Concerto Lírico Sinfônico traz a São Paulo a força da ópera italiana
Concerto Lírico Sinfônico
Números corais e sinfônicos de óperas de Carlos Gomes, Puccini, Mascagni e Verdi.
São Paulo
🗓️27 e 28 de agosto (quinta e sexta), às 20h
📍Teatro Sérgio Cardoso
Santo André
🗓️29 (sábado), às 19h30, e 30 (domingo), às 17h
📍Teatro Municipal Flávio Florence
Elenco:
Mayra Terzian, Victória Sayegh Burunsizian, Vitorio Scarpi e Andrey Mira.
Coro Osvaldo Lacerda / Madrigal Vox Brasilis
Orquestra Sinfônica de Santo André
Regência: Abel Rocha
🎫Ingressos gratuitos
Em 27 e 28 de agosto (quinta e sexta, às 20h), o Teatros Sérgio Cardoso, em São Paulo, receberá o Concerto Lírico Sinfônico, centrado em números sinfônicos e corais das mais famosas óperas italianas. Nos dias 29 e 30 (sábado, às 19h30, e domingo, às 17h), será a vez de o público de Santo André conferir o concerto no Teatro Municipal Maestro Flávio Florence.
O quarteto de solistas será formado pelas sopranos Mayra Terzian e Victória Sayegh Burunsizian, pelo tenor Vitorio Scarpi e pelo baixo Andrey Mira. Eles dividirão o palco com o Coro Osvaldo Lacerda e o Madrigal Vox Brasilis, preparados em conjunto por Bruno Costa. À frente da Orquestra Sinfônica de Santo André, o maestro Abel Rocha assina a direção musical. A direção geral e artística é de Paulo Esper.
Confira, abaixo, o programa e como retirar os seus ingressos gratuitos.
A Caminho do Interior — Ópera
O Concerto Lírico Sinfônico encerra a temporada 2026 da grande turnê A Caminho do Interior – Ópera, que teve início em março, em Espírito Santo do Pinhal. Quando as luzes do Teatro Municipal de Santo André se apagarem, a turnê terá apresentado 31 espetáculos em 28 cidades e movimentado mais de 600 músicos. Nada mais apropriado, pois, para esse encerramento que um concerto que salienta a grandiosidade do repertório lírico italiano.
Se o leitor estiver estranhando a passagem de uma turnê chamada A Caminho do Interior pela capital paulista — e por cidades litorâneas como Santos —, a explicação é simples. O nome é uma homenagem aos imigrantes italianos que chegaram a São Paulo no final do século XIX. Eles chegavam pelo porto de Santos, subiam a serra — não à toa temos a Rodovia dos Imigrantes! —, passavam pela capital e iam para as fazendas de café do interior do estado. Foram, assim, se espalhando por todo o estado.
Passado mais de um século e meio da chegada dos imigrantes, graças a essa turnê, é a ópera italiana que percorre o estado, disseminando a arte, a língua e a cultura italianas. Quem conduz a ópera nesse percurso, quem cuida de tudo, organiza tudo, pensa em tudo e, em um incessante vai-e-vem, percorre quilômetros e mais quilômetros levando consigo cenário e cantores, é Paulo Esper, que dedica a vida a difundir a ópera italiana.
O projeto A Caminho do Interior – Ópera é realizado pelo Consulado Geral da Itália em São Paulo, pelo Istituto Italiano di Cultura San Paolo e pela APAA — Associação Paulista dos Amigos da Arte, em parceria com a Cia Ópera São Paulo — que, no início de 2026, completou 35 anos de intensa atividade. O Concerto Lírico Sinfônico também conta com a parceria da Prefeitura de Santo André.
Sobre o Programa
Para Mário de Andrade (em A Fosca, 1934), Fosca, que estreou em 1873 no Teatro alla Scala, foi o momento culminante da produção musical de Antonio Carlos Gomes (1836-1896) e “uma das obras-primas da música dramática do século XIX italiano”. Já Il Guarany, que estreara no mesmo teatro três anos antes, foi a ópera com que, após mais de vinte anos de luta, o compositor campineiro conseguiu a consagração. Até hoje o Guarany é, sem dúvida, a ópera mais famosa de Carlos Gomes.
Em homenagem aos 190 anos do nascimento e 130 da morte de Carlos Gomes, o programa começa justamente com números dessas duas óperas emblemáticas. De Fosca, ouviremos a abertura; de Il Guarany, O Dio degli Aimorè.
A abertura de Fosca é formada por um encadeamento de temas que acompanham a trama da ópera. Sobretudo nas passagens mais melodiosas, pode-se sentir o “balanço” de barcarola de Veneza, onde a ópera é ambientada.
Desse tecido orquestral instrumentalmente rico, com colorido variado e mudanças rítmicas, passamos ao impactante rito dos Aimorés, de Il Guarany, no qual aparece o famoso tema tocado logo no início da popularíssima abertura da obra. Para baixo-barítono (Cacique) e coro, a cena tem inegável força musical. Típica cena em que um líder religioso celebra, com o seu povo em batalha, um rito pagão, ela é testemunha da influência que a tradição italiana do início do século XIX exerceu sobre a ópera de Carlos Gomes.
Mário de Andrade aponta que há, em Fosca, uma antecipação do “ardente lirismo” de Giacomo Puccini (1858-1924). E é justamente com ele que o programa segue. O Intermezzo de Manon Lescaut é, sem dúvida, uma das mais belas partes sinfônicas da ópera italiana e um perfeito exemplo do que Mário chamou de “plasticidade apaixonada”. Se o Guarany foi a primeira ópera de Carlos Gomes a fazer sucesso, a de Puccini foi, justamente, Manon Lescaut, que estreou em 1893 (vinte anos após Fosca), em Turim. O Intermezzo ilustra o papel marcante das cordas na orquestração pucciniana. A peça se inicia com o violoncelo — a gravidade do pesar, o fim dos sonhos de juventude, a desilusão… Depois vêm viola e violino — a dor pungente, o choro de Manon.
Do lirismo melancólico do Intermezzo seguimos ao grandioso e terrível Te Deum, o concertato que encerra o primeiro ato de Tosca. Na peça, ao hino de louvor religioso se contrapõe o canto feroz de Scarpia. Com crueldade e luxúria, o barão apresenta os seus dois desejos: a cabeça do rebelde e o corpo de Tosca.
Na sequência, outro hino de louvor, agora de Páscoa: “Entoemos hinos, o Senhor não está morto!”. É o célebre e irresistível Inneggiamo, de Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni (1863-1945). Estamos, pois, falando de um dos ícones do Verismo, que estreou em Roma, em 1890. Mesmo sem um contraponto explícito ao hino, a crueldade e a hipocrisia da sociedade estão pairando. Isso porque, além do coro, há o pungente solo de Santuzza: a protagonista da ópera que, traída pelo companheiro, vive marginalizada e rejeitada pela sociedade. “Estou excomungada”, declarou, pouco antes de entoar o hino, a jovem, que sequer podia entrar na igreja.
Da realidade crua à fantasia; do Verismo de Mascagni ao bel canto romântico de Gaetano Donizetti (1797-1848). Quel guardo il cavaliere, de Don Pasquale, conta apenas com solo de soprano. É uma emblemática ária do estilo belcantista, que ditou as regras da ópera italiana durante boa parte do século XIX. Sozinha, Norina lê um livro sobre um cavaleiro que foi completamente conquistado pelo olhar de sua amada. Rindo, Norina se gaba de, também ela, conhecer muito bem os artifícios para conquistar um coração.
O período de cinquenta anos em que a ópera evoluiu do bel canto romântico ao Verismo pertenceu todo a Giuseppe Verdi (1813-1901). Já em Nabucco (1842), a ópera que o consagrou, é possível perceber um estilo pessoal, um tom patriótico, bem como a maestria do compositor para lidar com as cenas corais. Va, pensiero, o coro cantado pelos hebreus durante o cativeiro na Babilônia, além de fazer sucesso até hoje, é um símbolo do Risorgimento e uma espécie de hino patriótico não oficial da Itália.
Outro célebre número coral de Verdi é a grandiosa Marcha Triunfal (“Gloria all’Egitto”), da ópera Aida (1871). Para celebrar o triunfo de Radamès, Verdi criou uma cena com um grande coro (povo, mulheres e sacerdotes), o famoso solo de trompete e balé. É o apogeu do estilo grand-opéra!
Antes, contudo, ouviremos a Abertura de La Forza del Destino. Embora a ópera tenha estreado em São Petersburgo, em 1862, a célebre Abertura, que substituiu o prelúdio original, data de 1869. A sua constante presença em concertos líricos é mais que justificada pela riqueza orquestral da peça. Ao tema do destino, ouvido no início da Abertura, seguem-se diversos temas e melodias que reaparecerão ao longo da ópera.
Voltamos a Puccini, agora celebrando o centenário da estreia (póstuma) da última ópera do compositor: Turandot. É a obra em que Puccini trocou o Realismo por uma espécie de conto de fadas. A principal inovação, contudo, está na música, no fraseado. Além da ária mais famosa da ópera — Nessun dorma — ouviremos trechos corais e instrumentais, inclusive o Finale composto por Franco Alfano (1875-1954).
Programa
Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Fosca — Abertura
Il Guarany — O Dio degli aymore
Giacomo Puccini (1858-1924)
Manon Lescaut — Intermezzo
Tosca — Te Deum
Pietro Mascagni (1863-1945)
Cavalleria Rusticana — Inneggiamo
Gaetano Donizetti (1797-1848)
Don Pasquale — Quel Guardo Il Cavaliere
Giuseppe Verdi (1813-1901)
La Forza del Destino — Abertura
Aida — Marcha Triunfal
Giacomo Puccini
Turandot — excertos / Nessun Dorma / Finale.
Serviço
Concerto Lírico Sinfônico
Elenco:
Mayra Terzian e Victória Sayegh Burunsizian: sopranos
Vitorio Scarpi: tenor
Andrey Mira: baixo
Coro Osvaldo Lacerda (Bruno Costa: regente)
Madrigal Vox Brasilis (Cleber F. Harmon: regente)
Bruno Costa: preparação dos coros
Orquestra Sinfônica de Santo André
Abel Rocha: direção musical e regência
Paulo Abrão Esper: direção geral e artística
São Paulo
🗓️27 e 28 de agosto (quinta e sexta-feira), às 20h
📍Teatro Sérgio Cardoso
🎫Ingressos: são gratuitos, e podem ser retirados no site do Sympla (o link será atualizado aqui a partir do dia 20), ou na bilheteria do teatro 1 hora antes do início do espetáculo.
Santo André
🗓️29 de agosto (sábado), às 19h30 e 30 de agosto (domingo), às 17h
📍Teatro Municipal Flávio Florence
🎫Ingressos: são gratuitos e podem ser retirados na bilheteria do teatro, 1 hora antes do início do espetáculo.
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Cofundadora do site Notas Musicais, é a correspondente no Brasil das revistas l’Opera (Itália) e Pro Ópera (México). Colabora, ainda, com a revista Opera with Opera News (UK) e com o site L’Ape Musicale (Itália). Fez parte do júri das edições 2020 e 2022 a 2026 do Concurso Brasileiro de Canto ‘Maria Callas’ e é membro do conselho de Amigos da Cia. Ópera São Paulo. Em 2017, fez a tradução, para o português, do libreto da ópera Tres Sombreros de Copa, de Ricardo Llorca, para a estreia mundial da obra, em São Paulo. Estudou canto durante vários anos e tem se dedicado ao estudo da história da ópera e do canto lírico.
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