Projeto “Ópera Aberta” apresenta obras de Monteverdi no pátio interno do MNBA

No próximo sábado, dia 31 de outubro, às 17h30, o projeto Ópera Aberta realiza a segunda ocupação da sua temporada de estreia no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Centro do Rio de Janeiro. O programa reúne as obras Lamento d’Arianna e Lamento della Ninfa, ambas do compositor italiano Claudio Monteverdi (1567–1643), em uma encenação concebida para o Pátio Interno do museu em diálogo direto com esculturas das séries Crisálida e Casulos, do artista visual Nathan Braga. A entrada é gratuita, com distribuição de senhas a partir das 17h no acesso principal da instituição.

Com direção cênica de Bruno Fernandes, direção de arte de Matheus Simões, figurinos de Desirée Bastos, iluminação de Jonas Soares e regência de Jésus Figueiredo à frente de uma orquestra barroca de formação adaptada ao repertório, a iniciativa propõe o deslocamento da cena operística do palco italiano tradicional para espaços expositivos e arquitetônicos. O projeto estabelece uma relação direta entre a dramaturgia musical do século XVII, a produção de jovens artistas e a estrutura física do MNBA — atualmente em processo de reforma e abertura gradual, com reabertura total prevista para abril de 2027.

A montagem no Pátio Interno: música, matéria e elaboração do luto

Para a execução de Lamento d’Arianna e Lamento della Ninfa, o Pátio Interno do MNBA recebe um espelho d’água central, contornado pelo público em formato de arena. A proximidade física com os intérpretes busca retomar a escala de escuta e presença característica do período barroco, em que a linguagem operística se consolidava.

A dramaturgia articula-se à pesquisa plástica de Nathan Braga sobre memória, luto e mutação material. Nas séries Crisálida (2018) e Casulos (2019), o artista inverte a lógica do processo industrial têxtil ao recolher tecidos de seda pigmentados e enrolá-los sobre hastes metálicas. O procedimento confere ao material uma configuração escultórica de casulo, retendo a tensão de um ciclo biológico interrompido.

Em cena, a materialidade das obras converge com a suspensão do trauma presente nas composições de Monteverdi. O tingimento gradual da seda por pigmento dourado demarca o trânsito de Arianna da condição de abandono à esfera divina. Simultaneamente, o gesto cênico de recolher o fio deixado no labirinto atua como eixo de elaboração psíquica, conectando o lamento de Arianna ao espaço da Ninfa, e contrapondo diferentes formas de atravessar a perda até o seu despojamento final.

Trajetória do projeto e próximos passos

A equipe criativa do Ópera Aberta dá continuidade à bem sucedida parceria iniciada na montagem de Carmina Burana (2026), apresentada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), ocasião em que o grupo iniciou a sua investigação sobre a convergência entre cena lírica e artes visuais.

A primeira ocupação do projeto no MNBA ocorreu nas Grandes Galerias do museu, com a montagem de Il Combattimento di Tancredi e Clorinda, também de Claudio Monteverdi, em disposição de arena. Na ocasião, a encenação incorporou obras da artista visual Siwaju Lima, que utiliza perfis metálicos reaproveitados em arranjos concêntricos e perpendiculares. A tensão estrutural dos metais justapostos estabeleceu um paralelo espacial com a ambiguidade dramática da partitura, na qual o embate físico e o desejo entre Tancredi e Clorinda integram um mesmo movimento trágico.

Após as duas ocupações dedicadas a Monteverdi, o projeto Ópera Aberta prevê a estreia de um terceiro título em janeiro de 2027, novamente nas dependências do MNBA, dedicado ao repertório do barroco francês, além da ampliação futura para outros compositores, artistas visuais e instituições parceiras.


Projeto Ópera Aberta

Claudio Monteverdi
Lamento d’Arianna
Lamento della Ninfa

Orquestra Orquestra Barroca (formação adaptada)

Regência e órgão: Jésus Figueiredo
Direção cênica: Bruno Fernandes
Direção de arte: Matheus Simões
Artista visual convidado: Nathan Braga (autor das séries Crisálida e Casulos)
Figurinos: Desirée Bastos
Iluminação: Jonas Soares

Solistas:
Mariana Gomes, soprano
Hebert Campos, contratenor

Coro: Guilherme Gonçalves, André Cisco e Cícero Pires

Músicos: Eduardo Antonello (cravo), Myrna Herzog (viola da gamba), Jean Gualberto (contrabaixo barroco)


Quando: 31 de outubro, sábado, às 17h30
Onde: Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) – Pátio Interno (Av. Rio Branco, 199, Centro, Rio de Janeiro)
Ingressos: entrada gratuita / distribuição de senhas a partir das 17h no acesso principal
Duração: 40 minutos
Classificação: 12 anos


Fotos e arte: divulgação.


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