Em Belo Horizonte, Palácio das Artes apresenta “As Bodas de Fígaro”

É com Le Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro) – ópera em quatro atos de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), com libreto de Lorenzo da Ponte (1749-1838) baseado na peça homônima do francês Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (1732-1799) – que a Fundação Clóvis Salgado (FCS) abre a sua temporada de óperas 2026. É a segunda vez que esta obra-prima de Mozart é apresentada na casa (a primeira foi em 1978), e a produção reunirá a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), o Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG) e 13 solistas. O espetáculo será apresentado nos dias 17, 19, 21 e 23 de maio, no Grande Teatro Cemig Palácio da Artes, com direção musical e regência de André Brant, regente-residente da OSMG, e concepção e direção cênica do italiano Mario Corradi. Os ingressos estão à venda, a preços populares.

A nova montagem comemora os 270 anos de Mozart e os 240 anos das Bodas, além dos 55 aniversários do Palácio das Artes e os 50 anos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG).

“A Fundação Clóvis Salgado, nas comemorações dos 55 anos do Palácio das Artes, uma das maiores referências artísticas do Brasil, tem a honra de apresentar a ópera ‘As Bodas de Fígaro’. O público terá um raro prazer, a felicidade de apreciar a obra-prima de Mozart, um dos maiores gênios da música ocidental. Estes momentos são muito especiais, pois evidenciam a importância e a qualidade do trabalho de toda a equipe e dos corpos artísticos da FCS”, declara o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita.

“Há algum tempo não apresentamos uma ópera bufa, e acredito que estamos precisando de leveza e boas gargalhadas. ‘As Bodas de Fígaro’ é repleta de personagens carismáticos e situações atemporais, criando uma imediata identificação com o público. Amor, ciúme e justiça, enganos e cartas falsas, combinando humor refinado, crítica social inteligente e uma impressionante profundidade. Além de uma música suave e genial. Esta ópera é considerada uma obra perfeita, um marco cultural que permanece vibrante, atual e profundamente conectada com o público”, convida, orgulhosa, a diretora-geral da produção, Cláudia Malta.

“A ópera ‘As Bodas de Fígaro’ é uma das mais importantes para o repertório de qualquer teatro lírico. Desde sua estreia no ano de 1786, permanece como um dos pilares do repertório operístico mundial, sendo um dos títulos mais encenados no mundo. Trazer essa ópera para Belo Horizonte fortalece o cenário lírico local ao promover o desenvolvimento técnico de cantores, músicos e equipes criativas, contribuindo para a qualificação profissional e a consolidação de um repertório de referência. Ao trazer Mozart ao palco, o Palácio das Artes reafirma sua vocação como polo cultural, estimulando a formação de público e a valorização de seus talentos locais”, ressalta o diretor musical da monatem, André Brant.

Homero Velho, Deborah Bulgarelli, Fellipe Oliveira, Melina Peixoto e Julia Solomon (intérpretes, respectivamente, do Conde e da Condessa Almaviva, e ainda de Figaro, Susanna e Cherubino)

“Sinto-me lisonjeado e honrado por ser chamado novamente para encenar uma das maiores criações de Mozart/da Ponte que, das três óperas que encenei em BH, é, na minha compreensão, a mais moderna (e ouso dizer), contemporânea. As óperas devem ser entendidas como “uma história” e não como uma página da História: qual é a diferença entre o Conde Almaviva, que quer ter relações sexuais com uma de suas funcionárias (Susanna) antes de lhe dar permissão para realizar seu sonho, e muitos altos executivos que querem o mesmo para permitir que uma mulher tenha uma carreira? O lado modernista da ópera também está no papel das mulheres: elas sempre acabam sendo mais inteligentes que os homens. ‘Nozze’ poderia ser feita com roupas contemporâneas, mas fazê-la com trajes tradicionais provavelmente tem um grande impacto na modernidade da história. Toda a história, com todos os enganos, mentiras e tentativas de sedução, acontece dentro de uma gaiola de ouro que apenas uma palavra fará desaparecer: perdão. Quando o Conde, ao final, canta: ‘Contessa perdono’, segundo Stendhal, Mozart escreve o mais belo coral religioso já escrito. O perdão abre a ‘gaiola’ que desaparece, deixando o palco vazio inundado de luz”, enaltece Mario Corradi, diretor de cena.

Fala o próprio Fígaro, o barítono Fellipe Oliveira: “Minha estreia como Fígaro foi no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2015. No Palácio das Artes, em 2022, fiz Papageno, na última montagem da ópera ‘A Flauta Mágica’, também de Mozart, com direção da Carla Camurati. Voltar ao Palácio das Artes, como protagonista, em um papel que já fiz três vezes, é uma alegria muito grande. O público de Minas sempre me recebeu com bastante entusiasmo e, por isso, me sinto muito bem tratado, me sinto em casa e gosto demais de trabalhar com os corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado e com o maestro André Brant, sempre extremamente gentil. Estou bem ansioso para dar vida novamente a esse Fígaro, que canta muito, se mexe muito e encanta ainda mais, um dos personagens mais importantes da minha vocalidade de baixo-barítono, num teatro tão grande como o Palácio das Artes; uma alegria sem tamanho”, celebra.

As Bodas de Fígaro é um “espelho de Dorian Gray” da sociedade. Se a ópera é bufa, cômica, satírica, é também profundamente política. A própria peça de Beaumarchais foi censurada, na França, tentando evitar a inevitável Revolução Francesa. Mozart e da Ponte souberam disfarçar este sopro de rebelião. Levando ao extremo a Saturnália da Antiga Roma – onde escravizados eram servidos pelos senhores –, na ópera a inteligência não é mais questão de classes, mas de espírito, e quem dá as cartas são os empregados, deixando os poderosos de joelhos e implorando por perdão.

Para a soprano Melina Peixoto, “é uma enorme honra interpretar a Susanna em ‘As Bodas de Fígaro’, mas também um grande desafio, devido à complexidade e à humanidade presentes nos personagens deste libreto. Ao longo do único dia em que se passa toda a história, Susanna vive emoções conflitantes e rápidas reviravoltas, enquanto se prepara para seu casamento com Fígaro. Assim, o papel exige não apenas domínio vocal, mas também agilidade e fluidez interpretativa para a condução dos diversos recitativos em que a personagem está inserida. ‘Conheço’ Susanna há muitos anos, mas a compreensão da personagem acompanha o amadurecimento profissional e pessoal do cantor, tornando o desafio de interpretá-la ainda mais empolgante”, afirma.

Mesmo 240 anos depois de sua criação, em Viena, As Bodas de Fígaro continua um hino pela liberdade, pelo amor e, principalmente, pela reconciliação: forças, hoje, mais raras que nunca, no Brasil e no mundo.


Deborah Bulgarelli e Melina Peixoto (Condessa Almaviva e Susanna)

Le Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro)
Ópera em quatro atos

Música: Wolfgang Amadeus Mozart
Libreto: Lorenzo da Ponte

Direção geral: Cláudia Malta
Direção musical e regência: André Brant
Preparação do Coral Lírico de Minas Gerais: Maria Clara Marco Fernández
Concepção e direção cênica: Mario Corradi
Cenografia: Elena Toscano e William Rausch
Iluminação: Fábio Retti
Figurinos: Elena Toscano
Coreografia: Lair Assis
Regente assistente: Lucas Viana
Assistência de direção e direção de palco: Menelick de Carvalho
Assistência de figurinos: Marcela Mòr
Produção executiva: Laenne Santos

Elenco:
Figaro: Fellipe Oliveira, baixo-barítono
Susanna: Melina Peixoto, soprano
Conde Almaviva: Homero Velho, barítono
Condessa Almaviva: Deborah Bulgarelli, soprano
Cherubino: Julia Solomon, mezzosoprano
Bartolo: Saulo Javan, baixo
Don Basilio: Geilson Santos, tenor
Marcellina: Fabíola Protzner, soprano
Antonio: Ramiro Souza e Silva, barítono
Barbarina: Camila Corrêa, soprano
Don Curzio: Rhaniel Veríssimo, tenor
Duas jovens: Indaiara Patrocínio, soprano, e Bárbara Brasil, mezzosoprano


Récitas: 17 e 23 de maio, às 18h / 19 e 21 de maio, às 20h
Onde: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro, Belo Horizonte)
Classificação indicativa: 12 anos
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia-entrada) / ingressos à venda no totem e na bilheteria localizados no hall de entrada do Palácio das Artes, e também na plataforma Sympla.


Fotos: Paulo Lacerda (na foto principal, Fellipe Oliveira e Melina Peixoto como Figaro e Susanna).

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