Se não é Agudo, é Grave: “A Flauta Mágica” com Abel Rocha

A série Se não é Agudo, é Grave — Encontro de gerações na ópera inicia a sua temporada 2026 neste domingo, 08 de março, às 11h, no Teatro Sérgio Cardoso. Será apresentada uma adaptação da ópera A Flauta Mágica, de Wolfgang Amadeus Mozart. Os jovens cantores serão preparados pelo experiente maestro Abel Rocha, que traz ao projeto o trabalho que tem desenvolvido na Fábrica de Óperas da UNESP. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados no site do Sympla ou uma hora antes do evento na bilheteria do teatro.


A Flauta Mágica em Português

por Abel Rocha

A ópera A Flauta Mágica, de Wolfgang Amadeus Mozart, é apresentada em português como parte das ações do Programa Fábrica de Óperas, da UNESP, afirmando uma proposta estética, filosófica e social que orienta o trabalho desenvolvido pelo programa. A montagem parte da compreensão da ópera como espaço vivo de formação, reflexão e encontro, no qual tradição e contemporaneidade se articulam a partir da experiência dos intérpretes e do público.

Nesta produção, o canto em português assume papel central como ferramenta de acesso, escuta e pertencimento cultural. Ao aproximar a obra da língua do público e dos jovens intérpretes em cena, a montagem busca reduzir distâncias históricas associadas ao repertório operístico, propondo uma escuta direta, sem mediações que afastem a experiência artística de sua dimensão humana e coletiva.

Interpretada por um elenco de jovens cantores vinculados ao Programa Fábrica de Óperas, a apresentação coloca a juventude no centro do processo criativo. A presença desses artistas não é apenas um dado geracional, mas parte de uma escolha estética e pedagógica: a ópera como espaço de aprendizado, experimentação e construção de sentido, onde a formação artística se realiza em diálogo com o presente e com as questões do tempo em que se insere.

A proposta do Programa Fábrica de Óperas entende a montagem operística como processo formativo ampliado, no qual prática artística, reflexão crítica e experiência de palco se integram. A convivência entre diferentes trajetórias, origens e perspectivas constitui elemento estruturante do trabalho, permitindo que obras centrais do repertório sejam revisitadas a partir de novas camadas de significado e de novas formas de relação com o público.

A tradução e adaptação dramatúrgica do libreto integram essa escolha artística. Ao deslocar a obra de seu lugar tradicional e situá-la na língua portuguesa, a montagem propõe uma reaproximação simbólica entre obra, intérpretes e plateia. Mais do que uma adaptação linguística, trata-se de afirmar a ópera como experiência compartilhada, capaz de produzir identificação, escuta e reconhecimento.

Nesta perspectiva, A Flauta Mágica se apresenta não apenas como um título fundamental do repertório operístico, mas como uma experiência artística viva, em que música, cena e pensamento se articulam para reafirmar a ópera como prática contemporânea, aberta e socialmente situada.


Ficha Técnica

Direção Artística — Abel Rocha

Elenco:
Tamino — Rafael Stein
Pamina — Victoria Sayegh Burundizian
Papageno — Silvio Eduardo
Papagena — Aline Mosielly
Rainha da Noite — Gaia Dorneles Schenini
Sarastro — Ariel Bernardi
Monostatos — Júlia Andreotti
1ª Dama — Yohana Granatta
2ª Dama — Melissa Cassiano
3ª Dama — Anita Andreotti
1ª Gênia — Camila Sousa Macedo
2ª Gênia — Aline Mosielly
3ª Gênia — Julia Andreotti
Sacerdote — Arthur Vizzali

Coro:
Tenor I — Thomas Martins
Tenor I — Juan Baiget
Tenor II — Gabriel Gallo Bisi

Produção:
Beatriz Fernandes Klann
Bruno Paschoal
Bruno Virgílio
Luísa Gastaldi
Matheus Otávio Pereira
Yasmin Molnar


Se não é Agudo, é Grave — Encontro de gerações na ópera

Até dezembro, serão dez ciclos de masterclasses e recitais (veja a lista abaixo) em que jovens cantores líricos terão a oportunidade de trabalhar trechos de óperas com um artista brasileiro experiente e já consagrado. Cada ciclo contará com uma semana de preparação e será encerrado com um recital cênico no Teatro Sérgio Cardoso, que ocorrerá sempre aos domingos, às 11h.

O projeto, realizado pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), tem curadoria de Paulo Esper, diretor da Cia Ópera São Paulo.


Temporada 2026

Os recitais acontecem sempre aos domingos, às 11h, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.

08 de março – Abel Rocha: A Flauta Mágica (W. A. Mozart) 
12 de abrilBruno Costa: Cenas Madrileñas
03 de maioSandro Christopher: Beaumarchais e seus Fígaros
07 de junhoRosana Lamosa: Óperas Americanas
26 de julhoPaulo Mandarino: La Bohème (Giacomo Puccini)
16 de agostoEduardo Álvares: Tosca (Giacomo Puccini)
13 de setembroJorge Coli: Il Guarany (Antônio Carlos Gomes)
11 de outubroOlga Matushenko: Heroínas de Verdi
08 de novembroDenise de Freitas: Cavalleria Rusticana (Pietro Mascagni)
06 de dezembroEliane Coelho: Don Pasquale (Gaetano Donizetti)

Ingressos: entrada gratuita / os ingressos podem ser retirados na bilheteria do teatro 1h antes do espetáculo ou pelo site do Sympla.


Foto: divulgação.


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