A Orquestra de Câmara da Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim (OSJB) se apresentará em Petrópolis nesta sexta-feira, dia 12 de junho, às 20h, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Sob a regência do maestro Knut Andreas, o concerto gratuito reunirá na acústica generosa deste templo jovens músicos de 15 a 18 anos em um programa que atravessa o Atlântico, trazendo obras do Barroco alemão de Händel e Telemann à pulsação rítmica brasileira do compositor petropolitano Guerra-Peixe. Já no domingo, dia 14 de junho, às 11h, o grupo se apresenta no histórico Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ.
A apresentação integra a temporada brasileira de 2026 da orquestra, que reúne talentos alemães e brasileiros no mesmo palco, em ensaios e concertos. Mais que um espetáculo, o encontro é uma ponte cultural: a música como linguagem comum entre dois países. Antes das apresentações em Petrópolis e no Rio, o grupo se apresentou nos 09 e 10 de junho na programação do FASA – Festival de Artes e Saberes das Águas, em Campos dos Goytacazes e São João da Barra.
Um programa que segue o curso das águas
O concerto abre sob o signo da água. A Suíte nº 1 em Fá maior da Música Aquática (HWV 348), de Georg Friedrich Händel (1685–1759), composta para ser ouvida ao ar livre, sobre o rio Tâmisa, encontra eco direto na Hamburger Ebb’ und Fluth (TWV 55), de Georg Philipp Telemann (1681–1767), retrato sonoro do fluxo e refluxo das marés do porto de Hamburgo, com seus tritões brincalhões, o vento Éolo e os alegres barqueiros. À tradição barroca alemã soma-se o lirismo vienense de Josef Strauss (1827–1870) e sua valsa Aquarellen (Op. 258), antes da viagem aportar no Brasil.
Na sequência, a orquestra faz uma homenagem e mergulha na inventividade do compositor petropolitano César Guerra-Peixe (1914–1993), um dos grandes nomes do nacionalismo musical brasileiro, com os Quatro Maracatus de Capiba (É de tororó; Navio da costa; Vira a moenda; e Cadê os guerreiros) e ainda a peça Mourão. O encerramento celebra a vitalidade da música popular brasileira com Forrobodó, de Chiquinha Gonzaga (1847–1935), pioneira que ajudou a fundar a identidade sonora do país.
Uma orquestra-escola com vocação internacional
Com sede na escola pública especializada Georg Friedrich Händel Gymnasium, em Berlim, a OSJB foi fundada em 1969 e dedica-se, desde então, à formação de jovens músicos entre 14 e 18 anos. Ao longo de mais de cinco décadas, seus egressos seguiram para carreiras como professores, terapeutas musicais, engenheiros de som, compositores, regentes e instrumentistas de algumas das principais orquestras europeias — entre elas a Staatskapelle Berlin, a orquestra da Deutsche Oper Berlin, a Rundfunk-Sinfonie-Orchester Berlin, a Akademie für Alte Musik Berlin, a Münchner Symphoniker, a Wiener Philharmoniker e a Gewandhausorchester Leipzig.
Nos últimos 25 anos, a orquestra consolidou-se também como agente de intercâmbio entre jovens de diferentes países e culturas, com turnês por Japão, Rússia, Finlândia, Dinamarca, Suécia, Polônia, Albânia, Irlanda, Namíbia, Itália e França. A formação camerística, Orquestra de Câmara Georg-Friedrich-Händel, conquistou o 1º prêmio de melhor orquestra no 1º Festival Internacional Michelangelo, em Florença. Em fevereiro de 2019, uma turnê por Taiwan reuniu mais de 2.500 pessoas em Tainan, Hsinchu e Taipei; no mesmo ano, a ópera Three Billion Sisters, encenada na Volksbühne Berlin com a parte orquestral a cargo da OSJB, recebeu o prêmio Friedrich Luft, concedido à melhor produção operística de Berlim.
No Brasil, a trajetória começou em 2016, com concertos em São Paulo e no Rio de Janeiro, e teve novo capítulo em 2023, quando a orquestra percorreu São Paulo, Taubaté, Paraty, Niterói e Rio. Naquela ocasião, apresentou-se na Igreja Matriz de Paraty — após acompanhar um ensaio da Orquestra Escola Pequenina Calixto — e integrou a programação do FIMA (Festival Interativo de Música e Arquitetura) no Theatro Municipal de Niterói.
Knut Andreas
Regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica de Piracicaba desde 2022, Knut Andreas acumula as mesmas funções na Orquestra Sinfônica de Potsdam e na Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim, e é professor honorário de História da Música e Gestão Musical na Universidade de Potsdam. Como regente convidado, apresentou-se com orquestras como a Sinfônica da Rádio e TV da Eslovênia, a Deutsches Filmorchester Babelsberg e a Sinfonia Leipzig, e regeu nos festivais de Música Antiga e de Ópera de Potsdam e no Festival de Viena.
No Brasil, trabalhou com as sinfônicas do Espírito Santo, de Campinas, de Americana e de Ribeirão Preto, além da Orquestra da Unicamp, da OPUS de Belo Horizonte, da Sinfônica da USP e da Sinfônica Nacional do Teatro Cláudio Santoro. Regeu a OSJB em turnês pela Albânia, França, Brasil, Taiwan, Itália e China, foi premiado como Melhor Regente no Festival Internacional Michelangelo, em Florença, e recebeu a medalha Austregésilo de Athayde, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã. Em 2025, ao lado da Orquestra Sinfônica de Potsdam, foi laureado com o Prêmio Brasil – Ibermúsicas pelo trabalho de difusão da música brasileira na Alemanha, por meio do projeto Brandenburgo–Brasil.
PROGRAMA
Orquestra de Câmara da Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim
Knut Andreas, regência
Georg Friedrich Händel
Música Aquática – Suite nº 1 em Fá Maior, HWV 348
Georg Philipp Telemann
Música Aquática – Hamburger Ebb’ und Fluth, TWV 55
Josef Strauss
Aquarellen – Valsa, Op. 258
César Guerra-Peixe
Quatro Maracatus de Capiba (É de tororó;
Navio da costa;
Vira a moenda;
Cadê os guerreiros)
Mourão
Chiquinha Gonzaga
Forrobodó
SERVIÇO
Quando: 12 de junho de 2026, sexta-feira, às 20h
Onde: Igreja do Sagrado Coração de Jesus (Rua Montecaseros, 95, Centro, Petrópolis-RJ)
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Quando: 14 de junho de 2026, domingo, às 11h
Onde: Salão Leopoldo Miguez — Escola de Música da UFRJ (Rua do Passeio, 98, Centro, Rio de Janeiro)
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