OSB Jovem apresenta concerto “Três Tons do Brasil” na UERJ e no Teatro Carlo Gomes
No dia 11 de junho, a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem apresenta Três Tons do Brasil, um concerto da Temporada Harmonia. A apresentação será às 19h, no Teatro Odylo Costa Filho (UERJ), conduzida pelo regente titular e coordenador pedagógico do grupo, Anderson Alves. Dois dias depois, 13 de junho, o mesmo programa será apresentado no Teatro Carlo Gomes, no Centro do Rio de Janeiro. Este programa propõe uma viagem musical pela alma brasileira, traçando um percurso que vai do Choro do final do século XIX à Bossa Nova das décadas de 1950 a 1980 — um itinerário que revela como nossa música soube transformar saudade, festa e poesia em identidade.
Não poderia haver maneira mais apropriada de começar do que com Flor Amorosa, de Joaquim Callado. Figura de destaque na cena musical do Brasil Império, Callado foi compositor, flautista e é tido como o grande fundador do choro. Seu conjunto Choro Carioca, também chamado de Choro do Callado, foi o primeiro a lançar mão de flauta, cavaquinho e violão na formação, e Flor Amorosa, que abre este concerto, é um dos seus maiores sucessos. Na sequência, o programa abraça a música de Pixinguinha, outra figura incontornável do gênero, com uma coleção de canções reunidas em uma suíte cheia de variedade: Uma Rosa para Glória, que abre o ciclo, contém temas de duas valsas do carioca, Glória e a famosa Rosa. Dininha vem na sequência e inaugura, na noite, as parcerias de Pixinguinha com o flautista Benedito Lacerda, que continuam em Segura Ele – composta após a histórica viagem dos Oito Batutas a Paris em 1922 e que apresenta traços do ragtime – e em Seu Lourenço no Vinho, escrita como ato de gentileza a um patrocinador de rádio. Fecha a suíte Ainda me Recordo, na qual se evoca o eterno choro Carinhoso.
Poucos gêneros musicais se confundem tanto com a própria identidade de um povo quanto o samba. Nascido nas rodas de músicos negros do Rio de Janeiro, no início do século XX, ele rapidamente saiu dos quintais da Tia Ciata para as rádios e os palcos do país, tornando-se ao longo do tempo um dos símbolos mais reconhecíveis do Brasil. Dentre os seus representantes maiores está Donga, considerado o autor do primeiro samba gravado: Pelo Telefone, lançado em 1917 e que desde o início carregou certa polêmica quanto a quem de fato o compôs. Autoria e polêmicas à parte, o que se sabe ao certo é que Donga foi o primeiro a registrá-la, eternizando em áudio um pedaço daquele tempo. Quem também comparece no programa para representar o gênero é Dona Ivone Lara, a grande dama do samba. Composta unicamente por ela, Alguém me avisou é de ritmo dançante, e não apenas celebra o próprio gênero como também oferece uma perspectiva feminina sobre as raízes e a identidade da cultura negra brasileira.
Samba do Avião abre a seção dedicada a Tom Jobim e à bossa nova em clima de encanto, a partir de um ponto de vista aéreo (gesto curioso, já que àquela época o músico tinha medo de voar). Também escrita de uma perspectiva suspensa, Passarim, de 1987, entra em cena na sequência, representando a fase tardia e mais introspectiva do compositor. Contemporânea de Samba do Avião e espécie de avesso melancólico dela, O Morro Não Tem Vez encerra o ciclo, trazendo ao palco a faceta nostálgica do mestre da bossa. Para encerrar o concerto, a orquestra apresenta a Suíte Ô Abre Alas, com peças de Chiquinha Gonzaga, figura pioneira na música brasileira, primeira compositora popular e primeira pianista de choro do país. A obra reúne cinco movimentos que percorrem tanto peças célebres quanto páginas menos conhecidas da sua produção, e os arranjos, escritos para orquestra sinfônica completa, distribuem solos entre os naipes, com destaque para o corne inglês e os chefes de naipe das cordas.
OSB Jovem: formação além da prática orquestral
Um dos mais relevantes projetos de iniciação profissional em música sinfônica do país, a OSB Jovem oferece uma formação ampla. Entre as atividades estão mentoria de carreira com músicos experientes, oficinas de editoração de partituras, ações de apreciação musical e conteúdos voltados à gestão cultural, além da realização de uma temporada artística própria. “Na OSB Jovem buscamos transformar talento em oportunidade. Ao combinar formação musical qualificada com critérios socioeconômicos em seu processo seletivo, reafirmamos nosso compromisso com a inclusão, a formação cidadã e a capacitação profissional de jovens músicos. Mais do que preparar instrumentistas para o mercado, a OSB Jovem contribui para o desenvolvimento humano, cultural e social dos seus integrantes”, afirma Ana Flávia Cabral Souza Leite, CEO e vice-presidente da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.
PROGRAMA
OSB Jovem | Três Tons do Brasil
Choro
Joaquim Callado (arranjo: Anderson Alves)
Flor Amorosa
Pixinguinha (arranjo: Anderson Alves)
Suíte Pixinguinha
– Uma Rosa para Glória (temas de “Rosa” e “Glória”)
– Dininha (valsa)
– Segura seu Lourenço (temas de “Segura ele” | “Seu Lourenço no vinho”)
– Ainda me Recordo (relembrando “Carinhoso”)
INTERVALO
Samba
Donga
Pelo Telefone
Dona Ivone Lara (arranjo: Anderson Alves)
Alguém me Avisou
***
Bossa Nova
Tom Jobim (arranjo: Anderson Alves)
Samba do Avião
Passarim
O Morro Não Tem Vez
Suíte Chiquinha Gonzaga
Ô Abre Alas
SERVIÇO
Quando: 11 de junho, quinta-feira, às 19h
Onde: Teatro Odylo Costa, filho (R. São Francisco Xavier, 524, Maracanã, Rio de Janeiro)
Ingressos: entrada gratuita
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Quando: 13 de junho, sábado, às 11h
Onde: Teatro Carlos Gomes (Praça Tiradentes s/nº, Centro, Rio de Janeiro)
Ingressos: entrada gratuita
Foto: Renato Mangolin.

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