Concerto “Tempo Pascal” apresenta em São Paulo raridades do século XVIII

Nos dias 25 (16h) e 26 (13h30) de abril, respectivamente na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade (Praça Olavo Bilac, 63, Campos Elíseos) e na Igreja da Consolação (Rua da Consolação, 585, Consolação), o maestro Jésus Figueiredo rege o concerto Tempo Pascal – Do Barroco Italiano ao Rococó Brasileiro, reunindo o Coro Polifonia Paulista e o conjunto de instrumentos históricos Sonare Antico.

O programa articula repertório sacro do século XVIII a partir do significado litúrgico da Páscoa, passando pela Paixão, pela profissão de fé e pela celebração da ressurreição. A abertura é com a Sinfonia em Si menor “Al Santo Sepolcro” (RV 169), de Antonio Vivaldi, escrita para a Semana Santa e estruturada em dois movimentos — Adagio molto e Allegro ma poco.

“A ideia do ‘Tempo Pascal’ é construir um percurso musical que acompanha o significado litúrgico da Páscoa, da contemplação do Santo Sepulcro à afirmação do ‘Et resurrexit’, articulando obras consagradas a repertórios pouco frequentados nas salas de concerto brasileiras”, afirma o maestro Jésus Figueiredo.

Na sequência, o concerto apresenta cinco motetos de José Maurício Nunes Garcia — Gradual para Domingo de Ramos, Improperium, Domine Jesu, Popule Meus e Sepulto Domino — compostos para celebrações da Semana Santa no Rio de Janeiro. A presença dessas obras evidencia o diálogo entre modelos europeus e a prática musical desenvolvida no Brasil entre o período colonial e o início do Império.

O Credo (RV 591), de Vivaldi, organiza-se segundo as principais seções do texto litúrgico, incluindo o “Crucifixus” e o “Et resurrexit”, estruturando musicalmente o núcleo teológico do ciclo pascal.

O encerramento traz o Te Deum em Ré Maior (1763), de Niccolò Jommelli. Pouco executada no Brasil e rara também na Europa, a obra terá a sua primeira apresentação no país, segundo os organizadores. O compositor, conhecido sobretudo por sua produção operística e por sua atuação em centros como Nápoles, Roma e Stuttgart, é menos frequente nas programações brasileiras de música sacra.

“Existe no Brasil um patrimônio coral do século XVIII ainda insuficientemente explorado. Colocar lado a lado Vivaldi, José Maurício e Jommelli é evidenciar como dialogavam tradições europeias e a prática musical desenvolvida aqui, num momento decisivo da nossa história”, destaca Figueiredo.

Como solista convidado, participa o contratenor Jeziel Coelho, natural de Guarulhos (SP). Com atuação recorrente no repertório barroco e clássico, já interpretou obras como o Messiah, de Händel, o Magnificat, de Bach, e o Gloria, de Vivaldi. Sua presença reforça o eixo vocal do programa, especialmente nas seções solísticas do repertório sacro do século XVIII.

A interpretação adota instrumentos históricos e princípios de performance informada, buscando aproximação com práticas do século XVIII. A proposta considera também a acústica dos espaços religiosos como parte da experiência sonora.

À frente do projeto, Jésus Figueiredo tem trajetória dedicada ao repertório coral histórico. Foi titular do Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dirige a Associação de Canto Coral (ACC-RJ) e desenvolve pesquisa em acústica musical e música antiga, com formação no Brasil e na Suíça.

O Coro Polifonia Paulista dedica-se à música coral de concerto, com ênfase no repertório sacro e na produção brasileira. Fundado em 2025, sob direção do maestro Jésus Figueiredo e com regência preparatória de Diego Pellegrini Totaro, o coro paulistano apresenta mais um concerto em parceria com a Associação de Canto Coral (ACC), como parte da sua programação artística.

O Sonare Antico, por sua vez, dedica-se à interpretação de obras dos séculos XVII e XVIII em instrumentos de época, com base nos princípios da performance historicamente orientada. Formado por músicos especializados, com trajetória no Brasil e no exterior, o conjunto desenvolve pesquisa contínua sobre articulação, afinação, retórica musical e práticas interpretativas do período Barroco.

Seu trabalho busca recriar a paleta sonora característica da época por meio do uso de violinos, violas, violoncelos e contrabaixo barrocos, além de cravo e teorba, explorando contrastes de timbre, dinâmica e ornamentação. As apresentações evidenciam uma sonoridade transparente e incisiva, em que o rigor histórico se alia à expressividade e à vitalidade artística, aproximando o repertório antigo da escuta contemporânea.


Violinos I – Lucas Biscaro – spalla, Renan Vitoriano e Letícia Andrade
Violinos II – Carol Colepicolo e Mathews Alves
Violas – Leonardo Marques e Gabriel Del Corso
Violoncelos – Victor Romero Pinho e Thiago Faria
Contrabaixo – Gilberto Chacur
Cravo – Fernando Cardoso
Trompetes – Marcelo Carvalho e Michel Machado

********

Sopranos – Dani Lamim, Márcia Marques, Sara Regina, Mariana Ferrari e Helena Crispim
Contraltos – Juliana Ferrari, Isabel Ferrari, Mônica Cardoso e Bel Cristina
Tenores – Diego Pellegrini, Marcos Lúcio, César Oliveira e Otávio Moreno
Baixos – Paulo Martins, Fernando Magosso, Daniel Moura e Vitor Barrak
Solistas do coro – Dani Lamim, César Oliveira e Vitor Barrak


Coro Polifonia Paulista e Sonare Antico

Tempo Pascal – Do Barroco Italiano ao Rococó Brasileiro

Regência e direção musical: Jésus Figueiredo
Solista convidado: Jeziel Coelho, contratenor
Regente preparador do coro: Diego Pellegrini Totaro
Pianista do coro: Helena Crispim
Sonare Antico – direção artística: Lucas Biscaro
Sonare Antico – produção: Gilberto Chacur
Produção geral: Associação de Canto Coral

Antonio Vivaldi
Sinfonia em Si menor para Cordas “Al Santo Sepolcro” (RV 169) 

José Maurício Nunes Garcia
Motetos para a Semana Santa
– Gradual para domingo de Ramos
– Improperium
– Domine Jesu
– Popule Meus
– Sepulto Domino

Antonio Vivaldi
Credo (RV 591)

Niccolò Jommelli
Te Deum, em ré maior (1763)


25 de abril de 2026 (sábado), às 16h

Catedral Anglicana da Santíssima Trindade (Praça Olavo Bilac, 63, Campos Elíseos, São Paulo)

26 de abril de 2026 (domingo), às 13h30

Igreja da Consolação (Rua da Consolação, 585, Consolação, São Paulo)

Duração: 50 minutos
Ingressos: entrada franca


Foto: Cauê Godinho.