No dia 28 de abril, a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem apresenta o concerto O Legado de Bach, na Igreja de São Francisco de Paula, uma apresentação da Temporada Harmonia, sob a regência de Daniel Guedes. Este concerto celebra a influência duradoura de Johann Sebastian Bach, cuja música serviu de alicerce para gerações de compositores que moldaram a música clássica ocidental. A partir do Barroco, o espírito contrapontístico e a busca pela harmonia perfeita de Bach ecoaram nas obras de seus sucessores, que reinterpretaram as suas ideias no contexto do Classicismo e do Romantismo. Além do compositor, o programa conta com obras de Beethoven e Edmundo Villani-Côrtes.
“Estudem Bach: lá encontrarão tudo”, afirmou o compositor romântico Johannes Brahms. De fato, seja na música de Mozart ou na de Shostakovich, de Villa-Lobos ou de Nina Simone, o que se percebe é uma influência ampla e duradoura do mestre alemão. Tecnicamente cerebral e profundamente emotiva, sua obra impressiona pelo rigor e pela expressividade direta, trabalho de um gênio cujos contornos se tornam ainda mais tocantes quando se recorda a modéstia biográfica do homem: um funcionário luterano, pai de vinte filhos, que jamais saiu da Alemanha. A música do mestre barroco está no centro deste concerto da OSB Jovem, ladeada por obras de Mozart e de Villani-Côrtes nas quais a sua influência comparece de forma indireta ou como reverência declarada.
Ao lado dos Concertos de Brandemburgo, os Concertos para Violino estão entre as obras mais celebradas de Bach para solista e conjunto. O Concerto em Mi Maior, que abre este programa, estrutura-se em três movimentos: o Allegro inicial começa com três acordes enérgicos e tem uma estrutura incomum para um concerto, mais próxima das árias barrocas; o Adagio é construído sobre uma figura repetida na orquestra, acima da qual o violino desenvolve linhas de grande expressividade; e o Allegro assai final é dançante e vigoroso, em forma de rondò.
À altura da morte de Bach, em 1750, seu estilo já era visto como superado — o que não o impediu de seguir influenciando a geração seguinte, agora de forma indireta, através dos filhos. O mais novo, Johann Christian, exerceria notável influência no jovem Mozart. Um dos exemplos mais expressivos dessa absorção se revela na dramática Sinfonia nº 25, em Sol menor, na qual Mozart ecoa a dimensão sombria da Sinfonia nº 6, Op. 6, de Johann Christian, ampliando-a a partir dos modelos de Haydn. São quatro movimentos: um Allegro com brio sincopado e cheio de tensão; um Andante sereno com belíssimas passagens para os fagotes; um Minueto cheio de acentos onde a tensão volta a se armar; e um Allegro que, apesar das passagens mais otimistas, não consegue escapar de um desfecho trágico.
Na música brasileira, o vínculo bachiano mais amplificado é o de Villa-Lobos e suas nove Bachianas Brasileiras. Menos lembrada, porém não menos significativa, é a presença de Bach na obra de Edmundo Villani-Côrtes, que este ano celebra 96 anos. Durante quase duas décadas, o compositor mineiro lecionou contraponto na UNESP, considerando Bach “o mestre em referências de composição”. Catedral da Sé, para orquestra de cordas, carrega no título uma dimensão contemplativa e sacra que não seria estranha ao universo do próprio Bach, evocando a monumentalidade do templo paulistano por meio de fugatos tipicamente barrocos. O programa chega ao fim retornando ao próprio Bach, com o Prelúdio e Fuga, escrito para órgão e aqui ouvido em arranjo para orquestra assinado pelo maestro Anderson Alves.
PROGRAMA
Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem
O Legado de Bach
Daniel Guedes, regência e violino
Johann Sebastian Bach
Concerto para Violino em Mi Maior
Wolfgang Amadeus Mozart
Sinfonia nº 25 em Sol menor
INTERVALO
Edmundo Villani-Côrtes
Catedral da Sé
Johann Sebastian Bach
Prelúdio e Fuga em Ré menor (arranjo de Anderson Alves)
SERVIÇO
Quando: 28 de abril, terça-feira, às 19h
Onde: Igreja de São Francisco de Paula (Largo São Francisco de Paula, s/n, Centro, Rio de Janeiro)
Ingressos: entrada gratuita
Foto: Renato Mangolin.






