizet)
08 de junho – Inácio de Nonno: Il Barbiere di Siviglia (Gioachino Rossini)
27 de julho – Adelia Issa: Dido and Aeneas (Henry Purcell)
31 de agosto – Mauro Wrona: El Niño Judío (Pablo Luna)
05 de outubro – Leila Guimarães: Fosca (Antônio Carlos Gomes)
16 de novembro – Eduardo Janho-Abumrad: Salvator Rosa (Antônio Carlos Gomes)
07 de dezembro – Fernando Portari: Werther (Jules Massenet)
Ingressos: entrada gratuita / os ingressos podem ser retirados na bilheteria do teatro 1h antes do espetáculo ou pelo site do Sympla.
Imagem: divulgação.

Cofundadora do site Notas Musicais, é a correspondente no Brasil das revistas L’Opera (Itália) e Pro Ópera (México). Colabora, ainda, com a Opera Magazine (UK) e com o site L’Ape Musicale (Itália). Fez parte do júri das edições 2020 e 2022 a 2025 do Concurso Brasileiro de Canto ‘Maria Callas’ e é membro do conselho de Amigos da Cia. Ópera São Paulo. Em 2017, fez a tradução, para o português, do libreto da ópera Tres Sombreros de Copa, de Ricardo Llorca, para a estreia mundial da obra, em São Paulo. Estudou canto durante vários anos e tem se dedicado ao estudo da história da ópera e do canto lírico.





