Coral Paulistano apresenta “Missa Afro Sambas”

O Coral Paulistano apresenta o concerto Missa Afro Sambas, sob a regência de Maíra Ferreira, nos dias 12 (sexta-feira, às 20h) e 13 (sábado, às 11h) de junho, na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo. Acompanhado por músicos convidados e solistas, o repertório propõe um mergulho na riqueza da cultura afro-brasileira e em suas influências sobre a música de concerto e a canção popular brasileira.

Participam das apresentações a flautista Morgana Moreno, o claronista Alexandre Ribeiro, o contrabaixista Sidiel Vieira, o violinista Pedro Franco e os percussionistas Gabi Guedes, Pedro Pita e Xeina Barros, além da pianista Juliana Ripke, das sopranos Indhyra Gonfio e Narilane Camacho, da contralto Andréia Souza, do tenor Marcus Loureiro e do baixo Ademir Costa. Os ingressos custam R$ 50, a classificação é livre, e a duração é de 85 minutos, com intervalo.

O repertório se inicia com a Missa Afro-brasileira de Batuque e Acalanto, escrita entre 1970 e 1971 pelo compositor e regente mineiro Carlos Alberto Pinto Fonseca. A obra reflete o intenso diálogo entre a liturgia católica e as tradições musicais afro-brasileiras, incorporando elementos da umbanda, do batuque, das cantigas populares e de gêneros como maracatu, marcha-rancho e samba-canção.

Inspirada pelas diretrizes do Concílio Vaticano II, que incentivava a valorização das culturas locais na música sacra, a composição funde texto em latim e português em uma escrita musical marcada pela força rítmica e pela expressividade coral. O resultado é uma obra singular, que aproxima diferentes tradições religiosas e musicais brasileiras em uma mesma experiência sonora.

“Esse repertório é um sonho antigo meu para o Coral Paulistano, porque reúne duas obras que, embora muito diferentes entre si, têm uma mesma raiz afro-brasileira. A ‘Missa Afro’, de Carlos Alberto Pinto Fonseca, parte da tradição litúrgica para incorporar ritmos e referências das religiões de matriz africana, criando uma obra profundamente brasileira. Além de misturar textos em latim e português, ela traz uma escrita coral marcada por síncopas e sonoridades que nos são muito familiares. É uma peça de grande força artística e simbólica, que dialoga diretamente com a vocação do Coral Paulistano de valorizar a música brasileira, especialmente neste momento em que celebramos os 90 anos do grupo”, afirma Maíra Ferreira.

Na segunda parte do concerto, o Coral Paulistano interpreta os históricos Afro Sambas, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, obra lançada em 1966 e considerada um marco na formação da Música Popular Brasileira. Inspirado por cantos de candomblé, sambas de roda e ritmos afrodescendentes, o álbum ampliou os horizontes temáticos da canção brasileira ao incorporar referências diretas às religiões de matriz africana.

Canções como Canto de Ossanha, Canto de Xangô e Canto de Iemanjá atravessam espiritualidade, poesia e musicalidade em composições que se tornaram fundamentais para a cultura brasileira. Baden Powell, que transitava entre o universo católico e os cultos afro-brasileiros, identificava aproximações entre o canto gregoriano e os cantos ritualísticos afrodescendentes, elemento que influenciou diretamente a sonoridade do disco e sua atmosfera profundamente espiritual.

“Na segunda parte do concerto, apresentamos os ‘Afro Sambas’, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, em arranjos corais especialmente encomendados ao arranjador Rafael Rocha. De certa forma, eles fazem o caminho inverso da ‘Missa Afro’: partem da música popular brasileira e mergulham no universo dos ritos e das tradições afro-brasileiras, presentes em canções inspiradas em entidades como Xangô, Ossanha, Iemanjá e Exu. O que une essas duas obras é justamente essa celebração da cultura afro-brasileira, de seus ritmos, de sua espiritualidade e de sua enorme influência na nossa identidade musical. Enquanto a ‘Missa Afro’ será interpretada ‘a cappella’, os ‘Afro Sambas’ contarão com um grupo instrumental formado por violão, percussão, flauta, clarone, piano e contrabaixo, ampliando ainda mais o caráter festivo e celebratório desse encontro”, destaca a regente.

O repertório destaca o sincretismo religioso brasileiro ao reunir a Missa Afro-brasileira de Batuque e Acalanto, de Carlos Alberto Pinto Fonseca, e os Afro Sambas: I. Lamento de Exu, II. Canto de Xangô, III. Canto de Ossanha (1º interlúdio), IV. Tristeza e Solidão, V. Bocoxê, VI. Canto de Ossanha (2º interlúdio) e VII. Canto de Iemanjá, de Baden Powell e Vinicius de Moraes.


Foto: Rafael Salvador.


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