O compositor paraense Octávio Meneleu Campos (1872–1927), patrono da cadeira no35 da Academia Brasileira de Música, nasceu em Belém em 22 de julho de 1872. A formação musical preliminar foi realizada com a mãe, a pianista Adelaide da Costa Campos. Após iniciar os estudos de Direito, na Faculdade do Recife, abandonou o curso para se dedicar à música. Se mudou para a Itália e ingressou no Conservatório de Milão, onde foi aluno de Vincenzo Ferroni. Diplomou-se em piano, violino, composição e regência em 1898. Em 1900, voltou para Belém e assumiu a direção do Instituto Carlos Gomes. Retornou com frequência à Europa, compondo e apresentando as suas obras na Itália, na França e em Portugal. No Brasil, apresentou as suas obras no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Belém, foi presidente do Centro Musical Paraense e diretor do Serviço de Canto Coral do Estado. Faleceu em 20 de março de 1927, na cidade de Niterói (RJ).
Uma parte da sua produção está inédita, mas tem sido objeto de estudos de pesquisadores que, aos poucos, colocam-na de volta nas salas de concertos. Suas obras principais são: Intermezzo Elegíaco, escrito para o quarto aniversário da morte de Carlos Gomes, Presto Scherzando, para orquestra, Concerto para Piano, Concerto para Dois Violinos, Sinfonia em Lá Maior (1898), Fantasia para Violino (1901), Suíte Brasileira (1901), Suíte Miniaturas, para orquestra, baseada em melodias do folclore paraense, Prelúdio em Ré Maior (1893), para orquestra, Quartetos de Cordas em Sol Maior (1899), em Lá Maior (1899), em Ré Maior (1901) e em Mi Maior (1901-1902) e as óperas Il Salvocondutto (1899) e Gli Eroi (1907).
A ópera Gli Eroi (Os Heróis) foi composta em Milão, em 1907, a partir de libreto preparado por Luigi Illica (1857-1919), conhecido autor de libretos para óperas de Puccini (Manon Lescaut, La Bohème, Tosca, Madama Butterfly) e outros compositores italianos, como Catalani, Giordano e Mascagni. Em 1938, o musicólogo Luiz Heitor Corrêa de Azevedo afirmaria em seu livro Relação das Óperas de Autores Brasileiros (p.72) que Gli Eroi “Não chegou a ser representada. Desconheço a música”. A ópera, que permaneceu inédita por quase 120 anos, ganha agora a sua estreia mundial no Theatro da Paz, em Belém, após a partitura ter sido editorada e revisada pelo maestro Miguel Campos Neto em parceria com Agostinho Fonseca Jr. A história gira em torno dos conflitos políticos e da luta dos italianos pela independência do país, em 1848.
Sinopse
Ambientada em Milão, em março de 1848, durante a dominação austríaca na Lombardia, a obra retrata o conflito entre lealdade política e ideais revolucionários dentro da família Dedomini. O conde Folco permanece fiel ao governo invasor, enquanto os seus filhos aderem à luta pela libertação italiana. Nesse contexto, desenvolve-se o romance proibido entre Alessandra, filha do conde, e o oficial austríaco Max von Danka.
À medida que a revolta popular cresce nas ruas, Max é descoberto entre os revolucionários e passa a enfrentar dilemas entre dever militar e sentimentos pessoais. A tensão culmina quando Attendolo, irmão de Alessandra, é capturado e condenado à morte sob o comando de Max, que hesita em cumprir a sua função.
No desfecho, em meio à vitória dos revolucionários, o amor entre Max e Alessandra encontra um fim trágico: ambos morrem durante o confronto final. A obra encerra-se com a imagem simbólica da libertação italiana, marcada pelo sacrifício dos protagonistas.
PROGRAMA
Gli Eroi (Os Heróis), 1907 [estreia mundial]
Música: Octávio Meneleu Campos
Libreto: Luigi ILlica
Revisão e editoração da partitura: Miguel Campos Neto e Agostinho Jr.
Revisão do texto italiano: Flávio Leite, Vitor Philomeno e Miguel Campos Neto
Festival de Ópera do Theatro do Paz
Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP)
Coro Lírico do Festival de Ópera do Theatro do Paz
Regência e direção musical: Miguel Campos Neto
Direção cênica: Flavio Leite
Regente do coro: Vanildo Monteiro
Preparação vocal: Vitor Philomeno
Cenografia: Carlos Dalarmelino Júnior
Figurinos: Fernando Leite
Iluminação: Rubens Almeida
Corporeidade: Rose Tuñas
Regente assistente da OSTP: Ana Laura Gentile
Direção de produção: Nandressa Nunes
Elenco:
Max von Danka – Hélenes Lopes
Alessandra – Thaina Souza
Attendolo – Andrew Lima
Don Folco – Daniel Germano
Nascimbene – Márcio Carvalho
Riario – Sidney Pio
Don Galeazzo – Idaias Souto
Agnese – Carolina Faria
Filha do prisioneiro – Lys Nardoto
Spazzacamino – Gabriel Froto
Um capitão – Nick Dumas
Um oficial – Davi Marques
Um servo – Alecsandro Brito
Um servo/um velho – Raimundo Mira
Agata – Thassiane Gazé
SERVIÇO
Récitas: 22, 24 e 26 de maio
Onde: Theatro da Paz, Belém-PA
Foto: divulgação.

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