OSB leva Concerto de Páscoa à Igreja de São Francisco de Paula

Nos dias 10 e 11 de abril, a Orquestra Sinfônica Brasileira apresenta concertos especiais de Páscoa na Igreja São Francisco de Paula. Sob a regência de Fernando Cordella, a OSB contará ainda com as participações especiais da soprano Marília Vargas e da mezzosoprano Diana Danieli. No repertório, obras de Giovanni Battista Pergolesi e Johann Sebastian Bach.

O catálogo de Bach está repleto de obras arranjadas, de versões que ele criou a partir de peças de outros compositores para se familiarizar com as técnicas e dissecar as suas estruturas musicais. É curioso, no entanto, que Bach, aos 61 anos, tenha voltado os seus olhos para o trabalho de um compositor 25 anos mais jovem, transpassando a fronteira geracional, mas também religiosa (ele era protestante; o italiano, católico) e estilística. O gesto soa menos como uma ímpeto de aprendizagem e mais como um ato humilde de admiração por Pergolesi, que apesar da morte precoce aos 26 anos, conseguiu projetar o seu nome através da Europa, sobretudo por obras como La Serva Padrona e o próprio Stabat Mater. Escrita para duas vozes solistas, cordas e baixo contínuo, a obra de Pergolesi distribui os vinte versos da sequência litúrgica em doze movimentos, alternando árias e duetos numa textura intimista e expressiva.

Ao adaptar a obra, Bach substituiu o texto latino pelo Salmo 51 em alemão (Tilge, Höchster, meine Sünden), e a figura de Maria cede lugar ao pecador arrependido, mas a intensidade dramática da música de Pergolesi permanece intacta, agora a serviço da contrição humana diante de Deus. O resultado é um trabalho brilhante de assimilação no qual Bach absorve o estilo galante do Rococó e o integra ao seu próprio universo do Barroco, propiciando um convívio luminoso de atitudes composicionais distintas.

Do drama eclesiástico, o programa parte para uma atmosfera mais jubilosa com o solar Concerto de Brandemburgo nº 5. O trabalho integra uma série de seis composições provavelmente escritas ao longo de vários anos e reunidas em 1721, quando foram dedicadas a Christian Ludwig, Margrave de Brandemburgo, daí o nome. Pode-se vislumbrar o conjunto como uma visão panorâmica do mestre barroco sobre o gênero concerto, a forma de larga escala mais importante do gênero instrumental da sua época. O quinto, especificamente, é um caso primoroso tanto no manejo da forma quanto no tratamento dos solistas – aqui três: cravo, flauta e violino.

O cravo, geralmente relegado a um papel menos proeminente neste tipo de formação, colorindo o conjunto e criando estabilidade rítmica, é convocado como figura de destaque já nos primeiros compassos do primeiro movimento, com uma atuação que culminará posteriormente em uma cadência virtuosística. A atenção ao instrumento de teclas, no entanto, não ofusca a participação da flauta e do violino, que também engajam nesse discurso orquestral com virtuosidade e energia. O segundo movimento, Affettuoso, é uma melancólica trio sonata emoldurada na comovente tonalidade de Si menor, e o energético Finale é um híbrido de giga e fuga de delicioso diálogo entre os músicos.


Orquestra Sinfônica Brasileira

Concerto de Páscoa

Fernando Cordella, regência
Marília Vargas, soprano
Diana Danieli, mezzosoprano

Giovanni Battista Pergolesi (transcrição de Johann Sebastian Bach)
Stabat Mater / Tilge, Höchster, meine Sünden BWV 1083

INTERVALO

Johann Sebastian Bach
Concerto de Brandemburgo nº 5
Suite orquestral nº 1 em Dó maior, BWV 1066


Quando: 10 de abril, sexta-feira, às 19h / 11 de abril, sábado, às 16h
Onde: Igreja Francisco de São  de Paula (Largo São Francisco de Paula, s/n, Centro, Rio de Janeiro)
Ingressos: entrada franca


Foto: Renato Mangolin.