A violinista Laíne Fernandes, natural de Boa Vista (RR), integrante do Sesc Orquestras Jovens, acaba de alcançar um marco decisivo em sua trajetória: foi selecionada para integrar residência da Orquestra Juvenil Ibero-Americana 2026, um dos mais relevantes programas internacionais de formação musical da América Latina. A iniciativa ocorrerá de 14 a 20 de julho, em Bogotá e Cajicá, na Colômbia, com uma programação que contará também com apresentações e atividades formativas voltadas ao fortalecimento da integração cultural entre os países participantes.
Laíne foi uma escolhidas para representar o Brasil no encontro internacional, que reunirá musicistas dos países integrantes do programa Iberorquestras Juvenis. A seleção é resultado de um rigoroso processo técnico-artístico com candidatos com idades entre 18 e 26 anos provenientes de 15 nações: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Portugal e Uruguai.
A conquista, anunciada durante um concerto em que se apresentava com a Orquestra Jovem Sesc Roraima, projeta a musicista no cenário internacional e reforça a importância de iniciativas de formação musical no país. “Eu não esperava ser selecionada. Quando recebi a notícia, fiquei em choque. É uma oportunidade muito grande poder representar o Brasil e também Roraima em um projeto internacional como esse”, afirma Laíne. Ela conta que se preparou com dedicação. Para ela, ter a família, o namorado e a equipe do Sesc apoiando esse momento foi fundamental para que enfrentasse o processo seletivo com leveza e confiança.
A jornada de Laíne
A trajetória da violinista começou ainda na infância, quando ingressou em aulas de música na igreja e, posteriormente, no Instituto Boa Vista de Música (IBVM), projeto social onde teve os primeiros contatos com o violino aos 10 anos de idade. Curiosamente, o instrumento não foi a sua primeira escolha. “Eu queria tocar clarinete, mas só havia vaga para violino. Acabei aceitando e hoje costumo dizer que foi ele que me escolheu”, conta.
Em 2022, enquanto ensaiava a Serenata para Cordas, de Tchaikovsky, sua vida mudou. “Eu senti aquela música dentro de mim de uma forma inexplicável. Naquele momento, eu sabia que estava onde deveria estar”, afirma. A Orquestra Jovem Sesc Roraima entrou em sua vida em 2022 e teve papel central em sua formação, não apenas musical, mas também pessoal. Foi por meio do projeto que Laíne teve acesso a experiências inéditas, desenvolvendo disciplina, responsabilidade e ampliando a sua visão sobre o universo artístico, como a sua participação na Orquestra Jovem Sesc Brasil, em 2023, em que musicistas do projeto de orquestras do Sesc de todo o país se encontram para tocar juntos. “Foi a primeira vez que fiz música com pessoas de fora do meu círculo. Isso me mostrou que, com esforço, posso ir além”, destaca.
Atualmente, Laíne cursa Licenciatura em Música na Universidade Federal de Roraima (UFRR) e atua como professora de violino no mesmo instituto onde iniciou os seus estudos. Para ela, ensinar e aprender caminham juntos. “Dar aulas me faz observar mais os detalhes técnicos e pensar em formas claras de explicar. Isso transforma também a minha maneira de tocar”, explica. Ela vê na experiência internacional uma oportunidade de crescimento artístico e pessoal. “Quero aprender o máximo possível, conhecer novas culturas, novas formas de fazer música. Quero absorver tudo isso e levar comigo para os próximos passos da minha carreira”, diz.
A trajetória de Laine Fernandes exemplifica o poder transformador da música e da educação. De um projeto social em Roraima para uma orquestra internacional, sua história ecoa como exemplo de que talento, oportunidade e dedicação podem atravessar fronteiras.
Foto: divulgação.

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