A série Se não é agudo, é grave — Encontro de gerações na ópera chega ao seu sétimo e último ciclo de 2025. No domingo, 07 de dezembro, às 11h, no Teatro Sérgio Cardoso, com ingressos gratuitos pelo site do Sympla, serão apresentado trechos da ópera Werther, de Jules Massenet. Os jovens cantores serão preparados pelo tenor Fernando Portari.
Com a palavra, Fernando Portari:

Quanta alegria em ter sido convidado para dirigir Werther no projeto Se Não É Agudo, É Grave, idealizado por nosso capitão da LIRICA, Paulo Esper, e pela Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo por meio da APAA (Associação Paulista dos Amigos da Arte), onde se propõe o encontro de gerações, criando um vínculo às vezes imperceptível para artistas e público, mas definitivamente crucial para a construção do cantor lírico brasileiro e de nosso teatro lírico mais pertencido.
Paulo, eu e os decanos que têm dado sua contribuição nesse projeto sabemos o quanto isso fez a diferença em nossas vidas de artistas e pensadores do mundo lírico.
Naquele tempo (bota tempo nisso…), existiam companhias autônomas que promoviam a arte lírica independentemente dos grandes teatros de ópera do Brasil. Em São Paulo havia o TLE, Teatro Lírico de Equipe, no Rio havia várias (SALB, TORJ…), ABAL em Campinas, Niterói, BH, Porto Alegre e ainda outras mais. Nessas companhias, jovens aspirantes e cantores consagrados se juntavam para cantar, cantar e cantar, todos colegas, todos aprendendo e ensinando. Dessas companhias surgiram cantores como Licio Bruno, eu, Rosana Lamosa, Regina Elena Mesquita, Marson, Marcello Vannucci, Inacio de Nonno, e maestros como Luiz Fernando Malheiro, Roberto Tibiriçá, Abel Rocha, Guga Petri, dentre tantos outros admiráveis artistas que formaram o perfil do cantor lírico brasileiro dos últimos 40 anos. Quanta alegria em poder reviver esse espírito!
A opera Werther é uma das minhas mais diletas. Tive o prazer de viver algumas vezes o papel do personagem que inaugura o movimento Romântico na Alemanha e inspira a partitura mais famosa do gênio Massenet. Privilegio!
Essa é uma versão compacta, porém não menos emocionante. Com um elenco de primeira, fico à vontade para evocar tudo o que aprendi nos palcos, sobretudo nessas companhias que forjaram o meu caráter lírico que me define, um artista lírico brasileiro.
In BOCCA AL LUPO! Bom espetáculo!
FERNANDO PORTARI
Ficha técnica
Preparação vocal e artística: Fernando Portari
Piano: Karin Uzun
Curadoria: Paulo Esper (espetáculo 2.050)
Elenco:
Werther: Vitório Scarpi, tenor
Charlotte: Anita Andreotti, mezzosoprano
Albert: Silvio Eduardo, barítono
Se não é agudo, é grave — Encontro de gerações na ópera
O projeto foi pensado para proporcionar a jovens cantores uma interação com artistas líricos brasileiros experientes e consagrados. Cada ciclo desse “encontro de gerações” conta com uma semana de masterclasses, onde os jovens são preparados para um recital cênico.
O projeto, realizado pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA) e pela Cia Ópera São Paulo, tem a curadoria de Paulo Esper, diretor da Cia Ópera São Paulo.
Temporada 2025
Os recitais ocorrem sempre aos domingos, às 11h, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.
04 de maio – Céline Imbert: Carmen (Georges Bizet)
08 de junho – Inácio de Nonno: Il Barbiere di Siviglia (Gioachino Rossini)
27 de julho – Adelia Issa: Dido and Aeneas (Henry Purcell)
31 de agosto –Mauro Wrona: El Niño Judío (Pablo Luna)
05 de outubro – Leila Guimarães: Fosca (Antônio Carlos Gomes)
16 de novembro– Eduardo Janho-Abumrad: Salvator Rosa (Antônio Carlos Gomes)
07 de dezembro – Fernando Portari: Werther (Jules Massenet)
Ingressos: entrada gratuita / os ingressos podem ser retirados na bilheteria do teatro 1h antes do espetáculo ou pelo site do Sympla.
Imagem: divulgação.
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Cofundadora do site Notas Musicais, é a correspondente no Brasil das revistas L’Opera (Itália) e Pro Ópera (México). Colabora, ainda, com a Opera Magazine (UK) e com o site L’Ape Musicale (Itália). Fez parte do júri das edições 2020 e 2022 a 2025 do Concurso Brasileiro de Canto ‘Maria Callas’ e é membro do conselho de Amigos da Cia. Ópera São Paulo. Em 2017, fez a tradução, para o português, do libreto da ópera Tres Sombreros de Copa, de Ricardo Llorca, para a estreia mundial da obra, em São Paulo. Estudou canto durante vários anos e tem se dedicado ao estudo da história da ópera e do canto lírico.





