Resumo da ópera 2025

Um balanço da temporada lírica brasileira e a indicação dos melhores do ano.

Encerrado mais um ano lírico no país, Notas Musicais publica o seu já tradicional balanço da temporada brasileira de óperas. Começamos com um resumo do que aconteceu nos nossos principais teatros, uma homenagem especial àquela que é a mais importante produtora independente de óperas no Brasil e as perspectivas para 2026. Passamos então a apresentar as nossas indicações dos melhores do ano. Em seguida, lembramos os artistas e profissionais ligados ao meio musical que nos deixaram ao longo de 2025, e terminamos com a citação, mês a mês, de vários eventos relevantes ligados à ópera que aconteceram em diversas partes do país, bem como mencionamos também algumas participações e conquistas de artistas brasileiros no exterior.


Cena de Friedenstag no TMSP, com o barítono Leonardo Neiva ao centro (foto: Rafael Salvador)

A casa de ópera brasileira com o maior orçamento entre os seus pares deveria se destacar, sobretudo, pelo alto nível das suas produções artísticas. Infelizmente, não é o que acontece no Theatro Municipal de São Paulo. É verdade que duas das suas montagens líricas ao longo de 2025 alcançaram grande destaque (não por acaso, exatamente aquelas que não contaram com a participação do seu regente titular), a ponto de serem indicadas por Notas Musicais entre as melhores do ano. Apesar disso, as polêmicas causadas tanto por duas outras montagens cênicas de péssima qualidade, quanto pela patrulha política sofrida pela gestora da casa (a organização social Sustenidos) se sobrepuseram à arte. Quando esse tipo de politicagem chama mais atenção que a produção artística, há algo que vai muito mal.

Cena de O Guarani no TMSP, com a soprano Laura Pisani, de branco (foto: Larissa Paz)

Abordemos primeiro a temporada regular do Municipal paulistano. Ainda no começo de fevereiro, a Sustenidos anunciou que o argentino Hernán Sánchez Arteagra estava assumindo o cargo de regente titular do Coro Lírico Municipal, substituindo a competente Érika Hindrikson, que atuou como interina por cerca de um ano. E já em 15 de fevereiro, o TMSP abriu a sua temporada lírica com a remontagem da ópera 0 Guarani, de Carlos Gomes, apresentada originalmente em 2023 (crítica aqui e um artigo aqui). Se, como na montagem original, a encenação teve os seus altos e baixos, o desempenho musical foi bem positivo.

Em maio, aconteceu a primeira grande polêmica do ano: entre os dias 02 e 10, foi apresentado um Don Giovanni – não exatamente a obra-prima de Wolfgang Amadeus Mozart, mas uma versão adaptada pelo encenador de ocasião, repleta de falhas dramatúrgicas e que mutilou os recitativos da obra, substituindo-os por diálogos falados, em sua maior parte de péssimo gosto e com provocações políticas baratas.

Tal montagem descartável levou este autor a escrever, algumas semanas depois, um artigo sobre a baixa qualidade geral da gestão artística da Sustenidos. Até hoje, uma das perguntas do artigo continua no ar: quem responde atualmente pela gestão artística do TMSP? Não se sabe quem é esse(a) profissional, pois a Sustenidos não responde. E só nos resta concluir que tal ausência de resposta parece demonstrar certa vergonha diante de escolhas constrangedoras.

Ainda em maio, a Sustenidos informou que o TMSP passaria por um processo de restauro e modernização e que, entre maio e julho, diversas atividades aconteceriam na Central Técnica de Produções Chico Giacchieri, incluindo exposições, uma peça de teatro, oficinas, visitas e uma ópera dentro do projeto Ópera Fora da Caixa: a contemporânea O Afiador de Facas, de Piero Schlochauer.

Em junho, aconteceu talvez o mais relevante concerto do ano da Orquestra Sinfônica Municipal, que apresentou o War Requiem (Réquiem de Guerra), de Benjamin Britten, que contou com a participação da excelente soprano galesa-ucraniana Natalya Romaniw. No fim do mesmo mês, a Sustenidos lançou a campanha Amigos do Municipal, para doações de pessoas físicas com incentivo fiscal.

Foi somente em julho, já no meio do ano, que o TMSP finalmente conseguiu apresentar uma produção de qualidade geral acima da sua média, com a dobradinha formada pelas óperas Le Villi (As Willis), de Giacomo Puccini, e Friedenstag (Dia de Paz), de Richard Strauss (críticas aqui e aqui). A dobradinha, incluindo uma obra então inédita na América Latina, mereceu indicações dentre os melhores do ano, como se verá adiante.

Cena do balé das willis em Le Villi, no TMSP (foto: Rafael Salvador)

Em setembro, o Theatro Municipal de São Paulo completou 114 anos e realizou o evento Abram Alas 2025, Ampliando Vozes, Transformando a Indústria, durante o qual também aconteceu o Fórum de Mulheres na Ópera Latinoamérica (OLA). No mesmo mês, entre os dias 19 e 27, aconteceu a aguardada montagem da ópera Porgy and Bess, de George Gershwin. Apresentada com uma amplificação irregular, que puxou para baixo o equilíbrio musical, a encenação teve mais aspectos positivos que negativos.

Em outubro, aconteceu no dia 03 o concerto Bizet e seus Contemporâneos, em que a Orquestra Sinfônica da casa acompanhou solistas da Academia da Ópera de Paris, dentre os quais dois brasileiros: a soprano Lorena Pires, e o baixo-barítono Luis Felipe Sousa. Já na semana da criança, em programa da Orquestra Experimental de Repertório, foi apresentada a ópera Hänsel und Gretel (João e Maria), de Engelbert Humperdinck.

No último dia de outubro, e adentrando o mês de novembro até o dia 09, a ópera Macbeth, de Giuseppe Verdi, foi a segunda grande decepção do ano na casa, com uma encenação em sua maior parte feia, dramaticamente pobre, e acrescida de dois vídeos completamente desnecessários.

Mudando da água para o vinho, entre 26 de novembro e 04 de dezembro, como parte das celebrações do chamado Ano da França no Brasil, Les Indes Galantes, de Jean-Philippe Rameau, foi a produção que encerrou a temporada lírica do TMSP. Sua realização foi não apenas um primor musical, mas uma aula da diretora e coreógrafa francesa Bintou Dembélé sobre como unir manifestações artísticas contemporâneas a uma obra específica do passado.

O tipo de encenação ali apresentado, claro, não cabe em qualquer ópera (dificilmente funcionaria, por exemplo, com obras de Verdi ou de Puccini), mas “casou” perfeitamente com a obra de Rameau, ressaltando os seus aspectos essenciais e – mais importante até – sem desvalorizar a ópera enquanto forma de arte, sem encontrar necessidade de incluir enxertos musicais descabidos. E isso, mesmo considerando os cortes musicais. Alguns desses cortes, ok, foram desnecessários, mas, como pontuou Fabiana Crepaldi em sua crítica, talvez tenham sido realizados para facilitar a itinerância do espetáculo.

Cena de Les Indes Galantes (foto: Rafael Salvador)

A patrulha política disfarçada de “interesse” pela arte

É incontornável abordar ainda, em relação ao ano do Theatro Municipal de São Paulo, as polêmicas que envolveram a gestão da instituição e as interferências de natureza política. Antes de setembro, a Sustenidos já vinha sendo acusada, por gente ligada à extrema-direita, de tocar a gestão do TMSP com base em ideologias de esquerda. E, embora a organização social refute essa acusação, a montagem de Don Giovanni, da maneira como foi realizada, reforça a tese – goste disso ou não a Sustenidos.

Muito bem: a questão é que, no meio artístico, estranho seria não ser de esquerda, de forma que uma gestão dita “à esquerda” em um espaço de arte não chega a surpreender, ainda que, muitas vezes, esse alinhamento fique apenas no discurso.

Quando setembro chegou, e com ele uma postagem realizada por um funcionário do TMSP (contratado pela Sustenidos) em sua rede social particular, esta foi o estopim para a intensificação dos ataques sofridos pela Sustenidos. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, ao se ver pressionado pelos seus amiguinhos da extrema-direita, acusou o golpe e anunciou a decisão de rescindir o contrato com a O.S. gestora do Municipal (detalhes aqui).

Ainda em setembro, no fim do mês, foi colocada em consulta pública a minuta do chamamento para a escolha da nova organização social que passará a administrar o Municipal de São Paulo – uma minuta cheia de problemas, especialmente em relação a determinações contraditórias e/ou pouco claras, além de critérios de pontuação bastante subjetivos.

Como as atitudes “à esquerda” da Sustenidos têm limites, mais adiante, na récita da ópera Macbeth do dia 07 de novembro, um protesto de artistas do TMSP contra a O.S. expôs o afastamento do contrabaixista Brian Fountain (músico da Orquestra Sinfônica Municipal e presidente da Associação dos Músicos do Theatro Municipal – Amithem) por ele ter publicado críticas em suas redes sociais a respeito da encenação da ópera de Verdi.

No começo de dezembro, a Fundação Teatro Municipal lançou o edital de chamamento definitivo, com várias alterações em relação à minuta inicial, mas ainda com margem para muitas críticas. Tanto que, na sexta-feira passada, dia 19, correu a notícia de que o Tribunal de Contas do Município de São Paulo determinou a suspensão do edital. Notas Musicais detalhou aqui os motivos para tal suspensão. Tudo indica que esse edital ainda vai “render” muita discussão, desentendimentos, polêmicas e, claro, recursos administrativos e até judiciais depois da escolha da nova (“nova”?) O.S.

Aguardemos os próximos capítulos. Por ora e por fim, é importante dizer que os políticos de direita ou extrema-direita que, já há algum tempo, patrulham a gestão da Sustenidos no TMSP teriam muito mais dificuldades para exercer essa prática baixa se a gestão artística da casa fosse de boa qualidade. Não é. E não sendo, facilita a vida de aproveitadores que só buscam holofotes.


Cena de Falstaff no Theatro São Pedro-SP. com Rodrigo Esteves à direita (foto: Íris Zanetti)

Se no Centro de São Paulo o ano foi mais do que agitado, na Barra Funda foi de calmaria – talvez calmaria em excesso. O Theatro São Pedro apresentou apenas três produções profissionais ao longo do ano, sendo que uma delas nem ópera era. Dois programas (o Atelier de Composição Lírica, previsto para novembro, e a opereta Orfeu nos Infernos, prevista para dezembro) foram adiados para 2026, sob a justificativa de que a casa precisava passar por reformas. Em comunicado oficial, a Santa Marcelina Cultura, gestora do São Pedro, reconheceu que as intervenções realizadas entre o fim de 2024 e o começo de 2025 foram “paliativas”. Como a programação de concertos seguiu normalmente até o fim do ano, resta-nos observar se… não serão necessárias mais reformas no curto ou médio prazo.

O ano operístico da casa começou no dia 18 de abril, com uma boa montagem de Fidelio, de Ludwig van Beethoven. Boa, mas sem causar grande empolgação, especialmente por estar pautada em uma direção musical frágil.

Como a produção seguinte não foi uma ópera (a confusa, enfadonha e dispensável Oposicantos, de Flo Menezes, apresentada entre 03 a 06 de julho), o São Pedro só voltou a apresentar uma ópera em nível profissional em agosto, entre os dias 15 e 24, com a bela montagem de Falstaff, de Verdi, uma das produções mais equilibradas do ano no país e que, exatamente por isso, está entre as nossas indicações de melhores do ano.

No restante do ano, a programação profissional da casa centrou-se em concertos (puros ou encenados) e recitais, e houve até um espetáculo relevante de dança. Este aconteceu entre os dias 04 e 07 de setembro, em parceria com a São Paulo Companhia de Dança (SPCD): foi o balé Suíte de O Sonho de Dom Quixote, de Márcia Haydée, com música executada ao vivo pela Orquestra do Theatro São Pedro, em conjunto com integrantes da Banda Jovem do Estado.

Cena de Fidelio no Theatro São Pedro-SP (foto: Íris Zanetti)

Também em setembro, em parceria com o Instituto Cervantes, o São Pedro apresentou um Recital de Música Española y Zarzuela com a mezzosoprano Marina Pardo. Mais adiante no mesmo mês, entre os dias 19 e 21, foi a vez de uma versão encenada do Réquiem de Gabriel Fauré.

Em outubro, um concerto celebrou o intercâmbio entre a Santa Marcelina Cultura, gestora do Theatro São Pedro, e a Academia da Ópera de Paris, reunindo 70 músicos – sendo 35 alunos dos grupos artísticos de bolsistas da Escola de Música do Estado de São Paulo – EMESP Tom Jobim e 35 músicos do programa ADO – Apprentissage de l’Orchestre – da Academia da Ópera Nacional de Paris.

Em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a casa apresentou o concerto A Ópera Sobe o Morro, em homenagem à cultura afro-brasileira, e nos dias 19 e 21 de dezembro, uma Gala Lírica com a Orquestra do Theatro São Pedro e solistas convidados encerrou a temporada 2025 da casa.

Academia de Ópera e Orquestra Jovem do Theatro São Pedro

A Academia de Ópera e a Orquestra Jovem do Theatro São Pedro apresentaram as suas duas produções tradicionais ao longo da temporada. Entre o fim de maio e o começo de junho, a ópera O Barbeiro de Sevilha, não a de Rossini, mas a de Giovanni Paisiello.

Em julho, foi a vez do espetáculo Brincando em Cena, que mesclou ópera e improvisação, com a interpretação de trechos de óperas. E, em outubro, os dois grupos apresentaram a ópera Candinho, de João Guilherme Ripper.

A temporada dos conjuntos jovens foi concluída no começo de dezembro, com um recital de gala.


Cena de Madama Butterfly em TMRJ (foto: Daniel Ebendinger)

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresentou uma temporada lírica regular em 2025. Se, ao contrário dos últimos dois anos (com La Traviata, em 2023, e Rusalka, em 2024), não houve nenhuma produção que tenha alcançado um elevado nível artístico, também não houve nenhuma vergonha como o Don Giovanni do TMSP.

Como vem acontecendo nos últimos anos, a casa abriu a sua temporada no dia 13 de março sem ter anunciado a programação completa para o ano. O concerto da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal com obras de Johann Strauss II, confesso, não me animou a sair de casa. Foi somente depois desse concerto que o TMRJ finalmente anunciou a sua programação para o ano, que analisamos neste artigo.

A primeira ópera – na verdade opereta – foi A Viúva Alegre, de Franz Lehár, que abriu a temporada lírica da casa no dia 17 de abril: uma produção mediana, que sofreu especialmente com a ausência de uma verdadeira direção musical.

Ainda em abril, no fim do mês, o TMRJ anunciou o retorno, depois de mais de duas décadas, do projeto Ópera do Meio-Dia, que oferece espetáculos de pequeno porte, com trechos de óperas interpretados por membros do Coro da casa. O primeiro título apresentado foi Don Pasquale, de Gaetano Donizetti. Ao longo do ano, seriam ainda exibidos trechos de L’Italiana in Algeri, de Rossini; Turandot e La Bohème, de Puccini.

Em maio, a casa anunciou a aprovação, por parte do governo estadual, de um concurso há muito tempo esperado para reforçar tanto os seus corpos artísticos (que são complementados por contratados já há vários anos), quanto as suas equipes técnica e administrativa.

Cena de Os Pescadores de Pérolas no TMRJ (foto: Daniel Ebendinger)

Depois de um concerto em junho, da Série Música Brasileira em Foco, o mês de julho trouxe ao TMRJ o tradicional dia de portas abertas (no seu aniversário de 116 anos) e também a ópera Os Pescadores de Pérolas, de Georges Bizet, que teve récitas oficiais entre os dias 16 e 26. A produção recebeu uma bela encenação, e contou com um elenco dividido entre cantores mais bem preparados e outros nem tanto. Ainda em julho, o Municipal do Rio anunciou a renovação do contrato de patrocínio com a Petrobras, no valor de R$ 30 milhões.

No mês de setembro, como já se tornou tradição, entre os dias 08 e 14 aconteceu o III Festival Oficina da Ópera, apresentando as óperas Dido e Eneas, de Henry Purcell; O Afiador de Facas, de Piero Schlochauer; além da cantata cênica Carmina Burana, de Carl Orff. Esta última recebeu uma encenação ousada e provocativa na medida exata, e em total harmonia com o “espírito” da obra.

Cena de Carmina Burana no TMRJ (foto: Daniel Ebendinger)

No dia 11 de outubro, aconteceu no TMRJ o mesmo concerto Bizet e seus Contemporâneos (com a Orquestra Sinfônica da casa acompanhando os solistas da Academia da Ópera de Paris) que foi apresentado no TMSP. No dia das crianças, 12 de outubro, a casa apresentou o espetáculo Brincando de Ópera, na sua Série Música no Assyrio.

Novembro teve, no dia 22, o concerto Spirituals, com membros do Coro e músicos da casa, mas o principal espetáculo do mês foi a ópera Madama Butterfly, de Puccini, que encerrou muito bem o ano lírico do Municipal do Rio.

Na temporada de balés, o TMRJ apresentou O Lago dos Cisnes (de 14 a 25 de maio); O Corsário (de 14 a 24 de agosto); Frida (de 25 a 31 de outubro); além de O Quebra-Nozes (de 12 a 28 de dezembro, portanto ainda em cartaz). O Ballet do Theatro Municipal ainda excursionou pelo Uruguai em novembro.

E foi exatamente um balé o grande destaque de toda a programação de 2025 do Municipal: a coreografia contemporânea Frida, um espetáculo impactante, com concepção, direção e coreografia de Reginaldo Oliveira, bailarino e coreógrafo brasileiro radicado na Áustria, onde criou originalmente este espetáculo deslumbrante, ao mesmo tempo moderno, inteligente, belo, ousado e emocionante, inspirado em acontecimentos da vida da homenageada, a pintora mexicana Frida Kahlo. E que, na récita a que assisti, ainda contou com uma performance arrebatadora da primeira-bailarina Márcia Jaqueline.

Cena de Frida no TMRJ, com Márcia Jaqueline à frente (foto: Daniel Ebendinger)

Em Manaus, depois do cancelamento ocorrido em 2024, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) finalmente realizou a sua 26ª edição. O evento apresentou a nova ópera de João Guilherme Ripper, La vorágine, e ainda La Bohème, de Puccini (em forma de concerto), e As Bodas de Fígaro, de Mozart. A programação foi complementada com concertos e recitais, além de um espetáculo itinerante.

La Voragine foi fruto de uma parceria com instituições da Colômbia, onde teve a sua estreia mundial entre o fim de fevereiro e o começo de março, no Teatro Colón, de Bogotá. A obra foi encomenda pelo Centro Nacional de las Artes e pela Compañia Estable, em comemoração ao centenário da primeira edição do romance homônimo, de José Eustasio Rivera.

Em Belém, o XXIV Festival de Ópera do Theatro da Paz apresentou, em abril, a ópera contemporânea Cobra Norato – Terras do Sem Fim, de André Abujamra, e, em novembro, I-Juca Pirama, de Gilberto Gil e Aldo Brizzi (com base no poema de Gonçalves Dias), além de um concerto lírico no meio do ano. Conclua o leitor por si mesmo a relevância dessa “programação”.

Bem mais relevante foi a carta aberta emitida em novembro pelos músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, na qual estes denunciaram a situação do conjunto, que enfrenta “descaso e desvalorização”, sem reajuste salarial há quatro anos e com atrasos frequentes nos seus pagamentos. Os músicos afirmaram ainda: “Trabalhamos sem calendário definido, sem agenda clara e sem condições adequadas de preparação para os repertórios”. Os profissionais também demonstraram preocupação sobre o fim do contrato com a organização social que os administra (previsto para este fim de ano): “não sabemos se haverá recontratação, se serão abertas novas audições ou se simplesmente se pretende encerrar o projeto artístico que há décadas representa o Pará”.

E por fim questionaram a postura da secretária de Cultura do Pará, Úrsula Vidal: “Some-se a isso a postura da Secretaria de Cultura do Estado, cuja titular tem se mostrado completamente omissa diante da situação. A sua presença no Theatro da Paz só é notada em concertos ligados a grandes eventos oficiais, enquanto os problemas cotidianos que ameaçam a sobrevivência da orquestra são ignorados”. E o argumento definitivo: “a cidade que receberá uma conferência global sobre sustentabilidade não consegue garantir a sustentabilidade cultural e humana de seus próprios artistas”.

Em resposta enviada à Revista Concerto, a secretaria de Cultura do Pará afirmou que os rapasses financeiros à organização social são enviados dentro do prazo, que houve reajuste no início do contrato vigente e que o chamamento público para a escolha da organização social que administrará a orquestra a partir do próximo ano foi publicado no começo de novembro.

Cena de Cavalleria Rusticana no Palácio das Artes (foto: Guto Muniz)

Em Belo Horizonte, a Fundação Clóvis Salgado apresentou no Palácio das Artes, entre os dias 17 e 20 de maio, uma remontagem da ópera Matraga, de Rufo Herrera (com base no conto A hora e vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa). Em agosto, entre os dias 06 e 10, foi a vez de Cavalleria Rusticana, ópera de Pietro Mascagni.

E, dentre os principais destaques da temporada de concertos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, merecem menção, em março, a apresentação em forma de concerto da cantata cênica Carmina Burana, de Carl Orff, e, em abril, o oratório Messias, de Händel.


Mais relevante produtora independente de óperas do país, a Cia Ópera São Paulo chegou em 2025 à sua 35ª temporada. Capitaneada por Paulo Esper (que recebeu uma homenagem de Notas Musicais quando da sua participação, em novembro, na I Conferenza Internazionale dell’Italofonia, em Roma), a Cia é, certamente, a principal responsável por promover e abrir espaço para jovens cantores líricos no Brasil, e também por levar a ópera a cidades do interior. Por isso, passa a receber a partir deste ano, aqui no nosso Resumo da Ópera, um subtítulo exclusivo para as suas realizações.

Suas atividades começaram cedo, em fevereiro, homenageando o baixo-barítono Licio Bruno, que passou a integrar a lista de Grandes Vozes da Cia. Em março, entre os dias 23 e 30, aconteceu a 23ª edição do Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas. Neste ano, os principais vencedores foram a soprano Pollyana Santana e o tenor Wilken Silveira.

Em abril, o projeto A Caminho do Interior – Ópera (realizado pelo Consulado Geral da Itália em São Paulo, pelo Istituto Italiano di Cultura San Paolo e pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), com produção dos Amigos da Ópera de Jacareí e da Cia Ópera São Paulo) deu início à sua temporada, que percorreria 21 cidades do estado de São Paulo apresentando os espetáculos Nessun Dorma – a Magia da Ópera Italiana, espetáculo cênico apresentado na maioria das cidades; Il Bel Canto Italiano, apresentado apenas em Jundiaí, em outubro; e a Trilogia Verdiana, que em agosto levou a São Paulo e a Santo André os atos finais das óperas Il Trovatore, Rigoletto e La Traviata.

No começo de maio, foi lançado Se não é agudo, é grave — Encontro de gerações na ópera, novo e belo projeto realizado pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA) e pela Cia Ópera São Paulo. Idealizada por Paulo Esper, a iniciativa promoveu sete ciclos até o mês de novembro, nos quais jovens cantores líricos tiveram a oportunidade de trabalhar trechos de uma determinada ópera com um artista brasileiro experiente e já consagrado. Cada ciclo contou com uma semana de preparação e com a apresentação de um recital no Teatro Sérgio Cardoso. Os artistas que ministraram as aulas ao longo do ano foram Céline Imbert (Carmen); Inácio de Nonno (O Barbeiro de Sevilha); Adelia Issa (Dido e Aeneas); Mauro Wrona (El Niño Judío); Leila Guimarães (Fosca); Eduardo Janho-Abumrad (Salvator Rosa); e Fernando Portari (Werther).

Nos dias 07 e 08 de junho, aconteceu na cidade de Araras o 2º Encontro de Ópera Brasileira, promovido pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, através da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), com direção artística de Paulo Esper, idealizador do Encontro. Durante o evento, foram apresentadas as óperas Navalha na Carne, de Leonardo Martinelli (que também teve uma récita em São Paulo), e O Menino e a Liberdade, de Ronaldo Miranda.

Daniel Gonçalves, Laura Verrecchia e Simone Piazzola (foto: José Luiz)

Em 24 de agosto, uma parceria entre a Cia Ópera São Paulo, o Consulado Geral da Itália em São Paulo, o Istituto Italiano di Cultura San Paolo e a organização social Sustenidos promoveu o recital Gala de Ópera Italiana, com o barítono Simone Piazzola, a mezzosoprano Laura Verrecchia e a soprano Greta Cipriani. E no final do mesmo mês, outra parceria com a companhia chilena Lírica Disidente resultou em uma montagem provocadora de Don Giovanni, de Mozart, no Centro Cultural CEINA, em Santiago, que focou em temas como poder, desejo e impunidade, questionando o mito do sedutor com uma visão atual e latino-americana.

No começo de setembro, a ópera Domitila, de João Guilherme Ripper, foi apresentada dentro do Festival Toriba Musical, em produção da Cia Ópera São Paulo.

Também em setembro, uma parceria entre o Istituto Italiano di Cultura Rio de Janeiro, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Sustenidos, a Cia Ópera São Paulo e a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro apresentou no TMRJ o concerto Ópera Gala, com cantores brasileiros e italianos interpretando trechos de óperas. O mesmo concerto, mas com acompanhamento de piano, foi apresentado em Fortaleza (CE) e em Teresina (PI).

No fim de setembro, a organização do Concurso Maria Callas abriu as inscrições para a 24ª edição do tradicional certame, que será realizado de 15 a 22 de março de 2026.


Quem aposta ou já apostou em alguma coisa conhece bem a regra: as chances de perder/errar são infinitamente maiores que aquelas de ganhar/acertar. E “apostas” parecem ser exatamente o que a Sustenidos tem feito ao escolher os(as) encenadores(as) para dirigir a maioria das óperas do Theatro Municipal de São Paulo. Não seria exagero dizer que a direção da casa tem confiado parte considerável das encenações a um tipo de profissional – a maioria ligada ao teatro de prosa – que só vai à ópera a trabalho, ou seja, quando é para receber cachê. Se não for para isso, nem pensa em pôr os pés em um teatro lírico.

Consequentemente, esse(a) profissional, na maioria das vezes, não conhece as necessidades básicas de uma ópera, não entende que os cantores precisam de condições adequadas para exercer o seu ofício, e acha que um cenário minimalista, bem aberto, é a quintessência da criatividade (como se isso já não tivesse sido “experimentado” dezenas de vezes somente no Brasil…).

Pois bem, a programação de óperas do TMSP prevista para 2026 (“prevista”, porque não está claro se há obrigatoriedade de esta ser mantida no caso de troca de gestão) começa no fim de fevereiro exatamente com uma aposta que deu certo: a remontagem de O Amor das Três Laranjas, de Sergei Prokofiev (belíssima encenação de Luiz Carlos Vasconcelos que será remontada por Ronaldo Zero). Em seguida, respectivamente em maio e julho, duas apostas do tipo “tudo contra a banca”: Intolleranza 1960, de Luigi Nono (encenação de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska); e Tristão e Isolda, de Richard Wagner (encenação de Daniela Thomas).

Em setembro, será a vez de Don Carlo, de Giuseppe Verdi (a encenação de Caetano Vilela deverá apresentar a versão italiana em cinco atos). No fim de outubro, estreia a dobradinha formada por Realejo, de Jocy de Oliveira (encenação de Ana Vanessa), e Édipo Rei, de Igor Stravinsky (encenação de Georgette Fadel). E Andrea Chénier, de Umberto Giordano, encerra o ano entre novembro e dezembro, com concepção de Caio Araújo e direção cênica de Carla Camurati – uma meia aposta. Nem é preciso dizer que Roberto Minczuk regerá todos os títulos, privando o público de experimentar uma direção musical que saiba realmente o que está fazendo (como foi o caso, aliás, em Les Indes Galantes). E já que falamos de apostas, eu posso apostar que a imprensa de São Paulo não tocará no assunto, e achará essa onipresença normalíssima.

Ainda em São Paulo, o Theatro São Pedro deverá pagar a sua dívida de 2025, realizando o Atelier de Composição Lírica e montando a opereta Orfeu nos Infernos, de Jacques Offenbach. Outro título praticamente certo da casa deverá ser a ópera-bufa Don Pasquale, de Gaetano Donizetti.

Em Belo Horizonte, a Fundação Clóvis Salgado prevê apresentar no Palácio das Artes uma programação maior que aquela dos últimos anos. Começa em maio, com As Bodas de Fígaro, de Mozart (encenação do italiano Mario Corradi); em julho, será a vez de Viva a Ópera (um espetáculo com trechos de óperas francesas e direção de Pablo Maritano); em setembro, Chica da Silva, de Guilherme Bernstein (encenação de Jorge Takla); e, em outubro, O Maestro de Capela, de Domenico Cimarosa (novamente com encenação de Pablo Maritano).

No Theatro Municipal do Rio, a temporada, como costuma acontecer, ainda é uma incógnita, e só deverá ser confirmada em cima da hora. Quem sabe a direção da casa não nos surpreende desta vez e faz o anúncio antes do concerto de abertura? Uma das produções de 2025 provavelmente será remontada, mas o compasso ainda é de espera. Também em compasso de espera encontra-se o prometido concurso para os corpos artísticos e as equipes da casa: “Todos os documentos preparatórios foram providenciados. O termo de referência, estudo técnico preliminar, mapa de risco, edital do pregão. Agora está na fase de análise jurídica do edital da licitação que vai contratar a banca do concurso”, informa o TMRJ. Além da realização do certame, espera-se também para 2026 que finalmente se tornem perceptíveis as melhorias prometidas ainda em 2024 para o palco da sala de espetáculos.

Em Manaus a situação não é diferente. Ao que tudo indica, depois do cancelamento do ano passado, o Festival Amazonas de Ópera retornou “devagar”, tanto que dois dos títulos cancelados em 2024, Simon Boccanegra e Lakmé, não foram apresentados em 2025. E, sendo assim, torna-se difícil esperar que óperas bem atraentes – e raras no Brasil – que estavam no horizonte do evento (veja aqui) venham mesmo a acontecer nos próximos anos.

Nas temporadas anunciadas até aqui por outros produtores, o ano começará já em janeiro, com duas produções da recém-criada Companhia Brasileira de Ópera de Câmara. Sempre no Teatro B32, em São Paulo, serão apresentadas duas dobradinhas: La Serva Padrona, de Giovanni B. Pergolesi, e La Contadina, de Johann Adolph Hasse (nos dias 21, 22, 23 e 25 de janeiro); e em seguida A Voz Humana, de Francis Poulenc, e Lamento d’Arianna, de Claudio Monteverdi (nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro). Detalhe aqui.

A OSESP apresentará na Sala São Paulo um concerto com trechos de óperas de Wagner no fim de maio e, em agosto, o Réquiem de Verdi, que não é ópera, mas é uma obra-prima de um compositor de óperas. Já a Orquestra Jovem do Estado apresentará trechos de Madama Butterfly, de Puccini, em dezembro.

A série Música pela Cura, da TUCCA, apresentará Dido e Enéas, de Purcell, em novembro, na Sala São Paulo, com o Monteverdi Choir e os English Baroque Soloists. Também da TUCCA, em março, pela série Aprendiz de Maestro, o espetáculo Fígaro e seus Amigos, com trechos de óperas de Rossini, Paisiello e Mozart apresentados na Sala São Paulo e também no Teatro Cultura Artística, pode ser uma excelente porta de entrada para crianças e jovens a esse mundo apaixonante da ópera.

A citada Dido e Enéas também será apresentada em junho, no Teatro Bradesco, em produção da nova Escola de Ópera da ECA-USP, com participação da OCAM. Antes, em abril, na Sala Mina Gerais, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais apresentará um programa duplo, em forma de concerto semiencenado, com as óperas O Segredo de Susanna, de Ermanno Wolf-Ferrari, e O Telefone, de Gian Carlo Menotti. A mesma OFMG programou para agosto, em concertos distintos, o Réquiem de Verdi (dias 13 e 14) e trechos sinfônicos de óperas de Wagner (dia 22).

E no campo dos concertos e recitais internacionais com um cantor solista, o Teatro Cultura Artística receberá, em agosto, o contratenor polonês Jakub Józef Orliński ao lado do grupo Il Pomo d’Oro; e, em setembro, o tenor peruano Juan Diego Flórez.


Este balanço apresenta as indicações dos principais destaques da temporada de óperas pelo Brasil, dentre tudo aquilo que Fabiana Crepaldi e este autor viram e ouviram em 2025, obedecendo às seguintes premissas (atualizadas a partir deste ano):

a) para a indicação de melhor produção de ópera, são consideradas produções brasileiras ou parcialmente brasileiras (por exemplo, quando uma montagem cênica vem do exterior, mas a montagem do elenco, orquestra e coro são brasileiros);

b) para as indicações individuais da área cênica, são considerados somente espetáculos apresentados no Brasil pela primeira vez, de forma que remontagens no mesmo teatro, ou espetáculos trazidos de outros teatros brasileiros (onde estrearam em anos anteriores) não são considerados;

c) para as indicações individuais da área cênica e da área musical, são considerados artistas brasileiros, sul-americanos, ou estrangeiros (não sul-americanos) radicados no Brasil;

d) para categorias com mais de um nome indicado, é observada a ordem alfabética do prenome.

Seguem as indicações:

Grandes destaques do ano: Cia Ópera São Paulo e Les Indes Galantes. A Cia Ópera SP pelos seus 35 anos de contribuição à ópera no Brasil, especialmente pela visibilidade e pela oportunidade dada a jovens cantores líricos; Les Indes Galantes por representar uma parceria internacional do TMSP que finalmente deu certo e pela excelência da sua interpretação musical (realizada por cantores, músicos e regente especializados).

Melhores produções de ópera (empate): Falstaff, apresentada no Theatro São Pedro-SP (direção musical de Ira Levin; direção cênica de Caetano Vilela); e a dobradinha formada por Le Villi (As Willis) e Friedenstag (Dia de Paz), apresentada no Theatro Municipal de São Paulo (direção musical de Priscila Bomfim; direção cênica de André Heller-Lopes). Falstaff por ter sido a produção mais equilibrada do ano considerando todos os seus aspectos (solistas, orquestra, regente, encenação); Le Villi / Friedenstag pela estreia latino-americana do segundo título e pela alta qualidade geral da sua apresentação.

Melhor cantoraLaura Pisani, soprano, pela sua excelente interpretação de Cecilia na remontagem de O Guarani (TMSP), na qual reuniu técnica precisa, um legato primoroso e expressividade.

Melhores cantores (empate)Leonardo Neiva e Rodrigo Esteves, barítonos. Neiva por sua atuação como o Comandante de Friedenstag (TMSP), uma personalidade rigorosa e inflexível que o artista soube moldar à perfeição; e Esteves pela sua interpretação de Falstaff, na ópera homônima (T. São Pedro-SP), cenicamente meticulosa e vocalmente vibrante e expressiva.

Melhor cantora estrangeiraAna Quintans, soprano, pelas suas primorosas interpretações das personagens Hébé, Émilie, Zaïre na ópera Les Indes Galantes (TMSP), em uma grande atuação vocal marcada pela excelência.

Melhores cantores estrangeiros (empate)Robin Adams e Simone Piazzola, barítonos. Robin por seu Wozzeck impressionante na ópera homônima; e Simone pela sua atuação geral na Gala de Ópera Italiana (Cia Ópera São Paulo).

Melhor regente: Leonardo García-Alarcón, por sua condução precisa e especializada de Les Indes Galantes (TMSP), que foi interpretada com vida, pulsação e amplo domínio da obra, moldando um espetáculo marcado pela coesão musical.

Melhor orquestra: Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), pela sua participação na apresentação em forma de concerto semiencenado da ópera Wozzeck, na sua própria temporada, abordando esta obra desafiadora com bravura e qualidade expressiva.

Melhores concertos líricos (empate): The Fairy Queen, de Henry Purcell, com Les Arts Florissants, pela temporada do Teatro Cultura Artística e Wozzeck, de Alban Berg, com a OSESP e solistas convidados.

Revelação: sem indicação.

Melhor encenador: André Heller-Lopes, pela alto nível do seu trabalho na produção completa de Le Villi / Friedenstag (TMSP) e também na versão semiencenada de Wozzeck na Sala São Paulo.

Melhor cenógrafa: Bia Junqueira, pelos excelentes cenários de Le Villi / Friedenstag (TMSP), incluindo a utilização inteligente de um dos elevadores do palco na segunda ópera.

Melhor figurinista: Laura Françozo, por seu trabalho Le Villi / Friedenstag (TMSP), no qual se destacaram os figurinos das willis.

Melhores iluminadores (empate): Gonzalo Córdova (indicado pelo segundo ano consecutivo), pelo ótimo desenho de luz da dobradinha Le Villi / Friedenstag (TMSP), e Paulo Ornellas, pelos belos efeitos alcançados em Madama Butterfly (TMRJ).


Em janeiro, faleceu o coreógrafo e crítico Fábio de Mello, aos 61 anos, por complicações decorrentes da síndrome de Guillain-Barré. Em fevereiro, faleceu o violoncelista Matias de Oliveira Pinto, aos 64 anos, vítima de um acidente automobilístico. Matias era professor da Escola de Música de Münster, na Alemanha, tinha discos gravados e era o diretor artístico do Festival de Ouro Branco, Minas Gerais. Também em fevereiro, perdemos o flautista e professor Ricardo Kanji, aos 76 anos, devido a um tumor no cérebro.

Em abril, morreu em Hartford, nos Estados Unidos, onde vivia, o pianista carioca Luiz de Moura Castro, aos 83 anos. Castro tinha mais de 40 álbuns gravados. Também em abril, faleceu de causas naturais o grande cravista – e um dos mais importantes músicos brasileiros – Roberto de Regina, aos 98 anos. Formado médico, ele dedicou a vida à música, não apenas como instrumentista, mas também como regente e construtor de cravos, atividade esta que iniciou nos anos 1950 e que ajudou a tornar mais em conta os custos para aquisição deste instrumento no país, uma vez que, até então, os cravos eram todos importados. Roberto de Regina era apaixonado pela música barroca, e fez mais de 30 gravações entre álbuns e DVDs. Foi também um dos fundadores da Camerata Antiqua de Curitiba e recebeu da UFRJ o título de Doutor Honoris Causa.

No dia 03 de maio, deixou-nos o encenador franco-libanês Pierre Audi, aos 67 anos. Audi dirigiu a Ópera Nacional Holandesa por 30 anos (1988-2018) e, quando de lá saiu, assumiu a direção do Festival d’Aix-en-Provence. Também em maio, perdemos o compositor e professor Ernst Mahle, aos 96 anos. Alemão de nascimento, mudou-se para o Brasil aos 22 anos, naturalizando-se brasileiro. O compositor, que ocupava a cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Música, escreveu as óperas Maroquinhas Fru-Fru (1974), A Moreninha (1979), O Garatuja (2006), e Isaura (2022). Ainda no mês de maio, foi-se a soprano Maria Lúcia Godoy, aos 100 anos, que teve importante carreira dedicada à música brasileira.

Em junho, faleceu o grande pianista austríaco Alfred Brendel, aos 94 anos; e no fim de julho, o encenador norte-americano Bob Wilson, que apresentou trabalhos tanto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (onde dirigiu a ópera-rock Time Rocker, de Lou Reed, em 1998), quanto no Theatro Municipal de São Paulo (Macbeth, de Verdi, em 2012).

Em agosto, perdemos o pianista gaúcho Miguel Proença, aos 86 anos, devido a uma pneumonia recorrente. Com mais 30 álbuns gravados, Proença também foi um relevante gestor cultural, tendo dirigido a Sala Cecília Meireles e a Escola de Música Villa-Lobos, ambas no Rio de Janeiro.

E, para além das perdas humanas, é preciso registrar também que, ainda em janeiro, um incêndio na editora Belmont Music Publishers, em Los Angeles, nos Estados Unidos, destruiu o acervo do compositor austríaco Arnold Schönberg, incluindo partituras e manuscritos. A editora informou, na ocasião, que parte do acervo já se encontrava em formato digital.


  • FEVEREIRO

– O Festival XI Gramado in Concert apresentou Bastien e Bastienne, de Mozart, no Expogramado.

– Em Recife, o Teatro Hermilo Borba Filho apresentou duas óperas compostas para serem apresentadas de maneira simultânea: o espetáculo Ópera do Claustro reuniu Artista da fome (baseada em um conto de Franz Kafka), de Armando Lôbo; e Desachados e perdidos, de Victor Luiz.

– A organização social Sustenidos abriu as inscrições para a quarta edição do Concurso de Canto Lírico Joaquina Lapinha. Os principais vencedores da edição de 2025, anunciados em junho, foram a soprano Lívia Berrêdo (Prêmio Maria d’Apparecida) e o tenor Mikael Coutinho (Prêmio João dos Reis). Ambos e os demais vencedores participaram do concerto de premiação, no TMSP, no final de julho.

– Foi anunciada a produção do filme Bravo! Carlos Gomes do Brasil, de Ariane Porto, sobre a vida do importante compositor lírico brasileiro. O filme será estrelado pelo tenor Jean William (intérprete de Carlos Gomes) e contará com direção musical de Luiz Fernando Malheiro. A estreia foi anunciada inicialmente para o segundo semestre de 2026, mas essas previsões não costumam ser precisas no cinema. Aguardemos.

  • MARÇO

– No começo do mês, chegou a notícia de que a soprano Lorena Pires seria a primeira mulher brasileira a integrar a Academia de Ópera de um dos mais prestigiados teatros do mundo, a Opéra de Paris. No Brasil, a artista foi aluna do baixo-barítono Licio Bruno na Faculdade de Música do Espírito Santo, e alcançou resultados relevantes em certames, como o segundo lugar no Concurso Natércia Lopes (2023) e o primeiro lugar no Concurso Joaquina Lapinha.

– Também no começo do mês, o maestro Emiliano Patarra anunciou nas suas redes sociais o seu desligamento da direção artística das Orquestras de Guarulhos, projeto que engloba tanto a GRU Sinfônica quanto a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos, e que realizava o Festival de Ópera de Guarulhos.

– O SESC Santo Amaro, em São Paulo, apresentou trechos da ópera O Barbeiro de Sevilha, de Rossini.

– Aconteceu no dia 18 o primeiro Encontros ABM do ano, que abordou ao longo de 2025 diversas questões ligadas à ópera.

– O barítono brasileiro Vinicius Atique realizou a sua estreia europeia, cantando o personagem Valentin, em uma produção do Faust, de Gounod, no Teatro Massimo, de Palermo.

– No fim do mês, foi inaugurado em Porto Alegre o Teatro Simões Lopes Neto (equipamento que integra o Multipalco Eva Sopher), com uma produção da ópera Turandot, de Puccini, realizada por uma parceria entre a Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (CORS) e a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA). Mais adiante, em junho, a CORS anunciou uma programação robusta para o segundo semestre, incluindo apresentações de La Traviata (agosto), O Elixir do Amor (setembro), Il Trionfo del Tempo e del Disinganno, de G. F. Händel, e Em Busca das Paisagens Perdidas, de Vagner Cunha (ambas em outubro), e João e Maria (dezembro), além de um concerto de Natal.

  • ABRIL

– O renomado tenor mexicano Rolando Villazón apresentou um recital de canções, acompanhado pelo harpista Xavier de Maistre, na temporada da Teatro Cultura Artística.

O projeto Terça Lírica, do Memorial do Judiciário do Rio Grande Sul, com elenco da Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (CORS), anunciou a sua temporada, com diversas apresentações de óperas ou trechos de óperas.

– A soprano Pollyana Santana, que já havia vencido o Concurso Maria Callas no mês anterior, venceu também o Concurso Jovens Solistas da Osesp.

– A Orquestra Acadêmica de São Paulo e o Coral da Cidade de São Paulo apresentaram em forma de concerto a cantata cênica Carmina Burana, de Orff, e passagens da nova ópera Édipo Rei, de Luciano Camargo.

– A Orquestra Jovem do Estado apresentou uma Gala Lírica na Sala São Paulo.

– Quase no fim do mês, a Ópera de Tenerife, na Espanha, anunciou uma temporada em que o Brasil esteve/estará bastante presente, com Domitila, ópera de João Guilherme Ripper (setembro), em montagem que já havia passado por Madrid e Bogotá; Yerma, ópera de Heitor Villa-Lobos (outubro), que teve regência de Luiz Fernando-Malheiro; e Romeu e Julieta, de Gounod, que, em março de 2026, terá encenação de André Heller-Lopes. A montagem de Yerma foi fruto de uma coprodução entre o Auditório de Tenerife, o Teatro de la Zarzuela (de Madrid), e o Festival Amazonas de Ópera (onde espera-se que seja apresentada em breve).

  • MAIO

– O barítono brasileiro Paulo Szot estrelou em Londres, entre maio e junho, no National Theatre of Great Britain, o último musical de Stephen Sondheim, Here we are.

– A OSPA realizou um concerto lírico tanto em Caxias do Sul quanto na capital gaúcha, apresentando trechos de ópera. Sob a regência de Manfredo Schmiedt, participaram a soprano Carla Domingues e o tenor Martin Muehle.

– A Orquestra Sinfônica de Campinas apresentou um programa com trechos de óperas de Richard Wagner.

– A Orquestra Sinfônica da Bahia apresentou um concerto com trechos de óperas italianas.

– O Vitória Ópera Estúdio abriu inscrições para a sua sexta edição, que, em julho, apresentou com os seus alunos a ópera La Molinara, de Giovanni Paisiello.

  • JUNHO

– A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais apresentou em forma de concerto semiencenado a ópera A Hora Espanhola, de Ravel.

– A ópera Auto da Catingueira, do compositor brasileiro Elomar Figueira Mello, foi apresentada entre junho e setembro em cinco cidades holandesas, com direção cênica de André Heller-Lopes.

– A soprano gaúcha Gabriella di Laccio recebeu da coroa britânica o título de MBE (Member of the Most Excellent Order of the British Empire), por seu trabalho à frente da fundação Donne – Women in Music, a qual atua pela equidade de gênero na música, bem como para dar visibilidade a compositoras.

– A Companhia de Ópera da Lapa apresentou La Traviata, de Verdi, dentro da programação da Sala Cecília Meireles.

– Entre os dias 17 e 20, instituições brasileiras participaram em Valência, na Espanha, da 18ª Conferência Anual de Ópera Latinoamérica (OLA).

– A ópera Bastien e Bastienne, de Mozart, foi apresentada pela USP Filarmônica nas cidades de Ribeirão Preto (Teatro Pedro II) e São Carlos (Teatro Municipal de São Carlos).

– O Concurso de Canto Natércia Lopes, promovido pela Companhia de Ópera do Espírito Santo, abriu inscrições para a sua quarta edição. Os vencedores foram anunciados em setembro: o barítono Robert Willian venceu a categoria de 18 a 25 anos; a soprano Vanessa de Melo Lacerda, a categoria de 26 a 34 anos; e a soprano Tatiane Reis da Silva, a categoria a partir de 35 anos.

– A Orquestra Ouro Preto estreou na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, a ópera Feliz Ano Velho, de Tim Rescala, uma adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva. Mais adiante, em agosto, o conjunto levou a ópera ao Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

  • JULHO

– O Coletivo Ubuntu Brasileiro apresentou uma releitura da ópera Carmen, com elenco totalmente formado por artistas negros, no Conservatório de Tatuí e no Festival de Inverno de Campos do Jordão.

– No Sesc Ceilândia, em Brasília, com participação da Orquestra Ars Hodierna, foi apresentada a estreia da ópera Marielle, de Jorge Antunes, sobre a vereadora carioca cruelmente assassinada em 2018.

– No dia 31, finalmente chegou aos cinemas o documentário Aldo Baldin, uma Vida pela Música, dirigido por Yves Goularte, que conta a história do tenor catarinense que fez importante carreira internacional.

  • AGOSTO

– A Orquestra Ouro Preto apresentou no Theatro Municipal de São Paulo a ópera Hilda Furacão, de Tim Rescala, que posteriormente seria levada a Belo Horizonte, Rio de Janeiro (setembro), Curitiba e Boa Vista (outubro).

– Entre os dias 08 e 10, a Companhia de Ópera do RS (CORS) realizou a primeira edição do Festival TriÓpera, enfatizando os três eixos de sua atuação: formação, programação e circulação pelo interior do Estado. Foram apresentados três espetáculos: Vozes do Amanhã; Nossas Vozes, Nossas Óperas; e Todas as Vozes.

– O Coletivo das Artes de Vila Velha promoveu o I Festival de Ópera Capixaba, no Cineteatro das Artes, em Vila Velha. Foi apresentada a ópera Serafim e o lugar onde não se morre, de Guilherme Bernstein, além de produções de menor porte, óperas comentadas, uma gala lírica e uma masterclass com a soprano Adriane Queiroz.

– No CCBB-RJ, foi apresentada a ópera infantil A Menina, o Caçador e o Lobo, do compositor português Vasco Mendonça, que depois seguiu para o Festival de Óbidos, em Portugal (setembro), onde foi apresentada em programa duplo com L’Enfant et les sortilèges, de Ravel, com encenação do brasileiro André Heller-Lopes.

– A Dellarte trouxe ao Rio de Janeiro e a São Paulo, nos dias 26 e 28 de agosto, o recital Le Voci del San Carlo di Napoli, com alunos da Academia de Ópera da tradicional casa italiana.

– No dia 31, a soprano Carolina Morel e o barítono Calebe Faria, cantores do Coro do TMRJ apresentaram na Sala Cecília Meireles o espetáculo Tudo Isto é Teu: Uma Celebração de Waldemar Henrique, ao lado de bailarinos do mesmo TMRJ e do pianista José Sacramento, com obras do compositor paraense. O programa também incluiu uma homenagem à soprano Maria Lúcia Godoy, que havia falecido em maio. O mesmo espetáculo também foi apresentado no Theatro da Paz (Belém), no Salão Leopoldo Miguez (Rio de Janeiro), no Palácio da Cultura Sônia Cabral (Vitória), no Salão Assyrio (TMRJ) e no Teatro Municipal de Ouro Preto – Casa da Ópera.

  • SETEMBRO

– A Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (CORS) abriu inscrições para a quarta edição do seu Ópera Estúdio – Curso de Formação Interdisciplinar para Cantores Líricos e Pianistas Correpetidores.

– O baixo Saulo Javan apresentou o recital Deuses e Demônios na Ópera e Canção na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, com um programa que destacava a voz do baixo como o intérprete ideal para esses dois tipos de personagens ao longo dos séculos. O mesmo recital foi levado, em outubro, ao Theatro São Pedro, em São Paulo.

– A soprano italiana Maria Sole Gallevi, radicada no Brasil, interpretou em Tenerife, na Espanha, a ópera de câmara Domitila, de João Guilherme Ripper.

– O tenor Flávio Leite e a soprano Eiko Senda foram reeleitos para os cargos de presidente e vice-presidente, respectivamente, da Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (CORS).

– No XVIII Concurso Estímulo para Cantores Líricos, realizado em Campinas, a soprano Tamara Pereira e o barítono Flávio Mello foram os principais vencedores.

– A soprano Ludmilla Bauerfeldt foi a solista de um concerto da Amazonas Filarmônica que apresentou trechos das três óperas que formam a chamada “Trilogia Tudor”, de Gaetano Donizetti: Anna Bolena, Maria Stuarda e Roberto Devereux.

– No Teatro Bradesco, em São Paulo, a Uniópera produziu a estreia da nova ópera Édipo Rei, de Luciano Camargo.

– Pela temporada do Teatro Cultura Artística, foi apresentada pelo grupo Les Arts Florissants uma versão reduzida (apenas os números musicais) e semiencenada de The Fairy Queen, semiópera de Henry Purcell.

  • OUTUBRO

– No dia 08, aconteceu em Curitiba o concerto Bizet e seus Contemporâneos, em que a Orquestra Sinfônica do Paraná acompanhou solistas da Academia da Ópera de Paris.

– Nos dias 13 e 15, pela temporada do Teatro Cultura Artística, a mezzosoprano letã Elīna Garanča deu recital em São Paulo, com repertório de canções e trechos de óperas.

– Nos dias 25 e 26, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre apresentou um programa duplo de óperas curtas, em versão semiencenada: O Telefone, de Gian Carlo Menotti, e Signor Deluso, de Thomas Pasatieri.

– Na mesma ocasião (de 24 a 26), aconteceu na capital gaúcha o 6º Ópera em Pauta, evento promovido pelo Fórum Brasileiro de Ópera, Dança e Música de Concerto (Fórum-ODM) e que abordou temas como a formação técnica de equipes, o mercado, a cooperação entre instituições e a diversidade e questões de gênero nas produções.

– No dia 24, a Companhia de Ópera da Lapa homenageou na Sala Cecília Meireles dois ícones do canto brasileiro: o barítono Fernando Teixeira e o maestro Larry Fountain (que por muitos anos foi pianista correpetidor do TMRJ), em um programa que reuniu trechos de óperas e operetas.

– Entre os dias 29 e 31, o encenador de ópera alemão Martin G. Berger ministrou um curso em São Paulo, com a finalidade de apresentar o sistema de ópera na Alemanha, com foco em aspectos institucionais, organização interna dos teatros, financiamento, repertório contemporâneo e dinâmica de trabalho entre as equipes criativas.

– Na Suíça, a soprano brasileira Anna Beatriz Gomes interpretou a protagonista da ópera O diário de Anne Frank, de Grigori Frid, no Theater Orchester Biel Solothurn.

  • NOVEMBRO

– Completando 20 anos, o programa Prelúdio, da TV Cultura, estreou nova temporada, com a final acontecendo no dia 21 de dezembro. O vencedor neste ano foi o pianista maranhense Bruno de Lorenzo, de 24 anos.

– Durante o mês, a TV Cultura transmitiu três óperas gravadas em SP na sua faixa Clássicos, nas noites de domingo.

– A nova ópera A Profissão da Senhora Warren, de Maurício de Bonis, foi apresentada na 13ª edição do Festival de Música Erudita do Espírito Santo.

– A Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) criou o núcleo interdisciplinar Escola de Ópera, dedicado ao estudo, à prática e à produção artística de ópera como experiência formativa completa. O projeto nasce da integração entre estudantes e docentes dos Departamentos de Artes Cênicas (CAC), Artes Visuais (CAP), Música (CMU) e da Escola de Arte Dramática (EAD), com o objetivo de se tornar permanente, montando uma ópera por ano. O projeto conta ainda com a participação de estudantes e docentes dos cursos de Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Jornalismo e Audiovisual, que cuidarão de toda a comunicação do núcleo. A proposta central da Escola de Ópera é permitir que estudantes aprendam a fazer ópera em todas as suas dimensões — canto, interpretação, direção, cenografia, figurinos, iluminação, produção, técnicas de palco, registro audiovisual, entre outras. Neste primeiro momento, haverá ainda o oferecimento de 55 bolsas de estudo, e a primeira produção do grupo deverá ser a ópera Dido e Enéas, de Purcell, em junho de 2026.

– A soprano Nadine Sierra apresentou um recital com trechos de ópera pela temporada do Teatro Cultura Artística.

– O Instituto Baccarelli inaugurou o Teatro Baccarelli, em Heliópolis, que passa a ser a sede da Orquestra Sinfônica Heliópolis. A nova casa também poderá ser utilizada para a apresentação de óperas.

– Nos dias 28 e 29, uma parceria entre a Cia Sol’Ópera, o Theatro Pedro II e a Sinfônica de Ribeirão Preto proporcionou uma montagem de La Traviata em Ribeirão Preto.

  • DEZEMBRO
Cena de Wozzeck na Sala São Paulo (foto: Íris Zanetti / Osesp)

– A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) apresentou em forma de concerto semiencenado a ópera Wozzeck, de Alban Berg.

– Foi criada a Companhia Brasileira de Ópera de Câmara, com o objetivo de colocar o intérprete no centro da concepção do espetáculo e celebrar a potência dramática da voz. A nova Companhia foi idealizada pelo pianista, vocal coach, e agente artístico Vitor Philomeno, e já fará a sua estreia em janeiro de 2026 (detalhes acima, no bloco O que vem por aí em 2026).

– Com o apagar das luzes de 2025 se aproximando, o NEOJIBA (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia) apresentou nos dias 19 e 20 a ópera Falstaff, de Verdi, em parceria com grupos italianos, como a Scuola di Musica di Fiesole, o Conservatoire de la Vallée d’Aoste, o Conservatório E. R. Duni de Matera, a Universidade da Calábria e a Accademia di Belle Arti de Catania. A iniciativa trouxe ao Brasil 79 artistas italianos.


Foto principal: Rafael Salvador (cena de “Les Indes Galantes” no TMSP).

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