OSB Jovem abre a sua Temporada 2026 com concerto na UERJ

Composta por músicos entre 18 e 30 anos, selecionados por meio de um rigoroso processo de audições que também leva em conta critérios socioeconômicos, a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem segue por mais um ano de atividades, desta vez com novos integrantes, aprovados em concurso realizado no fim de 2025. Em 2026, a OSB Jovem apresenta a Temporada Harmonia, que propõe um diálogo entre música e literatura como forma de aproximar e celebrar diferentes culturas, épocas e territórios. A programação contará com dez concertos e estreia no dia 31 de março, às 19h, no Teatro Odylo Costa, filho (UERJ), conduzido pelo regente titular e coordenador pedagógico do grupo, Anderson Alves.

Quatro grandes compositoras contando a história de um país: essa é a proposta deste concerto de abertura da temporada 2026 da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem. Sob o título Terra Brasilis, a apresentação parte de obras assinadas por Clarice Assad, Juliana Ripke, Cibelle Donza e Chiquinha Gonzaga para explorar os muitos modos pelos quais a música pode narrar o que somos. O denominador comum dessa travessia musical rica é a força criativa das compositoras envolvidas, figuras representativas que com estilos e dicções próprias encontraram um caminho para escrever o Brasil em som. 

O programa tem início com a Fantasia Terra Brasilis, de Clarice Assad. Concebida quase como um curta-metragem, a obra toma o hino nacional como fio condutor para contar, em velocidade acelerada, a formação de um país feito de encontros. A famosa melodia, contudo, não se mostra tal como a conhecemos; é fragmentada, dispersa, intercalada com referências sonoras das muitas culturas que aportaram no Brasil e aqui se misturaram.

Na sequência, com Eu-Mulher, de Juliana Ripke, o programa adentra o território da palavra poética. Originalmente a composição foi escrita para coral, e posteriormente ganhou orquestração assinada pelo maestro Paulo Galvão Filho. Sua estrutura espelha a do texto de Conceição Evaristo: o refrão “Eu fêmea-matriz. / Eu força-motriz. / Eu-mulher / abrigo da semente / moto-contínuo / do mundo” retorna ciclicamente, e a cada retorno a textura se adensa, os instrumentos se multiplicam, a dinâmica cresce. A própria Evaristo esteve presente na última execução da obra pela OSB Jovem e reconheceu na música a profundidade de seu texto. Juliana Ripke trabalha atualmente em uma ópera baseada na vida da escritora. 

A Suíte Curumim, de Cibelle Donza, surgiu como uma encomenda da Orquestra do Projeto Guri, formada por jovens músicos, e essa origem marca a obra não apenas em aspectos técnicos, mas também na escolha de seu universo temático. Os três movimentos, “Elástico”, “Quatro Cantos” e “Morto-Vivo”, correspondem a três brincadeiras tradicionais que são recriadas com absoluta criatividade.

Não poderia haver melhor forma de encerrar este programa do que com uma seleção de peças de Chiquinha Gonzaga, assinadas aqui em arranjo para orquestra sinfônica por Anderson Alves. Reunindo cinco obras da compositora carioca, a suíte funciona como uma espécie de antologia afetiva, que combina composições famosas a outras menos conhecidas do catálogo da brasileira.


Temporada Harmonia

A Temporada Harmonia irá ocupar, além do Teatro Odylo Costa, filho, os palcos da Sala Cecília Meireles, da Cidade das Artes e do Teatro Carlos Gomes, com programas que atravessam estilos e períodos e dialogam com tradição e contemporaneidade. Nos programas, grandes mestres, como Bach, Schubert, Haydn e Mozart. A música brasileira também ganha protagonismo com obras de Henrique Alves de Mesquita, Waldemar Henrique, Alberto Nepomuceno e Carlos dos Santos, além de nomes centrais da tradição sinfônica popular, como Radamés Gnatalli — homenageado pelos 130 anos de nascimento — e Edmundo Villani-Côrtes. A temporada 2026 também contará com convidados especiais, como o flautista Alexis Angulo e a timpanista Fernanda Kremer, ambos da Orquestra Sinfônica Brasileira, e o regente Daniel Guedes. Encerrando o ano, o programa Legado em Harmonia reúne ex-integrantes da OSB Jovem, hoje atuantes em orquestras profissionais, reafirmando o papel formativo e transformador do projeto ao longo de suas gerações.

OSB Jovem: formação além da prática orquestral 

Um dos mais relevantes projetos de iniciação profissional em música sinfônica do país, a OSB Jovem oferece uma formação ampla. Entre as atividades, estão mentoria de carreira com músicos experientes, oficinas de editoração de partituras, ações de apreciação musical e conteúdos voltados à gestão cultural, além da realização de uma temporada artística própria. “Na OSB Jovem buscamos transformar talento em oportunidade. Ao combinar formação musical qualificada com critérios socioeconômicos em seu processo seletivo, reafirmamos nosso compromisso com a inclusão, a formação cidadã e a capacitação profissional de jovens músicos. Mais do que preparar instrumentistas para o mercado, a OSB Jovem contribui para o desenvolvimento humano, cultural e social dos seus integrantes”, afirma Ana Flávia Cabral Souza Leite, CEO e vice-presidente da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.


Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem

Abertura da Temporada 2026 | Terra Brasilis – Compositoras escrevendo nossa história

Anderson Alves, regência

Clarice Assad
Terra Brasilis, Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro

Juliana Ripke
Eu-Mulher

Cibelle Donza
Suíte Curumim
I – Elástico 
II – Quatro Cantos 
III – Morto-Vivo

INTERVALO

Chiquinha Gonzaga
Suíte Chiquinha Gonzaga [arranjo: Anderson Alves]
I – Saci Pererê
II – Roda Ioiô
III – Lua Branca
IV – Em Guarda
V – Ô Abre Alas


Quando: 31 de março, terça-feira, às 19h
Onde: Teatro Odylo Costa, filho – UERJ (Rua São Francisco Xavier, 524, Maracanã, Rio de Janeiro)
Ingressos: entrada gratuita


Foto: Renato Mangolin.