Ópera-monólogo de Cyro Delvizio celebra Santos Dumont no Rio de Janeiro

Após lotar o palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro no último dia 15 de setembro com a estreia mundial do Requiem Guarani-Kaiowá – com a Orquestra Petrobras Sinfônica (OPES) e regência do maestro Felipe Prazeres – o compositor Cyro Delvizio engata nova empreitada com uma segunda estreia de relevo. Nos dias 23 e 24 de outubro, sexta-feira e sábado, às 20h, a Sala de Câmara da Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, recebe a estreia mundial da sua ópera-monólogo Santos Dumont: 120 Anos do Voo. A primeira récita acontece precisamente na data do aniversário de 120 anos do voo histórico do 14-bis em Paris.

Neste projeto, em que assina a música e o libreto, o compositor exercita a sua maturidade dramatúrgica ao propor um mergulho psicológico na dimensão humana do “Pai da Aviação”. Baseada nos escritos autobiográficos de Meus Balões, a obra acompanha os últimos momentos do aviador no Hotel La Plage, no Guarujá. Em um fluxo de consciência que transita entre a memória, a realidade e o devaneio, a montagem combina ópera, teatro e elementos visuais. O resultado é uma experiência íntima, profunda e de alta complexidade cênico-musical, desenhada para ser, ao mesmo tempo, sofisticada e acessível ao grande público.

Segundo o próprio autor, a obra nasceu do desejo de revelar “o homem por trás do mito”. “Santos Dumont foi um símbolo de genialidade e pioneirismo, mas também carregou solidão, dúvidas e profundas contradições. Sua história permanece atual porque fala sobre sonho, inovação e sobre a responsabilidade diante das consequências das nossas próprias criações”, afirma Cyro.

Com música e libreto de Cyro Delvizio, a montagem combina ópera, teatro e elementos visuais em uma experiência íntima e acessível. Em cena, o tenor João Campelo interpreta Santos Dumont acompanhado por um conjunto instrumental formado por clarinete, violoncelo, acordeão, vibrafone/percussões e violão. A cenografia modular transforma um único elemento inspirado nas invenções do próprio aviador em diferentes momentos da sua trajetória: uma escrivaninha se converte em balão, dirigível e, finalmente, no 14-bis.

João Campelo como Santos Dumont (divulgação)

Utilizando bambu, tecidos e elementos inspirados na estética de Santos Dumont, o cenário cria uma metáfora visual para a imaginação e o espírito inventivo que marcaram a sua vida. A linguagem musical dialoga com a tradição operística e incorpora referências brasileiras, incluindo elementos de modinha, marchinha, seresta, samba e da cultura popular, criando uma obra contemporânea, comunicativa e profundamente ligada à identidade nacional.

Com duração aproximada de 60 minutos, Santos Dumont: 120 Anos do Voo reafirma a possibilidade de uma nova ópera brasileira: portátil, acessível e capaz de aproximar diferentes públicos da arte lírica.

“Talvez Santos Dumont seja uma das figuras brasileiras mais conhecidas e, ao mesmo tempo, menos compreendidas. Todos conhecem o inventor do avião, mas poucos conhecem suas inquietações, sua sensibilidade e o sofrimento de ver sua criação utilizada para fins de guerra. A ópera busca justamente esse encontro: celebrar o herói e revelar o ser humano”, conclui Cyro Delvizio.

Cyro Delvizio

Cyro Delvizio (foto: Raul Delvizio)

Renomado violonista, compositor e pesquisador, destaca-se na promoção da música erudita brasileira. É integrante fundador do Duo Cancionâncias e, em sua carreira solo, destacou-se tocando com orquestras e vencendo concursos de violão. Realizou turnês solo no México (2012, 2013 e 2014), gravando o CD Reminiscências do Brasil. Nos EUA, participou do GFA International Convention 2015 e 16, um dos maiores festivais de violão do mundo.

Estreou obras de renomados compositores, como Edino Krieger, Marco Pereira, Ronaldo Miranda, Dimitri Cervo e Ricardo Tacuchian. Como prolífico compositor, Delvizio acumula mais de 70 obras com execuções de orquestras brasileiras e em Portugal, França, Alemanha, México, EUA, Japão e Finlândia, destacando-se a Cantata de Ano Novo pela OSB na Cidade das Artes em 2022.

Produziu suas óperas A Peste (2020 on-line; e 2021 no palco) e Um Homem Amarelo (2023 FIC-MS). É Doutor em Artes/Performance Musical pela ECA-USP, 2019, Mestre em Musicologia pela UFRJ, 2011, e Bacharel em Violão pela UFRJ, 2008, orientado por Turíbio Santos. Além disso, é professor substituto na Escola de Música da UFRJ.

Em 2023, celebrou 20 anos de carreira com o lançamento do seu segundo CD solo, Francisco Mignone – Twelve Guitar Studies, pelo selo Da Vinci Classics, do Japão. Em 2024 foi jurado do quesito Samba-Enredo do Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial no Carnaval do Rio de Janeiro.


Santos Dumont: 120 Anos do Voo
Estreia mundial da ópera-monólogo de Cyro Delvizio

Música, libreto e direção geral: Cyro Delvizio
Santos Dumont: João Campelo, tenor/ator
Violão: Cyro Delvizio
Acordeão: Matheus Queiroz
Violoncelo: Paulo Santoro
Vibrafone e percussões: Ana Letícia Barros
Clarinete: Thiago Tavares
Produção executiva: Manuelai Camargo (Música Plena Produções Culturais)


Quando: 23 e 24 de outubro, sexta-feira e sábado, sempre às 20h
Onde: Cidade das Artes – Sala de Câmara (Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)
Duração: aproximadamente 60 minutos
Ingressos: de R$ 30,00 a R$ 80,00 / ingressos à venda aqui


Arte: divulgação.


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