OSB Jovem apresenta Dvořák, Haydn e Beethoven em concerto gratuito
No dia 17 de setembro, a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem retorna à Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro para mais uma apresentação: Ecos do Classicismo. Sob a regência do titular Anderson Alves, o repertório reúne obras de Dvořák, Haydn e Beethoven, três grandes nomes do Classicismo e do Romantismo europeus. O trompetista da OSB Flavio Melo é o solista do espetáculo.
A partir da segunda metade do século XVIII, virou moda entre a aristocracia vienense contratar um grupo particular de instrumentistas de sopros, que ficava à disposição para as mais diversas ocasiões sociais, de jantares a bailes e festas. Esses conjuntos, evidentemente, precisavam de repertório, e compositores – entre eles figurões como Mozart e Haydn – eram recrutados para escrever a eles, geralmente obras leves, pensadas não para as grandes salas de concerto, mas para circunstâncias informais. Serenatas, noturnos, divertimentos: foram muitos os gêneros explorados, mas, apesar dos nomes, todos guardam o despojamento como traço maior. É para esse passado que Antonín Dvořák acena ao compor a Serenata Op. 44, uma de suas obras de câmara mais amadas. Em vez da leveza, porém, o tcheco opta por uma abordagem ambígua, sério-jocosa, que se anuncia já na séria tonalidade de Ré menor e se confirma na atmosfera oscilante da composição.
Se no período barroco o concerto grosso havia se firmado como um dos veículos mais populares de música instrumental, colocando em cena um conjunto de músicos que se revezavam nas passagens tecnicamente exigentes, no período clássico ocorre um grande deslocamento: a atenção se volta para um solista único, que então passa a tecer com a orquestra um diálogo de alto teor virtuosístico, configurando o modelo que, em certa medida, é seguido até os dias de hoje. O Concerto para Trompete em Mi bemol Maior, de Joseph Haydn, é um dos ensaios mais populares e coesos do compositor no gênero. Levando em conta as sofisticações que seu contemporâneo Anton Weidinger havia acabado de implementar na mecânica do instrumento solista, o compositor explora nesta obra todas as novas possibilidades sonoras: passagens cromáticas, escalas completas e melodias no registro grave, até então inacessível ao trompete. E, se a exuberância técnica marca a obra de ponta a ponta, não menos o faz a força expressiva da composição, que traz ainda alguns momentos de grande nobreza e graciosidade.
Sitiada entre a revolucionária Sinfonia nº 3, Eroica, e a 5ª Sinfonia, um dos maiores hits de Ludwig van Beethoven, a Quarta Sinfonia é, por vezes, negligenciada, e nem sempre recebe o merecido destaque. Em contraste com a sua predecessora, de natureza mais declamatória, e com a icônica nº 5, de apelo mais dramático, a Quarta é marcada por certa sobriedade e põe em cena não o Beethoven em seu modo trágico ou incendiário, mas um compositor de enorme disposição lírica (embora não faltem ao longo da composição passagens mais exclamativas).
Um dos mais relevantes projetos de iniciação profissional em música sinfônica do país, a OSB Jovem oferece uma formação ampla. Entre as atividades estão mentoria de carreira com músicos experientes, oficinas de editoração de partituras, ações de apreciação musical e conteúdos voltados à gestão cultural, além da realização de uma temporada artística própria.
PROGRAMA
Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem
Ecos do Classicismo
Anderson Alves, regência
Flavio Melo, trompete
Antonín Dvořák
Serenata para Sopros, Op. 44
– I. Moderato quase Marcia
– IV. Finale
Joseph Haydn
Concerto para Trompete
INTERVALO
Ludwig van Beethoven
Sinfonia nº 4
SERVIÇO
Quando: 17 de setembro, quinta-feira, às 19h
Onde: Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro (R. Frei Caneca, 525 – Estácio, Rio de Janeiro – RJ)
Ingressos: entrada gratuita
Foto: Renato Mangolin.

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