OSB apresenta “Orquestra Encena” na Sala Cecília Meireles

Dando continuidade à Série Orquestra Encena, a Orquestra Sinfônica Brasileira realiza duas apresentações do ciclo nos dias 11 e 12 de julho, no palco da Sala Cecília Meireles. O maestro André Cardoso comanda as apresentações, que contam com a spalla da OSB Priscila Rato como solista. No repertório, obras de Gabriel Fauré, Ernest Chausson e Felix Mendelssohn.

No rico diálogo que se estabeleceu entre a música e a literatura no século XIX, poucos textos se mostraram tão fascinantes para os compositores quanto o drama simbolista Pelléas et Mélisande, de Maurice Maeterlinck. Publicada em 1893, a peça aborda a história de amor, ciúme e morte entre a misteriosa Mélisande e seu cunhado Pelléas. Embora não tenha tido um sucesso estrondoso, a peça foi amplamente admirada pela elite intelectual do tempo e inspirou diversos compositores, como Debussy, Schönberg, Sibelius, Mel Bonis e Gabriel Fauré, que escreveu a música incidental para uma montagem inglesa do texto, partitura posteriormente transformada na belíssima Suíte que abre esse programa. 

Ainda no universo das inspirações literárias, o programa segue com o Poème para Violino e Orquestra, Op. 25, do francês Ernest Chausson, e, também aqui, o texto ao qual a música se reporta desvela as tensões de um triângulo amoroso. A inspiração é o conto A Canção do Amor Triunfante, de Ivan Turguêniev, que conta o drama de dois amigos inseparáveis – um pintor e um músico – apaixonados pela mesma mulher. A princípio, a ideia de Chausson era escrever um poema sinfônico, mas conforme as notas foram se assentando no papel, e dada a importância que o violino desempenha dentro da própria narrativa, o compositor acabou convertendo o instrumento em elemento central da partitura. O resultado é um verdadeiro tour de force para o solista, que é aqui convocado em seções de lirismo dilacerante, mas também desafiado por passagens de pirotecnia. A música, por sua vez, tem estrutura rapsódica, e empresta texturas quase impressionistas a harmonias orientais, resultando em uma obra igualmente misteriosa e apaixonante.

Último compositor do programa, o alemão Felix Mendelssohn era não apenas um compositor sensível aos encantos da literatura (a ele devemos, entre outras obras, a música incidental para Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, e a cantata Die erste Walpurgisnacht, inspirada em Goethe) mas também um homem apaixonado pela força das paisagens e das culturas estrangeiras. Sua estadia na Escócia, em 1829, rendeu uma série de esboços impressionantes e o inspirou a compor a Sinfonia nº 3, apelidada de “Escocesa”. Encantado com uma viagem à Itália entre 1830 e 1831, Mendelssohn escreveria uma de suas obras mais conhecidas: a Sinfonia nº 4, em Lá Maior, “Italiana”, que fecha este programa.


Orquestra Sinfônica Brasileira

Série Orquestra Encena

André Cardoso, regência
Priscila Rato, violino

Gabreil Fauré
Suíte de Pelléas et Mélisande, Op. 80
I. Prelude 
II. Fileuse 
III. Sicilienne 
IV. La mort de Mélisande

Ernest Chausson
Poème para Violino e Orquestra, Op. 25

INTERVALO 

Felix Mendelssohn
Sinfonia nº 4, Op. 90 – Italiana


Quando: 11 e 12de julho, sábado e domingo, sempre às 11h
Onde: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47, Lapa, Rio de Janeiro)
Ingressos: R$ 40,00 (R$ 20,00 meia)


Foto: Renato Mangolin.


Descubra mais sobre Notas Musicais

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *