“Série Músicos da OSB” na Sala Cecília Meireles e no CCPJ

Nos dias 06 e 08 de junho, a Orquestra Sinfônica Brasileira leva a Série Músicos da OSB, respectivamente, à Sala Cecília Meireles e ao Centro Cultural do Poder Judiciário, desta vez lançando luz sobre a família das cordas. O repertório conta com obras de Radamés Gnattali, César Guerra-Peixe e Piotr Ilitch Tchaikovsky.

Comemorando os 120 anos de nascimento de Radamés Gnattali, a orquestra traz ao palco uma das suas obras da maturidade, a Suíte para Orquestra de Cordas. Embora um dos movimentos tenha surgido em 1972, em uma versão para piano e violino, a Suíte só foi publicada em sua versão de cordas no ano seguinte, e se inscreve numa tradição curiosa: a de compositores que, como Mozart ou Beethoven, se voltam para o Barroco com olhos de admiração. Formada por movimentos de danças, como aquelas de Bach, a obra já foi comparada à Sinfonia Clássica de Prokofiev, mas, ao contrário do russo, que contempla o passado numa chave jocosa, Gnattali se volta para o Barroco numa admiração quase terna.

Se a Suíte de Gnattali é um aceno afetivo aos mestres barrocos, também é possível dizer que a obra seguinte, os Quatro Maracatus de Capiba, de César Guerra-Peixe, é uma homenagem do compositor e etnomusicólogo ao gênero popular urbano moldado por seu ex-aluno. Capiba, músico versátil e talentoso, ficou conhecido como o príncipe do frevo, mas também foi, entre tantas outras coisas, um dos primeiros a escrever maracatus para os salões e para as rádios. É verdade que essas canções por ele assinadas pouco tinham a ver com o maracatu-nação dos negros bantus, mas, por conta do seu vigor e alto nível de inspiração, tornaram-se enormemente populares no Brasil. Guerra-Peixe, autor do denso tratado Maracatus do Recife, publicado em 1955, chegou a afirmar que essas peças “de maracatu não tinham nada” em carta a Vasco Mariz – e é curioso, portanto, que em 1979 ele tenha escolhido se voltar para as composições de Capiba, trazendo-as para o universo das cordas com o seu trato inconfundível de orquestrador. Nas mãos do maestro, os maracatus escolhidos ganham uma atmosfera mais grave e solene, mas preservam intacta a verve imaginativa de Capiba.

O ano de 1880 se mostrou bastante produtivo para o compositor Piotr Ilitch Tchaikovsky. Talvez menos inseguro após finalizar a sua Quarta Sinfonia, o russo embarcou simultaneamente em dois projetos: a Abertura 1812 e a Serenata para Cordas. As duas obras não poderiam ser mais diferentes entre si. Se a primeira é uma composição bombástica para orquestra e inclui até mesmo canhões na orquestração, a segunda – que será ouvida neste concerto – é uma obra-prima graciosa, mesmo nos momentos de maior majestade.


Orquestra Sinfônica Brasileira

Série Músicos da OSB – Cordas

Radamés Gnattali
Suíte para Orquestra de Cordas

César Guerra-Peixe
Quatro Maracatus de Capiba

Piotr Ilitch Tchaikovsky
Serenata para Cordas


Quando: 06 de junho, sábado, às 17h
Onde: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47, Lapa, Rio de Janeiro)
Ingressos: R$ 40,00 (R$ 20,00 meia)

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Quando: 08 de junho, segunda-feira, às 18h
Onde: Centro Cultural do Poder Judiciário (Av. Erasmo Braga, 115, Centro, Rio de Janeiro)
Ingressos: entrada gratuita


Foto: Andrea Nestrea.


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