No dia 03 de agosto, um grupo de Cordas da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem apresenta música de câmara no Centro Cultural do Poder Judiciário. Com entrada gratuita, o programa é composto por obras de Antonio Vivaldi, Georg Philipp Telemann, Wolfgang Amadeus Mozart, Edvard Grieg e Edmundo Villani-Côrtes.
Um dos mais relevantes projetos de iniciação profissional em música sinfônica do país, a OSB Jovem oferece uma formação ampla. Entre as atividades estão mentoria de carreira com músicos experientes, oficinas de editoração de partituras, ações de apreciação musical e conteúdos voltados à gestão cultural, além da realização de uma temporada artística própria.
Atravessar o Barroco italiano de Vivaldi e desembocar no cosmopolitismo de Telemann; adentrar o Classicismo do jovem Mozart para então tangenciar o lirismo romântico de Grieg e lançar a âncora na produção do contemporâneo brasileiro Villani-Côrtes. Este é o itinerário musical que a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem propõe ao público com este programa de música de câmara. Cobrindo cerca de 250 anos de música, o concerto permite acompanhar as transformações estilísticas da música ocidental, da escrita coletiva do concerto ripieno à intimidade dialógica do quarteto, lançando luz, ao mesmo tempo, sobre as possibilidades técnicas e expressivas dos instrumentos de cordas, em formações que vão do quarteto ao octeto.
Diferentemente dos famosos concertos que compõem as Quatro Estações, que são precedidos de sonetos, Antonio Vivaldi (1678–1741) não propõe nenhuma espécie de programa em seu Concerto alla Rustica, ouvido aqui em versão para quarteto de cordas. Trata-se de um concerto ripieno, isto é, sem a presença de solista, escrito na tradicional forma tripartida de dois movimentos rápidos separados por um outro de andamento lento. O primeiro deles, Presto, é um condensado solene moto perpetuo em que as notas se sucedem em florescimento luminoso. No breve Adagio, que serve de intermezzo, notas longas sustentam uma tensão chorosa, que se dissolve por completo no ritmado Allegro final, de sabor polonês, no qual Vivaldi possivelmente se deixou influenciar pelo compositor que será ouvido na sequência.
Georg Philipp Telemann (1681–1767) trabalhava como Kapellmeister de uma corte quando o conde e seu séquito se mudaram para a Polônia por seis meses. Lá, o compositor entrou em contato com a riqueza da música folclórica, apaixonando-se por seus ritmos característicos, pelo desenho irregular das frases, elementos que incorporaria posteriormente em algumas de suas obras. O Concerto Polonois surge como fruto desse encantamento e conta com quatro movimentos: o inicial Dolce propõe uma abertura lírica e calma, na tradição da sonata da chiesa, e é seguido por um Allegro dançante de inflexão polonesa. O expressivo Largo, por sua vez, surge como um suspiro de tensão contida e prepara o terreno para um Finale de desenvoltura rítmica mais proeminente.
É Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791) quem encaminha a apresentação para o período Clássico, com o seu alegre Quarteto de Cordas em Dó Maior K. 157. A obra foi escrita quando o compositor tinha entre 16 e 17 anos, e tem um pé na tradição barroca da sinfonia e do trio-sonata, mas já indica certa vocação conversacional entre os instrumentos, traço que marcaria a produção da maturidade do menino prodígio. No Allegro bem-humorado que abre a composição, o compositor brinca com a escala ascendente e descendente de Dó Maior. Um Andante choroso ocupa o centro expressivo do quarteto, antes que o finale, um Rondò espirituoso e compacto, entre em cena.
O programa avança então para o Romantismo com as Duas Melodias Elegíacas, Op. 34 de Edvard Grieg (1843–1907), em versão para octeto de cordas. As peças foram inicialmente concebidas como canções sobre poemas de Aasmund Olavsson Vinje, autor cuja visão contemplativa da natureza e da existência marcou profundamente o compositor. Na primeira delas, A ferida do coração, o contraste entre a tonalidade sombria de Dó menor e a modulação repentina para Ré bemol Maior espelha, com delicadeza, o alívio momentâneo após o sofrimento. Já A última primavera é uma meditação lírica sobre a beleza efêmera da vida.
O concerto chega ao fim em solo nacional, com uma das obras mais conhecidas de Edmundo Villani-Côrtes (1930–): as Cinco Miniaturas Brasileiras. Originalmente escritas para a formação de flauta doce e piano, as miniaturas que compõem este programa são de esmerada concisão, mas articulam um poderoso efeito total, colocando em contiguidade diversos gêneros característicos brasileiros (como a toada, o choro e o baião).
PROGRAMA
OSB Jovem
Música de Câmara
Antonio Vivaldi
Concerto em Sol, RV. 151
Georg Philipp Telemann
Concerto Polonis, TWV 43:G7
Wolfgang Amadeus Mozart
Quarteto nº 4 em Dó Maior, K.157
Edvard Grieg
Duas Melodias Elegíacas
Edmundo Villani-Côrtes
Cinco Miniaturas Brasileiras
SERVIÇO
Quando: 03 de agosto, segunda-feira, às 18h
Onde: Centro Cultural do Poder Judiciário (Av. Erasmo Braga, 115, Centro, Rio de Janeiro)
Ingressos: entrada gratuita
Foto: Renato Mangolin.

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