O barítono brasileiro, vencedor do Concurso Maria Callas em 2021, participou da produção de A Flauta Mágica, de Mozart, que esteve em cartaz em Munique de 27 de dezembro a 24 de janeiro. Em novembro deste ano, ele fará seu debut na San Francisco Opera em Manon, de Massenet.
Esse mundo das redes sociais, do excesso de informações, não é fácil. Coisas tão supérfluas, dispensáveis, invadem a tela, enquanto aquelas que realmente importam passam desapercebidas. E ficam mais desapercebidas ainda quando dizem respeito a pessoas discretas nesse mundo on-line, como é o caso do barítono Vitor Bispo.
Há poucos dias, olhando a programação da San Francisco Opera — o segundo teatro de ópera mais importante dos Estados Unidos, perdendo apenas para o Metropolitan —, vi que, em novembro, está programado o debut de Vitor na casa como Lescaut, na Manon de Jules Massenet.
Seria essa a notícia — e uma ótima notícia. Só que resolvi entrar no perfil de Vitor no Facebook para ver o que ele andava fazendo. E eis que vejo um post com a localização indicando a Bayerische Staatsoper e um “Pa pa pa”. Papageno em Munique?! E só agora que fiquei sabendo disso?

O leitor sabe, Papageno não é nenhum comprimário e Ópera de Munique é uma das melhores do mundo, que carrega uma rica história. E o feito fica ainda maior quando se trata de um brasileiro cantando uma ópera de Mozart em alemão na capital da Baviera.
Fui conferir no site oficial da Bayersische Staatsoper. E lá estava: A Flauta Mágica ficou em cartaz de 27 de dezembro do ano passado a 24 de janeiro deste ano, com Vitor Bispo como Papageno. Ele dividiu o palco com Jessica Pratt (a Rainha da Noite), Christof Fischesser (Sarastro), Benjamin Bruns (Tamino), Erika Baikoff (Pamina), dentre outros. A regência foi de Christopher Moulds, e a direção cênica, de August Everding.
Em 2021, quando usava o nome Vitor Mascarenhas, ele foi vencedor do 19º Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas. Em seguida foi estudar na Royal Academy of Music, em Londres. De lá partiu para o Opernstudio da Ópera de Munique e, desde o ano passado, passou a integrar o elenco da casa.
Desejo todo o sucesso ao Vitor, que está dando passos importantes na construção de uma bela carreira.
Foto: © Geoffroy Schied / Bayerische Staatsoper.
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Cofundadora do site Notas Musicais, é a correspondente no Brasil das revistas L’Opera (Itália) e Pro Ópera (México). Colabora, ainda, com a Opera Magazine (UK) e com o site L’Ape Musicale (Itália). Fez parte do júri das edições 2020 e 2022 a 2025 do Concurso Brasileiro de Canto ‘Maria Callas’ e é membro do conselho de Amigos da Cia. Ópera São Paulo. Em 2017, fez a tradução, para o português, do libreto da ópera Tres Sombreros de Copa, de Ricardo Llorca, para a estreia mundial da obra, em São Paulo. Estudou canto durante vários anos e tem se dedicado ao estudo da história da ópera e do canto lírico.






Fico sempre feliz em saber do sucesso de cantores brasileiros no exterior!!Bravo Vitor!!Brava Fabiana em divulgar a trajetória desses cantores!!