“Tristão e Isolda” estreia na próxima quarta no TMSP

Sem ser apresentada na casa desde 1978, Tristão e Isolda, ópera em três atos com música e libreto de Richard Wagner, finalmente retorna ao Theatro Municipal de São Paulo em uma grande produção. Sob a direção musical de Roberto Minczuk, a montagem reúne a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal (com preparação de Hernán Sánchez Arteaga). A direção cênica e a cenografia serão de Allex Aguilera, que concebeu esta encenação originalmente para o Teatro de la Maestranza, de Sevilha. As apresentações acontecerão em julho, nos dias 22 (quarta-feira), 26 (domingo), 29 (quarta-feira) e 31 (sexta-feira); e também no dia 02 de agosto (domingo), começando sempre às 17h (atenção ao horário!).

O elenco conta, alternadamente, com os tenores Simon O’Neill e Michael Weinius no papel de Tristão, e as sopranos Annemarie Kremer e Eiko Senda como Isolda. Completam o elenco Leonardo Neiva (Kurwenal), Denise de Freitas e Luisa Francesconi (Brangäne), Hernan Iturralde (Rei Marke), Paulo Queiroz (Marinheiro), Jessé Vieira (Timoneiro/Marinheiro), Cleyton Pulzi (Um Pastor) e Edu Martins (Butô).

Na equipe técnica, Gabriel Pederneiras é o responsável pelo design de luz; Arnaud Pottier, pelo design de vídeo; e Jesús Ruiz, pelos figurinos.

Descrita pelo próprio Wagner como o trabalho mais audacioso da sua carreira, a obra representa um marco na história da música ocidental ao expandir os limites da tonalidade e da harmonia tradicional. Seu célebre “acorde de Tristão”, apresentado logo no prelúdio, tornou-se símbolo das transformações que influenciaram profundamente a música dos séculos seguintes.

Para Allex Aguilera, diretor cênico da montagem, Tristão e Isolda é uma obra singular dentro do repertório wagneriano, mais até que o monumental ciclo O Anel do Nibelungo, por conta do seu caráter profundamente pessoal e da sua melancolia que atravessa cada nota e cada palavra: “Há nela algo de vasto e insondável, como uma expansão contínua da sensibilidade humana, conduzida por um fluxo musical que parece não conhecer fronteiras. Wagner nos convida a abandonar resistências e a deixar-nos levar por essa corrente sonora extraordinária, impregnada de um sentimento de amor que aspira ao universal e que encontra, na música, sua expressão mais elevada”, pontua.

Baseada na versão de Gottfried von Strassburg para um dos mais conhecidos mitos medievais, e inspirada pela filosofia de Arthur Schopenhauer, a trama acompanha a paixão avassaladora entre Tristão e Isolda, desencadeada pela ingestão acidental de uma poção de amor. O relacionamento proibido entre os dois culmina em um desfecho trágico, marcado pelo célebre Liebestod, um dos momentos mais emblemáticos da história da música.

“No primeiro ato, mares monocromáticos e mutáveis dominam a cena, simbolizando o turbilhão emocional que consome Isolda desde o início e que, inevitavelmente, arrasta Tristão consigo. No segundo ato, o palco se transforma em um jardim mágico de cores vibrantes e atmosfera onírica. Durante uma viagem ao Japão, meu encontro com o Butoh — uma forma de dança profundamente expressiva e visceral — marcou um ponto de inflexão na minha concepção do terceiro ato”, explica o diretor.

A primeira vez que Tristão e Isolda foi apresentada no palco do Theatro Municipal de São Paulo foi exatamente na temporada lírica de 1911, ano da sua inauguração. Os cenários, figurinos e adereços cênicos emprestados do Teatro Colón, de Buenos Aires, foram descritos pela crítica do jornal Correio Paulistano, de 17 de setembro de 1911, apenas como “apropriados”. Depois disso, só foi apresentada em raras ocasiões, sendo a última em 1978.

Para Jorge Takla (que deixou recentemente a direção artística do TMSP, mas participou da escolha da produção sevilhana), o título é uma excelente oportunidade para um novo público ter contato com a obra, através da montagem de um grande diretor: “A excelente escolha do título é mais do que oportuna já que esta obra essencial não é apresentada ao público paulista há muitos anos. E é uma grande felicidade poder trazer de volta ao Brasil um de nossos melhores encenadores de ópera, Allex Aguilera, radicado na Europa”, finaliza.


Tristão e Isolda
Ópera em 3 atos com música e libreto de Richard Wagner

Orquestra Sinfônica Municipal
Coro Lírico Municipal

Direção musical: Roberto Minczuk
Regência do Coro: Hernán Sánchez Arteaga
Direção cênica e cenografia: Allex Aguilera
Design de luz: Gabriel Pederneiras
Design de vídeo: Arnaud Pottier
Figurino: Jesús Ruiz
* Produção original do Teatro de la Maestranza, de Sevilla

Elenco:

Dias 22 e 29/07, e 02/08

Tristão: Simon O’Neill, tenor
Isolda: Annemarie Kremer, soprano
Brangäne: Luisa Francesconi, mezzosoprano

Dias 26 e 31/07

Tristão: Michael Weinius, tenor
Isolda: Eiko Senda, soprano
Brangäne: Denise de Freitas, mezzosoprano

Todas as datas

Kurwenal: Leonardo Neiva, barítono
Rei Marke: Hernán Iturralde, baixo-barítono
Marinheiro/Timoneiro: Paulo Queiroz, tenor
Melot: Jessé Vieira, barítono
Pastor: Cleyton Pulzi, tenor
Butô: Edu Martins

Elenco de apoio: Anderson Ribeiro, Cristiano Belarmino, Felipe Rio-Ruas, Felipe Venâncio, Nill de Pádua, Ricardo Aires, Roni Máximo, Washington Lins


Récitas: 22 (quarta), 26 (domingo), 29 (quarta) e 31 (sexta) de julho; e 02 de agosto (domingo), sempre às 17h
Onde: Theatro Municipal de São Paulo
Ingressos: de R$ 47 a R$ 290 (inteira)
Duração: aproximadamente 5h (cinco horas), com intervalo
Classificação: não recomendado para menores de 12 anos


Fotos: Roberto Alcain (apresentações no Teatro de la Maestranza, em Sevilha).


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