OSB celebra Portugal em concerto especial da Série Mundo

Nos dias 22 e 23 de junho, a Orquestra Sinfônica Brasileira celebra a música portuguesa em concerto da Série Mundo no palco da Sala Cecília Meireles. O maestro Javier Logioia fica à frente da orquestra, que conta ainda com a participação especial da soprano portuguesa Carla Caramujo. No repertório, obras de Mário Tavares, Ronaldo Miranda, Carlos Gomes, Alexandre Delgado e Joly Braga Santos.

Foi ao lado da OSB que Mário Tavares estreou a Abertura Folclórica, em 1958, uma das suas mais emblemáticas composições de caráter nacionalista. A obra, que pode ser apresentada com ou sem a presença de um coro, impressiona não menos pelo seu apelo lírico que pelo vigor que incendeia algumas páginas, como o ritmado gesto inicial, apresentado em uníssono pelas cordas. A fluência absoluta do idioma musical de Tavares se faz sentir ao longo de toda a abertura, que navega entre os temas de forma espontânea, quase rapsódica.

Ronaldo Miranda, segundo compositor do programa, começou oficialmente a carreira de compositor em 1977, quando recebeu o 1º Prêmio no Concurso de Composição para a II Bienal de Música Brasileira Contemporânea. Anos antes, no entanto, ele já havia elaborado aquela que viria a se tornar uma das suas obras mais admiradas: Cantares. A gênese da canção remonta a 1969, quando Miranda, ainda estudante de composição, inscreveu a canção, com texto de Walter Mariani, em um concurso de música popular. Embora não tenha sido selecionada, ela ressurgiria em 1984, em uma nova versão que a tornaria uma das obras mais executadas do compositor. A peça existe em versão para voz e piano, em outra para voz, cravo, flauta e viola da gamba, mas é em uma terceira encarnação que ela chega a este concerto, arranjada para voz e orquestra de cordas.

Encerrando a tríade brasileira, será ouvida uma das árias mais queridas do repertório nacional para soprano, a comovente C’era una volta un principe, da ópera Il Guarany, de Carlos Gomes. A ópera estreou em Milão em 1870 e, embora escrita em italiano, trata de um assunto genuinamente nacional, inspirado no romance homônimo de José de Alencar. A ária aqui ouvida pertence ao segundo ato, no qual, em um momento de recolhimento, a protagonista Ceci toma o violão e canta uma espécie de canção de ninar.

Foi na figura de Santa Isabel de Portugal que o compositor português Alexandre Delgado foi buscar inspiração para escrever a obra que será ouvida na sequência: Vida e Milagres de Dona Isabel. A ela são atribuídas inúmeras graças, a maior parte delas apócrifas, incluindo o célebre milagre das rosas (tradicionalmente associado a Santa Isabel da Hungria, sua tia-avó), mas a inteligência e a abnegação da filha de Dom Pedro III de Aragão e esposa de Dom Dinis encantam por si mesmas, conforme se percebe na mais antiga narrativa sobre a sua vida, escrita no século XIV. Para este ciclo para soprano e orquestra, dividido em cinco breves quadros que vão do nascimento à morte da rainha, Delgado valeu-se de excertos da narrativa medieval reconstituída por J. J. Nunes, adaptando-os em verso para evocar o lado mais humano da santa. Composta em 2019 por encomenda da Orquestra Clássica do Centro, a obra teve a sua estreia absoluta naquele ano com a mesma solista da noite, a soprano Carla Caramujo.

Um dos sinfonistas mais importantes da tradição portuguesa, Joly Braga Santos é quem assina a última obra do programa. Professor de Alexandre Delgado e aluno de Luís de Freitas Branco, outro grande mestre lusitano do gênero, Braga Santos é daqueles criadores que bem ancoram a sua linguagem musical em uma clara visão estrutural, sem, no entanto, eximi-la de força dramática e expressividade. Das suas seis sinfonias, as quatro primeiras foram escritas quando ele tinha entre 22 e 27 anos, e foram recebidas com enorme entusiasmo por ocasião da estreia. A Terceira, gesto final deste programa, é dedicada ao seu grande mestre e apresenta ao ouvinte de imediato o seu arcabouço expressivo-estrutural.


Orquestra Sinfônica Brasileira

Série Mundo – Portugal

Javier Logioia, regência
Carla Caramujo, soprano

Mário Tavares
Abertura Folclórica

Ronaldo Miranda
Cantares

Carlos Gomes
Il Guarany – C’era una volta un principe

Alexandre Delgado
Vida e Milagres de Dona Isabel
I. Dona Isabel ao nascer 
II. Viviendo El-Rei Dom Dinis 
III. Já depois que está Rainha 
IV. Em lugar onde ela fosse 
V. No dia em que faleceu

INTERVALO

Joly Braga Santos
Sinfonia nº 3


Quando: 22 e 23 de junho, segunda e terça-feira, sempre às 19h
Onde: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47, Lapa, Rio de Janeiro)
Ingressos: R$ 40,00 (R$ 20,00 meia)


Foto: Marina Andrade.


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